sábado, 31 de dezembro de 2016

Vigiar é Preciso

“O preço da liberdade é a eterna vigilância.”
[Thomas Jefferson]

  Esse pensamento é antigo, Jefferson foi apenas um dos que o popularizou.
  É uma daquelas frases que nos levam a um delicioso paradoxo mental.
  Associar o conceito de liberdade com o conceito de vigilância parece que não tem nada a ver.
  Vigiar quem, o quê?
  Ser vigiado inibe a liberdade, esse é o paradoxo.

  Paradoxo Proposição ou argumento que contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, ou desafia a opinião, a crença da maioria.
   “Aparente” falta de nexo ou de lógica; contradição.

  Vamos para uma filosofia mais complexa.

  Precisamos vigiar uns aos outros porque somos fracos não resistimos as tentações...

  Vigiar uns aos outros vai contra a noção de liberdade, entretanto lembremos que a liberdade não tem como ser total.
  Liberdade plena não existe.
  
  Imagine que você trabalhe na casa da moeda e lide com milhões de células todos os dias.
  O controle é mínimo, se você pegar até mil reais todo dia ninguém vai perceber.
  Quantos de nós resistiríamos a tentação de uma vez ou outra pegar alguns trocados?

  Tá você é honesto normalmente não mexe em nada que não é seu, mas a grande maioria de nós em dado momento passa por grandes dificuldades, todo aquele dinheiro é uma grande tentação, não vai ter nenhuma consequência se você pegar algum nem que seja para devolver depois.

  Sei, sei ainda assim muitos não pegariam, mas concordamos que outros tantos não resistiriam a tentação.
  Eu me considero honesto, não mexo em nada que não é meu, mas também detesto fazer papel de otário.
  Se vejo todo mundo se dando bem sem nenhuma consequência começo a me questionar se não deveria fazer o mesmo.

  Foi o que aconteceu ao começar prestar concurso público.
  Não acho que deveria ter uma grande diferenciação entre funcionários do setor público e do privado, mas se funcionários públicos são injustamente privilegiados e a maioria da população apoia isso ... quis ser funcionário público também.

  No entanto sou uma pessoa com rígidos padrões éticos, não consigo me ver praticando grandes deslizes mesmo que a maioria a minha volta faça.
  Não me vejo roubando, assassinando, estuprando, participando de esquemas de corrupção...

  Chegamos à conclusão que para evitar que funcionários caiam em tentação é importante que as empresas façam uma boa seleção de pessoas e mantenha um ótimo esquema de segurança.

  Se uma empresa pesquisa seus antecedentes criminais é uma vigilância.
  Se ela mantem câmeras e seguranças é uma vigilância.

  Muitos grupos ideológicos pregam uma utópica liberdade plena.
  Em muitas de nossas universidades não são permitidas nem a polícia militar, segundo esses “pensadores”, um símbolo da opressão.
  Sei lá, para eu a presença da PM garante a liberdade das pessoas ir e vir sem serem assaltadas, estupradas, sequestradas...

  Ignorar a existência de humanos de péssima índole não irá fazer com que eles deixem de existir.

  Se acabamos com a polícia, damos “liberdade” ao assaltante de agir.
  Acontece que o assaltante acaba com nossa “liberdade” de ir e vir.

  Note que nós enquanto sociedade temos que fazer escolhas entre liberdades.

  O polícia ajuda na liberdade da maioria coibindo a liberdade de alguns.
  Fica a pergunta:

  Os professores e alunos universitários acreditam que pode existir liberdade plena para todos?

  Certa vez me deram uma resposta muito “bonita” para esse questionamento.

  “Eu acredito que pode ter educação plena para todos.”

  Tive que fazer outra pergunta.

  Se a educação é suficiente para evitar crimes então não deveria haver crimes cometidos por universitários, como consumo de drogas em lugares indevidos.
  Como você explica isso?

  Citei alguns crimes cometidos por gente “formada” que me vieram a memória, não lembro que casos apontei, mas eles estão por toda parte

Médico acusado de matar mulher a tiros é condenado a 16 anos de prisão.
 Crime foi em 2000, em Fernandópolis; processo é um dos mais longos do país.
 Apesar da sentença, Semeghini vai continuar em liberdade.”


