terça-feira, 5 de março de 2013

Sapos e Pererecas

 “Boa parte dos casamentos que conheci terminaram com as mulheres dando fim a eles.
  Os homens empurram com a barriga, se adaptam a níveis crescentes de desconforto, vão ficando.”
[Ivan Martins]

  Assisti ao filme Comer, Rezar, Amar.
  Muitos de vocês devem ter visto; bonito filme.
  Me fez pensar sobre um monte de coisas, algumas boas e outras más.
  Entre as más, está um fato bem conhecido pelas mulheres, a incapacidade dos homens de ir embora.

   Na biografia de Elizabeth Gilbert (autora do livro que deu origem ao filme) há dois casamentos com homens totalmente diferentes, que terminam exatamente do mesmo jeito: em farrapos, sem sexo e sem amor, mas com um sujeito que se recusa a admitir a realidade.
  É ela quem tem de arrumar as malas e ir embora.

  Boa parte dos casamentos que eu conheci terminaram assim.
  As mulheres dão fim a eles.
  Os homens empurram com a barriga, se adaptam a níveis crescentes de desconforto, vão ficando.
   Sofrem o apodrecimento diário da intimidade, a privação física e afetiva do amor que acabou, mas não rompem.
   Isso vale para maridos, namorados e até amantes.
   Todos esperam que as mulheres ponham fim às relações, saindo da vida deles ou pondo eles para fora da vida delas.
  São acomodados, pusilânimes.

▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
  Essa crônica é muito provocativa, bem escrita.
  Tão bem escrita que ao final pensamos: “Esse cara só pode estar certo”.

  A vida não é exata, não vou dizer para vocês que ele está errado, mas também não tenho como dizer que está certo na “essência da raiz do problema.”




  Vejam o conselho do Ivan para que as mulheres evitem esses relacionamentos que “terminam em farrapos”.

   “Para evitar esse tipo de relação – e o tipo de separação da história de Gilbert – é melhor escolher um homem independente, que não precise ser cuidado, tutelado ou aplacado como um bebê.
  Nem fique fazendo estripulias para chamar sua atenção.”
[Ivan Martins]

  As próprias mulheres se assumem mais “passionais”, mais “coração”.
  Observo que em geral são mesmo.

  É possível para uma mulher “escolher amar” um homem “independente”.

  Não escolhemos o que sentir, escolhemos como agir.

  A mulher em geral vai preferir casar por amor que por uma praticidade.
  E se ela não gosta de homem muito independente?
  Vejam meu caso.
  Sou esse tipo de homem muito independente, já nasci assim.

  Lembro que minha mãe fazia o maior drama porque devido ao futebol minha roupa vinha muito suja da escola, cansado da histeria de minha mãe e percebendo que ela tinha razão no aumento de seu trabalho doméstico, por volta dos 10 anos comecei a lavar minha própria roupa.
  Percebi uma dualidade de sentimento em minha mãe, um lado adorava a ajuda o outro ficava meio constrangido em ser “posta de lado”.
  Minha independência de certa forma a machucava.
  “Como assim ele não precisa de mim!”
  “Tenho que ser a mulher mais importante da vida dele, ele não pode viver sem mim.”

  Já falei aqui sobre o ciúme e quanto foi difícil domesticar este sentimento, neste caso eu digo que as mulheres detestam que não demostremos ciúmes (dependência) delas, se sentem sendo “postas de lado”.

  Descobri o quanto irrita as pessoas tirar o PODER delas sobre nós, isto me trouxe muitos problemas.
  Não acho que as pessoas não gostam de mim, mas surge uma antipatia gratuita que elas nem sabem de onde vem.
  Minha mãe ficava grata por ter seu fardo diminuído ao mesmo tempo que ficava ressentida de perder seu PODER sobre mim.

  Mais tarde vi o mesmo padrão nos namoros.

  A mulher não quer perder um milímetro do poder que tinha no início da relação quando por um simples beijo o homem é capaz de muita coisa, com o passar do tempo um beijo é só um beijo.

  Na lógica/racionalidade um beijo é só um beijo mesmo, depois de vários é natural que este carinho perca aquele “encantamento de contos de fadas”, mas a maioria das mulheres não querem que o encanto da “primeira vez” seja quebrado.

  Acontece que a primeira vez só tem uma, é “matemático”, a segunda é a segunda e depois de centenas de vezes um beijo é só mais um beijo.

  Os homens lidam melhor com a realidade as mulheres fantasiam demais.

  O homem geralmente sabe que aquela princesa vai virar uma perereca e se prepara para isso, a mulher quer sempre um príncipe…

  Que conselho eu daria as mulheres?

  Ajustar suas expectativas.

  Se você se apaixonou por um homem “independente” (a não ser em caso de grave doença) ele sempre será assim.
  Se você é estilo mãezona e se apaixonou por um homem mais carente/dependente ele sempre será assim.

  O namoro tem essa função de proporcionar conhecer o que se está levando pra casa.

  Depois que casar vai ocorrer o que?
  Em geral o tempo é inclemente, todos envelhecemos.
  Tanto para homens quanto mulheres o rostinho bonito e as belas formas vão se perdendo, a pele já não tem aquele frescor.
  É natural que a atração física diminua bastante.

  “Quem casa quer casa, quem quer casa quer criança, quem quer criança quer jardim, quem quer jardim quer flor...”

  A vida vai seguindo uma sequência natural a todos com poucas variações.

  “Homens esperam que as mulheres ponham fim às relações, saindo da vida deles ou pondo eles para fora da vida delas.
  São acomodados, pusilânimes.”
 [Ivan Martins]

  Sei lá!
  Homens são mais realistas.
  Aquela gatinha de 20 e poucos anos não está mais ali, o que ele deve fazer?
   Fingir que está!? Viver de mentira, ilusão?

  Terminar o casamento e ir atrás de uma gatinha de 20 anos?
  Aquele gatinho de 20 anos que o homem era também não existe mais, será que uma gatinha de 20 anos vai se apaixonar por ele?

  “Ah, mas não devemos pensar só no corpo.”

  Então é isso.
  Você escolheu uma pessoa pra casar, pra ter um projeto de vida, sabendo de todo desgaste que isso acarretaria.
  Não é uma questão de “se acomodar” é uma questão de aceitar a vida como ela é.
  Não vou alongar mais esse texto.
  Deixo pra você uma última provocação.

  

  Envelhecer é possível, se não morrer jovem, é inevitável. (Juntos ou separados)
  Ficar para sempre jovem é impossível. (Juntos ou separados)

  Homens acham mais racional envelhecer junto de alguém, mulheres preferem se arriscar a viverem solitárias na velhice.

  Se for por uma praticidade/comodidade ... não vejo problemas.
  Mas se for para reviver emoções da juventude ... é uma péssima aposta “unissex”.
  

  






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