quinta-feira, 17 de abril de 2014

Freudianismo e Autoestima

  “Acontece a todos, arena de vaidades e egos…”
[Nihil]

  A Nihil acredita que muitos psicólogos falam o que falam por um desejo de aparecer.
  Eu não concordo.
  Eles falam o que falam porque falam o que acreditam.

  Dickens dizia:

   “Há homens que parecem ter uma só ideia, é uma lastima que seja equivocada.”

  Eu tenho várias idéias, vários planos de pensamento.
  Se uma opinião começa a parecer equivocada vou atrás de outra melhor.

  A Psicologia é como uma religião sem Deus, ainda mais depois que o indivíduo dedicou 4 anos de estudos e essa profissão lhe serve de sustento.
  Não escrevo para que os psicólogos mudem de “religião”, entendo perfeitamente que sinceramente se apeguem a seus dogmas sobre Édipo, Libido e Autoestima, por exemplo, e nem os reconheçam como tais.
  Para quem a Psicologia [Freudianismo] ainda não é uma religião eu só peço ISENÇÃO para analisarmos as situações mais “Filosoficamente.”

  Vamos pegar um caso, o primeiro que me vier a mente…

  Há um consenso entre os psicólogos que não devemos dizer nada que baixe a autoestima da criança.

  Eu discordo disso.
  Minha filha não é boa em tudo, é bom que ela encare essa REALIDADE o quanto antes.

  É importante que cada um descubra no que é bom, no que pode melhorar com algum esforço, no que é ruim e é aconselhável evitar.

  Sempre que minhas filhas fizeram alguma burrice eu apontei para elas a falha.
  Não sou desses pais que fica se repetindo, quando cada uma delas tinha uns 3 ou 4 anos [idade que considero uma criança normal capaz de muito entendimento] eu dizia claramente que se elas não eram burras então que não agissem como tal.

  Tipo: “Filha, você está correndo com uma caneta pontuda, se você cair pode se machucar gravemente, só gente burra faz uma coisa dessas, você é burra?”

  A resposta sempre foi não porque se fosse sim eu seria obrigado a tirar a caneta da mão delas ou faze-las parar de correr, elas logo cedo entenderam que se elas agissem como burras seriam tratadas como burras.

  Agindo com inteligência elas podiam decidir entre ficar com a caneta e parar de correr, correr sem a caneta ou até fazer os dois, mas com muito mais cuidado, não se arriscando tanto.

  Vejo que muitos pais Freudianos agem como se tivessem medo de perder o amor dos filhos, por vezes esse amor é até objeto de disputa entre o casal.
  Acho isso uma infantilidade.
  Observo que um filho para desgostar do pai ou da mãe, principalmente nos primeiros anos de vida é algo que beira o impossível, já vi cada tranqueira de pai ou mãe que as crianças os veem como super heróis “injustiçados” pela sociedade.
  Claro que há crianças muito difíceis, que não respeitam os pais e nem ninguém.
  Logo, assim como existem pais “monstros” existem crianças monstros, digamos, espíritos de difícil trato, mas vamos ficar hoje no rotineiro, no trivial...

  Não espero que minhas filhas sejam boas em tudo, já escrevi sobre o quanto acho patético essa ideologia da geração “índigo” ou a Terra estar se regenerando com espíritos de melhor qualidade.

  É uma teoria muito bonita, eu até gostaria que acontecesse, a acho patética simplesmente porque não é OBSERVÁVEL.

  Se minhas filhas forem deficientes em matemática, forem “burras” em matemática, vou ajudar a amenizar esta falha, mas primeiro preciso apontar para ela a existência da falha, se isso é baixar sua autoestima ... que seja.
  Não irei dizer a minha filha que ela poderá ser o que quiser ser.
  Se ela não é boa em matemática é aconselhável que evite profissões na área de “exatas”.

