quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

GD Terra


“Extra, extra, William, eu achei o professor Andros, de verdade” 
[Nihil]


  Sei lá! Filosoficamente falando ele era muito fraco nunca entendi muito bem sua relação [e a do Frank] com ele sem colocar na equação um grande grau de masoquismo.
  Na maior parte do tempo ele se comportava como um moleque pichador, xingando a tudo e a todos.
  De vez em quando trazia alguns textos clássicos que encontramos facilmente na Wikipédia.
  Depois de tanto tempo, claro que me afeiçoei ao Andros, sua companhia se tornou parte de minha rotina.
  No entanto nunca achei lógico ter algum tipo de idolatria ao passado, lentamente tudo que ocorreu no GD Terra foi ficando muito para trás, se transformando em um sonho.
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Certa vez li uma frase que ficou na minha cabeça:

 “Não falte ao emprego as pessoas podem perceber que você não faz tanta falta assim.”

  Nessa fase eu lia muitos livros de autoajuda e nesse tipo de livro é sugerido que podemos tudo, somos tudo.

  A frase colocada no fundo de um pequeno bazar jogou uma humildade até irritante na minha mente.
  O patrão deve ter colocado a frase ali com o objetivo de tornar seus funcionários mais disciplinados quanto a frequência ao trabalho.
  Só sei que a frase me atingiu violentamente como um tiro na testa, dezenas de frases de autoajuda não aliviaram meu desconforto mental.
  Mais tarde minha mente entrou em vórtice quando ouvi uma música cantada por Marina:

 “As coisas não precisam de você, quem disse que eu tinha que precisar”    ♫♫♫♫

  A vida não precisa de William, Nihil, ou Andros, olhar de frente para nossa insignificância desperta os sentimentos mais variados de acordo com a fase [situação] em que nos encontramos.
  Talvez por isso o PODER fascine tantos homens, todos queremos fazer a diferença, ser alguma coisa, ser destacar diante de outros humanos.

  A morte reduz mesmo um Gates a insignificância, a um pó facilmente confundível com tantos outros pós, mas esses “grandes homens” nem devem pensar no próprio fim, eu não posso recrimina-los por isto.
  Esses homens que conseguiram se destacar diante de outros humanos só pensam na morte quando são acometidos por grave doença ou a decrepitude da velhice chega.

  Nós insignificantes pensamos tanto no fim, porque ainda não tivemos nem um “começo”.

 Como somos tão pouco nesta vida sonhamos com outra que possamos ser alguma coisa, uma incrível vida pós morte onde seremos salvos da mediocridade, sentaremos a direita de Deus Pai Todo Poderoso.
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  “Não falte ao emprego as pessoas podem perceber que você não faz tanta falta assim.”

  Essa frase me fez lembrar me fez lembrar um momento de muito choro, estava lendo na Biblioteca Municipal de Campinas, o pensamento era mais ou menos assim:

  “Todos os dias quando acordo sei que não sou nada, ontem não fui nada e amanhã não serei nada, mesmo assim trago em minha alma os maiores e melhores sonhos do Universo e a esperança de que pelo menos alguns poucos se tornem realidade.”

  Todos os dias diante do nada precisamos acreditar que ainda seremos alguma coisa, é dessa matéria prima que a esperança se alimenta e faz com que alguns desejos até se tornem realidade.

  Muitos dos meus desejos se tornaram realidade, tenho uma bonita família, boa casa, alimentação farta; móveis, eletrodomésticos, veículos ... que me proporcionam um bom nível de conforto.

  Em certos momentos a ilusão de “importância” me rodeia, mas a realidade é implacável.
  Tudo está por um fio, a qualquer momento pode acontecer uma grave doença, a velhice vai se instalando inevitavelmente, a morte está sempre ali me lembrando toda minha insignificância ... a vida não precisa de mim...
 
  Meus sinceros desejos de BOA SORTE a todos!

  Em vida e quem sabe após a morte…






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