segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Faça Amor

  “Essa covardia mole e tímida que não deixa nem ver, nem seguir a verdade.”   [Blaise Pascal]
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  A mulher do meu Irmão

  Sinopse:
  Após dez anos de casamento, Zoe (Barbara Mori) sente-se entediada com a vida carente de paixão e surpresas. Um dia ela se deixa seduzir pelo cunhado e a partir desta situação, desencadeia-se uma série de eventos que levarão os personagens a um arriscado jogo de vinganças secretas e paixões.

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  A vida realmente tem esse poder de amedrontar a gente, mas não consigo observar como a covardia pode melhorar nossa situação.
  Esse texto é perigoso, vamos ver até onde ele pode chegar.
  No começo do namoro toda mulher fica ansiosa com a chegada do namorado, é um dos momentos mais importantes da sua vida naquele dia.
  Lembrei agora de uma vez que eu tinha combinado com minha esposa [namorada na época] de ir à casa dela que era bem longe, mas eu tinha tido um dia daqueles, muito trabalho e muita gripe.
  Avisei que não poderia ir e me atirei na cama, não passou nem 2 horas e ela chegou com seu irmão e a namorada dele até minha casa.
  Eu estava péssimo, tudo que queria era ficar naquela cama e esquecer que existia outro dia, quem já passou por uma gripe muito forte sabe do que estou falando.
  Confesso ineditamente que quando minha mãe avisou que eles estavam na porta minha vontade era de mandar todos para os quintos dos infernos…HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
  Ao ver minha namorada tão sinceramente preocupada com minha saúde, além de obviamente ter me dado uma incerta demonstrando MEDO em me perder, minha mente se aquietou e apesar da gripe e desanimo fiquei agradecido por alguém ter tanto apreço por mim.

  É natural que um casal de namorados se deseje muito, quando tudo caminha bem a relação aprofunda-se, acontece o casamento e esse desejo é plenamente saciado.
  A esposa já não tem tanta ansiedade pela chegada do marido, não é mais o momento mais importante de seu dia, afinal agora quando o marido diz para alguém que vai para casa é com sua esposa que ele irá se encontrar.
  A ansiedade da espera o prazer da chegada não tem como retornar a não ser que ocorra uma separação e um recomeço, mas...

  No casamento a certeza da companhia também deveria ser um sentimento bom uma coisa que noto que os casais não dão o devido valor.

  Isso vem muito dos mitos freudianos sob Libido, criamos essa ILUSÃO que somos seres “sexuais” quando na realidade observável somos seres “sociais” a sexualidade faz parte, mas não é a maior ou melhor força que nos move.
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  Uma das coisas que nos faz gostar muito de nossos pais é a certeza de sua COMPANHIA, de podermos contar com eles não só nos momentos alegres, mas nos difíceis também, podemos até esquecer esta parte do “contar” [precisar]. Estar em casa com seu pai e sua mãe é algo naturalmente bom. [ou deveria ser]
  Quando você vai tomar um chopinho com amigos ou as compras com as amigas é o prazer da companhia que os move.
  Percebem que não falamos de sexo e todos pensaram em momentos agradáveis?

  O casamento igual as demais relações deveria ter como base esse COMPANHEIRISMO, se sentir bem com a presença do outro sem precisar nem de palavras, tal qual acontece com nossa mãe, nosso pai ou com amigos.

  No namoro ou casamento temos o sexo como BÔNUS e não uma nova base sobre a qual a relação deve se apoiar.
  Isso claro falando FILOSOFICAMENTE, esqueçam do “psicologismo” ao menos um pouco.
  Na Terapia da Lógica percebemos que o Libido é muito variável no decorrer de nossas vidas e construir algo sólido em uma base tão instável não é LÓGICO.
  A insegurança da namorada provoca sentimentos bons e maus, a segurança da esposa provoca sentimentos bons e maus.
  Como podemos pegar tudo de bom da insegurança e juntar com tudo de bom da segurança?
 NÃO PODEMOS.
  Para o casamento ter a adrenalina do namoro ele tem que estar sempre em risco e risco constante não é bom nem para o namoro quanto mais para o casamento.

  Nós temos essa COVARDIA em aceitar, em admitir que em 99% das vezes um relacionamento inevitavelmente caminha para a monotonia.

  Não percebemos que ao demonizar a rotina, a monotonia, demonizamos também a SEGURANÇA e tudo que ela pode trazer de bom.
  O problema com a realidade é que ela acontece de qualquer jeito o que faz diferença é como você lida com ela.
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  A moça do filme nunca OBSERVOU toda realidade acerca de casamentos e relacionamentos longos a sua volta; OU esperava baseada não sei em que, que com ela fosse DIFERENTE.

  Essa negação da realidade, essa fé sem FUNDAMENTO de que com nós será diferente é o que meu amigo Blaise chama de “covardia diante da realidade”.

  Você tem MEDO que aconteça com seu casamento o que acontece com todos os outros.
  Ao invés de se preparar para a realidade tenta de toda maneira evita-la e como a realidade não se importa com suas ilusões soluções insatisfatórias acontecem como se envolver com o cunhado, provavelmente não porque ele é um cara melhor que seu marido, apenas estava mais disponível, próximo, “era diferente.”

  Noto que muitos casamentos se desfazem não por que não sejam bons, o casamento é tudo que deveria ser.
  É que as pessoas querem que o casamento seja algo que ele não consegue ser, não pode ser:
  BASEADO EM SEXO E AVENTURA.
  Essa covardia mole e tímida que não deixa nem ver, nem seguir a realidade sobre relacionamentos longos. Se alimenta de ilusões Freudianas a respeito de nossa sexualidade.
  O que poderia ser uma fase tranquila de nossas vidas onde poderíamos diante da luta do dia a dia lá fora encontrar um refrigério aconchegante em nosso LAR transforma-se em uma batalha de egos.
  O sexo que poderia ser um bônus agradável se transforma na “medida de quanto amamos de quanto temos vontade de viver”.
  Aquela expressão “fazer amor” como sinônimo de fazer sexo nunca me pareceu tão fora da realidade, algo patético.
  Fazer amor, filosoficamente é algo tão grande que chega ser um ultraje limitar isso ao sexo.
  Seja amigo, companheiro, auxilie, leve paz, proteja, planeje um futuro bom, cuide muito bem dos filhos, não mate, não roube, seja justo, cuide da natureza…FAÇA AMOR!

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