sábado, 4 de maio de 2013

Cabeça do Tass

  Em uma entrevista Marcelo Tass disse que queria fechar todas as escolas e reabri-las como um espaço público cheio de computadores com banda larga de altíssima velocidade.
  Disse também que a escola tem o mesmo formato há séculos e isso precisaria ser urgentemente mudado.

  Não sei a posição ideológica de Tass, mas notei que pensadores comunistas tem uma certa fixação por revolução “mudar tudo isso que está aí.”
  Capitalistas preferem evolução, sempre que possível ir fazendo melhorias ao que já está aí.

   Claro que sou a favor de mudanças, mas só quando surge uma idéia que pareça ser mais eficiente, mudar alguma coisa só porque é antiga não tem lógica.
   Talvez no futuro inventem uma máquina que nos dê mais prazer sexual que o sexo oposto, mas a “verdade do momento” é que transar com uma mulher é muito mais satisfatório por mais antigo que isso seja.

  Talvez no futuro inventem implantes eletrônicos onde apenas conectemos nossas crianças em um pen drive e o conhecimento seja introduzido instantaneamente, mas no presente um bom profissional do ensino, um bom professor é o que temos de mais eficiente por mais antigo que isso seja.

  A idéia do Tass sobre espaço público pode inclusive ser testada já, mas não vamos usar nossas crianças como cobaias.
  Vamos tirar todos os seguranças e toda administração do Metrô, deixemos aquele espaço público livre para a “santa população” o “santo povo”, a “sabedoria popular” fará o melhor uso do espaço, viva a revolução, abaixo o Governo!
  Anarquistas graças a deus.

   Perceberam?

  Na cabeça do Tass o “povo”, a massa, é uma entidade quase sagrada, a voz de Deus.

  Isto explica em parte porque Marcelo Tass é uma celebridade e eu um Zé Ruela.

  Tass fala o que o povo quer ouvir.

  Para eu a massa é medíocre.
  Uma escola com ótimos computadores deixada a própria sorte, aberta ao povo seria um grande desperdício de excelentes maquinas e faria muito pouco pela qualidade de nossa educação.
  Não sei na cidade do Tass, mas aqui em Campinas espaços públicos deixados à própria sorte são tomados por drogados e marginais.

  Além do mais se a massa é tão sabia cadê sua sabedoria para eleger bons políticos?

 Se os políticos são nosso grande problema e são eleitos pelo maravilhoso povo então o povo não é tão maravilhoso ou a qualidade do povo é nosso problema, afinal os políticos são tão brasileiros quanto eu, você ou o Tass.

  Gostaria de fazer uma pergunta ao Tass:

  Temos políticos medíocres porque votamos em políticos medíocres ou votamos em políticos medíocres porque somos medíocres?

  Não tem formula mágica para diminuir a mediocridade, o primeiro passo é se reconhecer medíocre e buscar uma evolução.

  Enquanto nosso povo “sagrado e puro” se colocar como vítima de um governo que ele mesmo elegeu fica difícil dar um passo além.
  Idéias como a do Marcelo Tass convencem o povo sobre sua santidade, uma santidade que não é observável.
  Mas quem ouviria um Zé Ruela que defende uma escola mais rígida e mais disciplinadora com professores profissionais em transmitir conhecimentos cientifico e que não tomassem como missão tornar minha filha uma “pessoa melhor”.

  Na matemática da vida um povo santo elegeria um governo santo, mas quem liga para a ciência, quem liga para matemática, quem liga para lógica…

  Viva lá revolucion!





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