sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sobre o Ócio

    “Tempo livre não significa repouso. O repouso, como o sono, é obrigatório. O verdadeiro tempo livre é apenas a liberdade de fazermos o que queremos, mas não de permanecermos no ócio.”   [Bernard Shaw]
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 Sou capaz de apostar que Shaw permanecia bastante tempo no ócio, eu permaneço bastante tempo no ócio.
  Além do mais se eu tenho liberdade para fazer o que quero no meu tempo livre, porque não posso ficar sem fazer nada?
  Quando você está tomando cerveja com os amigos o que está produzindo, o que está realizando?
  Quando está assistindo novela ou vendo futebol o que está produzindo, o que está realizando?
  Percebem?
  O ócio é uma coisa sensacional e fica ainda mais interessante quanto mais é atribulada nossa vida.
   Falamos de escravidão e o que é a escravidão senão querermos que outros produzam para a gente poder ficar no ócio, não completamente sem fazer nada, mas fazer o que nos agrada.
  Máquina de lavar roupas é uma escrava maravilhosa é em média 1:30 h que podemos ficar olhando pela janela, lendo, escrevendo, tirando um cochilo…
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  Sabem que quando leio, assisto um filme, leio um texto, uma frase… minha mente automaticamente se desdobra, um universo paralelo é construído em segundos.
  Filmes de guerra me deprimem, mas gosto de assisti-los, fico no lugar daqueles homens momentos antes de irem para o campo de batalha e depois sendo mortos como moscas “quem é o inimigo quem é você.”
  Minha alma chora por dentro como se eu mesmo já tivesse participado de muitas guerras, morrido e matado muitas vezes, cicatrizes que nunca serão totalmente apagadas.

  A melhor parte de assistir um filme de guerra é saber que é só um filme.

  Quando ele acaba é maravilhoso poder estar com minhas filhas coisa negada a tantos soldados mortos muito jovens.
  Poder ir até a janela e ver pessoas jogando conversa fora, crianças brincando, senhoras andando com seus cãozinhos, homens naquela conversa descontraída na padaria da esquina, até aquele jovem com o volume do som alto no carro já não me irrita.
  Ficar na janela e calmamente apreciar todos os tons de verde.

  É bom não estar em guerra, não fazer nada nunca foi tão maravilhoso.

  Vejo as pessoas correndo feito loucas para fazer alguma coisa, eu também faço o que tenho que fazer, mas no meu tempo livre fico no ócio, para uma alma cansada não existe nada mais maravilhoso que a paz e a liberdade de inclusive NÃO FAZER NADA!
  Gosto do Capitalismo também por conta disto ele nos propõe uma luta, mas não nos obriga a participar dela tudo depende de quanto somos ambiciosos.
  Já desejei muitos bens materiais, continuo desejando, mas não troco eles por minha paz.
“Se lembra quando era só brincadeira. Fingir ser soldado a tarde inteira?”


Nossas meninas estão longe daqui
E de repente eu vi você cair
Não sei armar o que eu senti
Não sei dizer que vi você ali.
Quem vai saber o que você sentiu?
Quem vai saber o que você pensou?
Quem vai dizer agora o que eu não fiz?
Como explicar pra você o que eu quis


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