sábado, 18 de abril de 2015

Reforma Ortográfica

 “Imagino o grito que deram os de uma ou duas gerações atrás quando na mente deles a palavra "PHARMACIA" foi substituída por "FARMÁCIA".
  A função da língua é transmitir pensamento, e quanto mais simples isso ocorrer, melhor.”  [Comentarista no Face]

   Nunca fui bom em português porque o idioma não me parece lógico.


  Porque escrevemos casa e não caza?
  Se temos o X em nosso alfabeto porque precisamos do ch?
  Se temos o S porque precisamos do Ç?
  Porque cebola e não sebola?
  Usar dois S para que?
  Soubesse não pode ser soubese porquê?

  Analises sintáticas são indecifráveis para mim.
  Não sei para que serve paroxítonas, proparoxítonas...

  Verbo intransitivo direto, que coisa é essa!?
  Sei, sei, agora não me lembro, mas se eu ler a definição consigo “decorar” por algum tempo.

   E a questão dos porquês?
   Por que tanta complicação, porque?

  [De certo nesse pequeno trecho do texto o uso dos “porquês” está errado]
 
  Não me subestime, eu sei que a grafia tem a ver com a origem da palavra, se ela é indígena, latim, adaptação de outra língua, derivada de um termo antigo...
  É uma curiosidade para os aficionados, mas não para a maioria que usa o idioma apenas para se comunicar.

  Antes de nos acharmos burros e complicados... eu não conheço outros idiomas, mas de certo eles também devem ter seu lado “ilógico” mantido apenas pela força da tradição.
  Como estamos no Brasil nossa prioridade é discutir o Português, não é nenhum “complexo de vira latas”.

  Por vezes a TRADIÇÃO se impõe e é custoso mudar.
  Quem não conhece o caso do teclado “qwerty”?


  De certo as letras poderiam ser dispostas de maneira mais eficiente, mas não sei se o custo da mudança da TRADIÇÃO compensa. [O que não quer dizer que em algum momento não possa ser feita]
  O problema é que o Mundo tem tantas questões mais urgentes que esse assunto do teclado dificilmente será prioridade nas próximas décadas.

  No caso do português escrito no Brasil é a mesma coisa.
  Temos tantas reformas políticas/econômicas para fazer que não compensa priorizar a reforma ortográfica nesse momento.

  Deveríamos escrever como falamos isso é o mais lógico.

  Nos meus textos eu não uso a palavra “impeachment”, prefiro “impedimento”, é mais prático/lógico/eficiente.
  Até pouco tempo atrás não havia em nosso idioma a palavra “deletar” alias ela não existe em nenhum idioma, em inglês ela é “delete”.
  Em uma tradução mais ao pé da letra delete é apagar.
  Como a língua é uma coisa viva/dinâmica, aportuguesamos o termo delete do inglês, ficou deletar, até conjugamos esse verbo.
  Eu deletei, você deletou, vamos deletar...
  Já pensou se para evidenciar que é uma palavra apropriada do inglês escrevêssemos com dois T ou dois L?
  Delettar, Delletar.

  Lembrei desses pais que colocam letras no nome dos filhos para ficar mais “chic”.
  Kelly, Dayenne, Wanderley... as pessoas gostam de K, Y, W e letras duplas.

  Minha esposa escolheu o nome da nossa segunda filha.
  Ellen Danielli... eu acho bonito, mas não sei porque tanto L.
  Como eu escolhi o nome da primeira e ela não deu pitaco também não dei pitaco no nome que ela escolheu.
  Sem contar que meu nome tem dois L, William.

  A primeira filha chama Aléxia que em uma escrita mais lógica seria Alékisia.
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  Não considero urgente a mudança ortográfica, mas considero urgentíssima a mudança do conteúdo das aulas de Português.

 Sobrecarregam a cabeça das crianças com tantas informações irrelevantes que acaba faltando tempo para o essencial em um ensino de português ou qualquer outro idioma:

  Ler, escrever e INTERPRETAR BEM O QUE ESTA ESCRITO.

  Isso é o básico para o cidadão adquirir todo tipo de conhecimento que lhe interesse.
  Eu não me interesso por botânica, mas como leio e interpreto bem caso quisesse conhecer muito sobre plantas tem muitos livros publicados e temas na Internet.
  Ler bem torna acessível qualquer conhecimento.

