segunda-feira, 18 de março de 2013

Naturalmente Chato


  “Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.” 
[Pitágoras]

  Eu tenho um bom padrão de vida e quando as pessoas ficam sabendo da minha infância muito pobre nem pensam em me discriminar por conta disso, ficam até mais condescendentes com minha chatice, acham que é “trauma” de infância, de repente eu não posso ser naturalmente chato.
  Vamos falar de eu ser naturalmente chato hoje.
  Minha família acredita que se eu tivesse tido uma infância melhor eu seria menos chato, mais “amoroso”, menos “frio”.
  Depois de algumas meditações profundas revirando o mais profundo de minha alma cheguei a conclusão que sou naturalmente chato.


  Já nos primeiros anos de escola era uma criança isolada pelos meus pensamentos.
  Um dia meu pai me levou a escola e eu naturalmente, como sempre fazia, fiquei em um cantinho distante de tudo perto do alambrado até chegar a hora de entrar.
  Naquele dia meu pai discutiu um tanto ríspido com minha mãe sobre minha dificuldade de socialização, meu pai achava que era culpa da minha mãe e minha mãe achava que era culpa do meu pai.
  Bom, eu não sabia de nada, até hoje não entendo a maioria das coisas, mas não queria ver meu pai e minha mãe discutindo então quando meu pai me acompanhava até a escola eu me aproximava de uma roda e fingia ter muitos amigos, quando meu pai sumia no horizonte satisfeito, eu voltava para o meu cantinho, observando a vida de longe, tentando entender seu sentido.
  Não, não é dinheiro, ele não me faria ser menos chato.
  Se alguém me convidasse agora para passar o Natal em Paris com tudo pago, só de pensar na balbúrdia e movimentação nos aeroportos já me dá uma léseira.
  Dá minha parte em dinheiro para que eu possa passar mais tempo sem fazer nada aqui mesmo em minha casa…☻

  Como podem perceber, meu gosto pelo dinheiro é a possibilidade de ter mais tempo para não fazer nada, mas com muito conforto.

  Vixe! O texto ficou longo e nem falei do companheiro Pitágoras.

   Se eu fosse naturalmente violento, sem muito apreço pela vida do próximo, seria culpa do meu pai, da minha mãe, a educação escolar alteraria a minha “natureza”?
  Se não funcionou com a minha chatice e preguiça, porque funcionaria com uma natural falta de respeito a vida do próximo?
  Meu querido Pitágoras invejo sua certeza que todos somos naturalmente bons, minha alma se sente imunda perto da sua, torço para que eu esteja errado e você certo, mas o que OBSERVO é…

  Sempre haverá necessidade de punição para alguns cidadãos não importa o quão boa seja a educação familiar ou escolar, na vida não há formulas magicas.
  NÃO somos naturalmente bons.




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