  Médico é preso suspeito de estupro contra cinco pacientes em MG
Jovem o denunciou nesta semana; laudo do IML comprovou o crime.
  Ricardo Aranha já era suspeito desde 2014, quando mãe e filha o acusaram.”


  “Cinco servidores são afastados após fraude no ponto eletrônico em Ferraz de Vasconcelos
  Médica foi presa quando registrava o ponto de colegas com dedos de silicone.”

  Geralmente uma pessoa com boa formação tem salários maiores.
  Um cara com bom rendimento no final do mês não vai sair por aí assaltando a mão armada.
  Entretanto os crimes do “colarinho branco” são basicamente cometidos por gente com formação superior.
 
  Escolhi exemplos com médicos porque são faculdades bem concorridas, são pessoas que estudaram bastante.
  É uma profissão onde a formação ética faz parte do curso.
  Se não podemos deixar de vigiar nem médicos o que dirá de outros profissionais.
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  Não se esqueça que essa sequência é sobre anarquismo.

  Anarquistas defendem que não precisamos de Governo, mais uma vez fica demonstrado que precisamos.
  Alguém, alguma entidade tem que fazer valer a lei.
  Eu analiso situações “singelas” e espero que você amplie para as mais graves/complexas.

  Se é proibido estacionar em um local tem algum motivo.
  Mas boa parte da população só não para ali por receio da multa.
  Para manter a ordem você não pode estacionar em lugar proibido e mais que isso, não deve deixar que ninguém estacione.
  Todos sabemos da existência de pessoas muito “folgadas”, se ela saudável estacionar em uma vaga para deficientes e você for falar ainda pode ouvir desaforos.
  A melhor solução é denunciar o delito a polícia de trânsito (governo).

  Veja que em uma situação singela você tem que se vigiar, vigiar a outros e ter uma instancia superior que possa efetivamente obrigar alguém a fazer o que é certo ou acordado socialmente com todos.

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  O crime chocante que está nas manchetes no momento que público esse texto é:

  “POLÍCIA IDENTIFICA SUSPEITOS DE AGREDIREM AMBULANTE ATÉ A MORTE NO METRÔ DE SP.”

  Até agora o que foi apurado é que dois homens estavam urinando em local proibido.
  Um cidadão reclamou e foi perseguido por eles.

  Agora brotam absurdos...

a)  O cidadão é travesti então querem martelar na nossa cabeça que foi mais um caso de homofobia.
  Acontece que o camelô morto não era gay, foi um caso de camelôfobia!?

b)  Reclamaram da falta de segurança no metro, como se fosse fácil e barato colocar agentes a cada 100 metros.
  Advogados já querem processar o Estado e a população apoia, o dinheiro da indenização vai sair dos impostos, se a população se sente culpada pelo ato de dois imbecis porque não faz uma vaquinha para enricar a viúva do camelô!?
  Fora os custos judiciais se o Estado perder a causa TODOS pagaremos.
  Eu, um pacato morador da cidade de Campinas, tenho que através dos impostos pagar por um crime praticado no metrô de São Paulo Capital!!

c)  Qual foi o último ambulante espancado e morto no metro de SP?
  Quero dizer que foi um caso isolado.
  Ao invés de focarmos nos dois cidadãos imbecis, tranca-los na cadeia e jogar fora as chaves, ficamos culpando toda sociedade, exaltando gays, santificando vendedores informais (sonegadores de impostos).
  Só falta dizerem que os caras urinaram na rua porque não foram educados direito ... mais um processo contra o Estado que falhou na educação deles!?
  Mais uma culpa que eu enquanto sociedade tenho que assumir?

  Desculpem o desabafo, é tão difícil entender a falta de lógica/bom senso das pessoas 😩.

  Precisamos vigiar melhor o tamanho da nossa imbecilidade.


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  Anarquistas defendem que podemos viver em paz, em ordem, abrindo mão de qualquer governo, basta educação...

  “Educai as crianças e não será preciso punir os homens.”
[Pitágoras]

  Humm ... tem certeza disso?

  Para encerrar a sequência vou escrever sobre vereadores.
  To be continued...





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