  Eu não exigiria das crianças tempos verbais complicados nem analises sintáticas, isso ficaria para pessoas que NECESSITASSEM DISSO PROFISSIONALMENTE, seria matéria de faculdade.

   Pense em um carro, eu preciso ser mecânico para poder dirigir!?
  A criança precisa aprender ler, escrever, INTERPRETAR O QUE ESTÁ ESCRITO.

  Detalhismos linguísticos...que fique com quem se interessa por isso.

  Cerca de 90% da aula deveria ser leitura, interpretação, redação.
  Hoje em dia enchemos a cabeça das criança com tantas regras gramaticais que tomam um tempo precioso que poderia ser gasto em leitura e interpretação.

  Se dependesse de mim as crianças na aula de português fariam muitas redações, comentários de livros e notícias.

  Já recebi muitas críticas sobre a qualidade da gramática nos meu blogs, para eu o importante é que entendo o que as pessoas me escrevem e apesar de debater temas complexos acredito que me faço entender.
  A pessoa não concorda comigo, mas entende o que eu escrevi... pelo menos a que tem boa capacidade de leitura.
  Se a pessoa não adquiriu razoável habilidade para interpretar o que lê o entendimento da Filosofia fica quase impossível.
  O caso não está perdido, ela pode ter acesso a Filosofia através de filmes, documentários, youtube...linguagem falada.

  Como o idioma é muita decoreba e minha memória não é muito boa, por mais que eu me esforce, minha gramatica sempre será sofrível.
  Palavras que eu uso pouco como “enxada” sempre fico em dúvida se não é com ch.
  Se fosse um blog profissional com grande aporte financeiro eu poderia contratar um especialista em gramática, claro que acho importante que pelo menos os meios de comunicação em massa primem pela ortografia correta.

  Se uma criança ou indivíduo adulto tem dom para escrever livros, desenvolver idéias, não deve deixar de desenvolver seu talento porque não é bom de gramática.
  Na outra ponta tem o cidadão que é muito bom no entendimento da língua, mas não tem criatividade para escrever, um talento completa o outro, vivemos em sociedade.

  Sou péssimo em desenho se eu tivesse que escrever um livro e quisesse ilustra-los de certo contrataria alguém com talento para desenhos.
  O cidadão pode ser péssimo em gramática e não ter nenhuma criatividade para escrever, mas domina a arte de desenhar.

  O que estou falando sobre a disciplina de português serve para todas as outras.
  A criança deveria receber no ensino fundamental noções básicas de química, física, matemática...e depois se aprofundar no que mais lhe interessasse.
  Não vejo necessidade da criança aprender fórmulas complexas na física, ligações de carbono na química ou números imaginários em matemática.
 
  É algo como andar de bicicleta, skate, moto, nadar.
  Você aprende o básico e o que virá depois fica de acordo com seu interesse.



[Adaptei essa matéria da revista Veja]

Novas disciplinas atrapalham o aprendizado.

  O currículo escolar deve se concentrar nas matérias essenciais.
  A nova pilha de livros dos alunos do ensino médio brasileiro não para de crescer.
  Entre as últimas aquisições, estão obras sobre cultura indígena, filosofia, direitos das crianças e dos idosos e até mesmo regras de trânsito.
  Esse amontoado de conhecimento está jogando para escanteio o mais importante: as disciplinas de base, como português e matemática.
  Os estudiosos que defendem a adoção das novas disciplinas nos currículos escolares argumentam que a prática dá aos estudantes mais condições de integrar mais áreas do saber para a compreensão do mundo que os cerca.
  Mas a superlotação de disciplinas na grade curricular pode, sim, prejudicar a qualidade do ensino, de acordo com Cláudio de Moura Castro, especialista em educação e colunista de Veja.
 "A regra básica da educação é ensinar menos para o aluno aprender mais".
  Para garantir lugar às novas matérias, por exemplo, é preciso suprimir o tempo destinado ao português e à matemática.
  "O currículo já é duas vezes maior do que deveria ser.
  Ninguém consegue aprender tudo o que é ensinado hoje em sala de aula".
   Para Castro, só há um caminho para a qualificação plena do ensino nacional.
  "O excesso do conteúdo tem de ser retirado das apostilas e o número de disciplinas lecionadas tem de diminuir".
  A regra, então, é simples e uma só: para cada disciplina que entra, uma sai.
  Não entram na lista de trocas, no entanto, português, matemática e ciências - consideradas essenciais.

  "É o conteúdo que o jovem vai usar de fato quando sair do colégio". [Veja]

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