domingo, 10 de fevereiro de 2013

Desejo da Beleza

    Por vezes é difícil diferenciar uma gripe de um resfriado de uma dengue.
  O mesmo acontece com amor, paixão, desejo sexual.

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  “Um vizinho da miss estudante universitária Caren Brum Paim, 22 anos, confessou que matou a jovem.
  O corpo da modelo foi encontrado em uma fazenda de Caxias do Sul.
  Eduardo Farenzena, 19 anos, disse à polícia ser ex-namorado de Caren e que a assassinou por ciúmes.
  Familiares da estudante negam a relação e dizem que a jovem morava com o verdadeiro namorado, com quem se relacionava desde os 13 anos.”
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  Lembrei da entrevista de um bandido em que ele declarava que tinha raiva daquelas mulheres bonitas e cheirosas que na “boa” nunca seriam dele, então ás estuprava.

  No caso desse rapaz pode até ter sido amor, mas para sair do lugar comum vamos entrar por uma outra brecha a do desejo da BELEZA.

  Me analisando no mais profundo do meu ser cheguei à conclusão que nem remotamente um dia pensei ser gay, sempre admirei a beleza feminina, na infância era uma coisa ainda mais intensa, pois era uma admiração livre de algum desejo sexual.

    Na adolescência eu era muito tímido, morria de inveja dos colegas que conseguiam uma namoradinha, se ela fosse muito bonita eu me imaginava no lugar daquele indivíduo, o quanto ele devia ser feliz.

  Minha mente não é assassina então nunca desejei o mal a ninguém, nem a moça nem ao rapaz, mas lembro do desconforto que era não ter acesso a tanta formosura.
  Na escola gostava de sentar perto das mais bonitas da classe, não, eu nem conversava direito, bastava estar ali próximo daquela beleza.

  [Nunca sei onde uma meditação vai me levar, tem a provocação, o ponto de partida.
  O caminho é uma construção.
  A chegada é quando decido parar, geralmente é quando acredito ter encontrado uma resposta/dedução satisfatória.]

  As meditações mais surpreendentes eu nunca esqueço nem do caminho.

  Vasculhando as trilhas deixadas pelo sentimento de amor fui até onde tudo começou, a primeiríssima vez que fui atingido por este sentimento e surpresa…ELE NÃO ESTAVA LÁ!
  Achava a garota linda.
  Se ela não fosse tão agradável aos meus olhos o desejo intenso de estar perto dela não aconteceria.

  É, olhando do alto da minha experiência atual é muito difícil afirmar que meu primeiro amor foi amor de fato.
  Mas é evidente que todos os “sintomas” estavam lá.

  Por vezes é difícil diferenciar uma gripe de um resfriado de uma dengue.
  O mesmo acontece com amor, paixão, desejo sexual.

  Na quinta série havia uma garota que não saía da minha cabeça, foi quando imaginei ter sido atingido com este sentimento o AMOR.
  Lembro de tê-la visto alisando o rosto de um colega, o dia acabou para mim, com 10 ou 11 anos estava eu ali com uma tristeza muito profunda.
  Acho que o que difere as mentes assassinas das "normais" é que diante de uma decepção, as mentes assassinas sentem muita raiva, vontade de matar.
  As mentes normais ficam tristes, deprimidas, perdem momentaneamente o gosto pela vida.

  Para os assassinos passionais se acabarem com a existência da amada aquele desejo também deixa de existir, já para os [digamos] “românticos” é preferível morrer, pois matar a amada não matará a lembrança da BELEZA.

  Com a amada viva ainda podemos vez ou outra apenas estar perto, apenas admira-la.
   Matar a amada não faz sentido, seria matar de vez todas as nossas esperanças de proximidade …


To be continued...




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