quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Bomba Mental

  “Entretanto, ninguém deseja, em sã consciência, deixar de viver. Logo, a vida não é um castigo. Pelo contrário, a vida humana é o maior bem natural que possuímos.”  [Dante a D’us]
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  Lembrei agora quando um antigo patrão, na sala de reuniões, me responsabilizou por uma situação a qual modéstia à parte eu havia agido muito bem.

  Um grupo de funcionárias planejava cercar na rua uma colega de trabalho para bater, fiquei sabendo por comentários dentro da empresa.
  Me reuni com as funcionárias e avisei que mesmo fora dos portões da empresa eu não poderia admitir tamanha selvageria e que se a agressão se concretizasse cabeças iriam rolar.
  As intrigas foram resolvidas nesta reunião com as funcionárias e nada de mais grave aconteceu, mas devido à complexidade da situação era minha obrigação deixar o dono da empresa ciente do ocorrido caso eu precisasse cumprir minha ameaça.

  Para minha surpresa ele veio com aquele discurso dos livros de autoajuda em que este tipo de falha dos funcionários é reflexo “direto” da falha de liderança da chefia e que eu deveria refletir em que eu estava errando.
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  O cara me pegou totalmente de surpresa e isso raramente é bom, meus filtros do politicamente correto não estão de prontidão e o que sai da minha mente vai direto para as cordas vocais sem cortes.

W - Engraçado o senhor dizer isto, eu evitei uma briga enquanto há uns dois anos atrás duas de suas secretarias saíram no tapa em pleno horário de expediente.

X “- Mas eu demiti Fulana.”

W - E a recontratou 3 meses depois, a punição dela foi resgatar o FGTS com pagamento de multa e tudo?

X “- Se eu errei naquela oportunidade não é motivo para você errar agora também”.

W- Eu errei em que senhor X?

X “- Em deixar que o clima ficasse tão tenso a ponto de funcionárias brigarem na rua.”

  Caraca! Eu poderia lhe informar que uma ficou com o namorado da outra em um bailão lá no bairro onde elas moravam, algo externo a fábrica, mas queria algo mais forte, algo que atingisse sua mente e acho que ele não estava no seu dia de sorte, pois um pensamento demolidor gritou para sair.

  Ele era um católico fervoroso e eu um pouco asperamente lhe joguei uma bomba mental.

W - O senhor sabia que Deus tomava conta de apenas 4 pessoas e mesmo assim ocorreu um assassinato?
  Se Deus que é Deus falhou em cuidar de apenas 4 pessoas porque eu não posso falhar cuidando de dezenas?

  Fiquei muito calmo, sereno mesmo, foi uma delícia sentir seu cérebro derretendo…HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
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  No entanto confesso que tudo mais sumiu da minha mente, a ignorância do meu patrão, a discussão das meninas.
  Fiquei consumido por esse pensamento o resto do dia, minha mente entrou em uma grande espiral e as meditações que vieram a seguir foram ainda mais demolidoras, a bomba me atingiu também.
  Cheguei a escrever sobre isto no GD Terra e poderia recuperar o arquivo, mas acho que o Blog merece um texto novo a respeito então…
I’ll be back!




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