terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Tons de Verde

  “A admiração do que eu acho BONITO é anterior ao sentimento de AMOR.”

  Não gosto de chorar, mas por vezes me emociono diante da beleza, não consigo escolher o que sentir.
  Uma bela melodia, uma bela poesia, um pensamento profundo, uma cena comovente…

  Ontem à noite choveu aqui em Campinas e neste momento o Sol está brilhando.
  Tudo está tão límpido em uma explosão de cores, a vegetação se apresenta em variados tons de verdes, vejo muitos telhados e janelas, imagino em cada casa famílias vivendo em harmonia a mesma paz e harmonia que tenho agora em meu lar.
  Sei que em baixo de muitos telhados a realidade não é bem esta, mas se vou imaginar prefiro imaginar a beleza.


  A beleza é algo complexo, não sabemos como explicar, apenas nos sentimos bem ao olhar, ouvir, tocar ... alguma coisa.

  Aqui no Abismo dos Pensamentos a beleza que mais me toca é “imaterial”.
 
 [Que não se constitui de matéria; que não se consegue tocar;
 o que não é corpóreo; espiritual.]

  Um exemplo?

  Pense naquele casamento longevo em que a beleza física está congelada em fotos antigas.
  Agora, a beleza do companheirismo, da história de vida, é a que se faz mais presente.

  Os “românticos” se afeiçoam até a uma blusa velha o que dirá a um companheiro de jornada, um amigo, amiga que compartilhou conosco tantas emoções.

  É quando o amor e a beleza se fundem de tal maneira que não sabemos onde começa um e termina o outro ou se já se tornaram a mesma coisa, se tornaram um só.
  Amar a vida porque ela é bela ou a vida é bela por isso a amamos?


  Quando era criança olhava muito para formigas, como a vida pode caber em algo tão singelo?

  Vivemos cercados de “milagres”, mas nos acostumamos tanto a eles que nem os percebemos.

   Por vezes sinto que a vida é grande demais para mim, me sinto menos que aquela formiguinha, então singelamente fico como um espectador apenas admirando o que é bonito.

  Gosto de olhar pela janela, me inebriar com os diversos tons de verde…a vida fica bem melhor assim.

  Dê certo não sou o último “romântico”, mas sou um dos poucos que ainda assume e vê beleza nesta condição.

  Não desejo “adrenalina”, não quero ser um diamante lapidado no sofrimento, não quero dor, paz e harmonia são tesouros para mim.

  Os antigos diziam:

  “Não existe caminho para a felicidade, a felicidade está no caminho.”

  Felicidade não existe, o máximo que conseguimos são esses momentos em que conseguimos perceber e apreciar a BELEZA.
  Apreciar o esplendor dos vários tons de verde, musicas, alimentos, sentimentos, das várias pessoas que estão a nossa volta nessa estrada que ao findar... não sei.



  
“Deus sabe a minha confissão
 Não há o que perdoar
 Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão.”



   



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