  Peço a minhas filhas que se notarem que eu estou fazendo algo errado ou esquecendo alguma coisa que me avisem, já me ajudaram muitas vezes.
  Uma filha tem 13 a outra tem 11 anos [Texto escrito em 2013] não quero que elas me amem pelo que não sou, não sou perfeito, não sou um super herói, não sou um santo e muito menos indestrutível.

  Sou apenas um homem que um dia teve o desejo de ser pai e teve este enorme prazer em recebe-las como filhas.

  Minhas filhas podem apontar minhas falhas e erros o quanto quiserem, isto não baixará minha autoestima, prometo que se eu achar que devo tentarei me corrigir.

  Lembrei agora de um momento.

  Sempre pensei na minha vida de casado como algo que via nos seriados do passado, ou em casa mesmo [por algum tempo], a esposa cuidando dos filhos na maior parte do tempo.
  Claro que sempre pensei em ajudar bastante, mas o que aconteceu foi muito além do esperado.
  A situação era:
  Minha esposa trabalhando até as 22 horas, com o fretado chegando lá pelas 23 horas.
  Eu saía do emprego ás 17 horas chegava por volta dás 18 horas.
  No período da tarde as meninas ficavam com minha cunhada Idalina, ela saía assim que eu chegava.
  Eu era encarregado em uma fábrica de óculos, empresa pequena, trabalho extenuante, dezenas de problemas para resolver todos os dias e ao chegar em casa lá estava um nenê de 1 ano e outro bebê de 3, caraca, ô osso…
  A de 3 foi para o quarto assistir teve com um copo de coca cola, pedi que ela não comesse ou bebesse no quarto, pois poderia cair, sujar tudo e eu teria muito trabalho para limpar.
  Não deu nem tempo de terminar o sermão, quando tentou subir na cama ouvi aquele som de copo caindo, poxa vida, que vontade de dar uns cascudos nela.
  Respirei fundo, coloquei a de 1 ano no sofá e fui para a cozinha pegar água e pano de chão, eu nem queria olhar para minha filha, até que ela ali encolhidinha na cama, estava visivelmente magoada consigo mesma e me disse naquela voz infantil:

  “É muito bom você ser meu pai.”

  Foi maravilhoso e inesquecível, minha menininha de 3 anos falando de um jeito tão adulto, tão sentida por ter me dado mais trabalho.
  Dei um beijo em sua testa e disse:
 “É ótimo tê-la como filha, mas vem me ajudar passar o pano e da próxima eu te dou um cascudo…” 😆

  Desejo o melhor para minhas filhas, gostaria que fossem boas em tudo, que fizessem tudo certo, mas por outro lado ... que pai serei eu se não apontar suas falhas e limitações!?

  Quero que minhas filhas tenham uma vida SATISFATÓRIA.

  Se descobrirem seus limites podem até empurra-los para mais longe, mas o mais aconselhável é que descubram seus TALENTOS e façam ótimo proveito deles.

  Eu poderia escrever aqui uma frase tipo freudiana e todos adorariam, quero dizer que eu poderia ter muito “ibope”, pois sei muito bem o que as pessoas gostam de ouvir, querem uma amostra?

  “A baixa estima não vem das pessoas apontarem seus limites, ela vem de você acreditar que os tem.”

  Clap, clap, clap…que pensamento BONITO, estimulante, que Blog iluminado!
  Oras, não seja BURRO, todos temos nossos limites ainda mais enclausurados nesse frágil corpo biológico.
  Sei que gostariam mais de mim, se dissesse apenas o que as pessoas querem ouvir, mas observo que eu preciso mais gostar das pessoas do que preciso que elas gostem de mim.
  Enquanto vou gostando das pessoas, vou lhes desejando o bem, que tenham uma vida satisfatória, as vejo como irmãzinhas nesta vida tão complicada.

   Se um dia eu me importar mais com o sucesso, dizendo coisas que não acredito só para agradar as pessoas, minha Filosofia se tornará um lixo, eu me tornarei um lixo, melhor desistir de escrever, nada vale a pena quando a alma é tão pequena…








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