quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Caminhada

  “A sabedoria não nos é dada.
   É preciso descobri-la por nós mesmos, depois de uma viagem que ninguém nos pode poupar ou fazer por nós.”
 [Marcel Proust]

  Gosto de me sentir um “super macho”, pena que não escolhemos o que sentir.
  Nas manhãs de Domingo enquanto milhões de pessoas vão a cultos e missas eu faço uma longa caminhada.
  Em média dura 2 horas, o tempo de um culto ou de uma missa.
  Mas uma caminhada comum qualquer macho faria então para me sentir um super macho coloco pesos de 1 kg em cada perna.
  Até chegar a isso houve várias etapas de adaptação, lembro que a primeira vez que decidi usar pesos comprei de meio quilo, depois de uns 3 km tive que tira-los das pernas e voltar para casa os carregando na mão, a dificuldade era tanta que quem me visse pensaria que estava com problemas intestinais. 😄
  Quando atingi o que queria atingir (caminhar por duas horas com peso de 1 quilo nas pernas) surgiu um grande problema o TÉDIO.
  O que fazer?
  Caminhar por 3 horas, aumentar o peso das pernas?
  Pesquisei e cheguei à conclusão que colocar mais de 1 quilo poderia prejudicar minhas articulações no futuro, evidente que não queria isso.
  Aumentar o tempo ... não queria passar mais de duas horas do meu dia andando.

  A solução foi ouvir música.
  A música é feita de poucas notas em diferentes tons que se repetem em combinações infinitas, um fascinante tipo de fractal.

  Já no começo senti bons resultados.

  Uma coisa interessante é como ouvir música mudou desde que comecei a fazer caminhadas na década de 90.

  O primeiro aparelho foi um mini radio, ia caminhando, mudando as estações, ouvindo o que tocasse.

  Depois comprei um walkman, tinha rádio e podia levar uma fita cassete com 1 hora de música.
 (Levar duas fitas considerava exagero e mais um item para carregar).

  Surgiram os Laser Disk portáteis, mas os que tinham radio eram caros para meu padrão de vida, nunca comprei.
  Na fita K7 podia gravar 1 hora de músicas que eu gostava, no Laser Disk ouvia o que tinha.
  É a mesma coisa do vinil, a gente pagava 12 músicas, mas só gostávamos de 2 ou 3.
  Eu teria que levar vários CDs e ficar trocando durante a caminhada, seria ineficiente e desagradável.
  Com o passar do tempo gravar CDs em casa começou a ficar fácil, mas também começou a surgir o MP3.
  Graças ao “capitalismo” que com sua necessidade de inovação nos trouxe o MP3, eu não preciso mais ouvir o que a radio quer tocar, tenho liberdade para ouvir só as músicas que me agradam e numa quantidade absurda, não fiz as contas, mas no pequeno MP3 deve ter umas 4 horas de música.

  Finalmente quando estou caminhando me sinto um super macho, acordo bem cedo antes do Sol surgir.
  Durante a caminhada embalado pela música surgem em minha mente textos maravilhosos, a beleza se faz presente em todas as coisas do caminho, não sinto frio, não sinto calor, o corpo parece indestrutível e a mente não sabe o que é o tédio ou o vazio.
  O Sol vai surgindo e com sua luz realçando os brilhos e as cores tudo a minha volta aparece como magníficos fractais, um momento sublime que talvez as pessoas sintam nos cultos e nas missas…

   Mas sabem como é não escolhemos o que sentimos, o cansaço vem, a caminhada acaba, tem que acabar, tenho os afazeres do dia a dia, na maior parte da semana tenho que trabalhar, o calor exauri minhas forças a falta de lógica das pessoas entedia minha mente e eu volto a ser William, um ser cansado e entediado.
  
  Não escolhemos o que sentir, mas se eu pudesse escolher, escolheria me sentir poderoso 16 horas por dia e as 8 horas restantes dormir e não pensar em mais nada, nem sonho queria ter.
  Para que eu usaria esse poder?
  As possibilidades são infinitas, já seria algo maravilhoso ser um cara menos chato.
  Ontem [21/04/2011] estive em uma bela festa de casamento do meu sobrinho Lendel com a adorável Natália desejo muitos momentos felizes ao casal, uma vida longa e próspera.

  Meus familiares como sempre reclamam da minha reclusão, se eles me conhecessem melhor iriam agradecer, eu gostaria de ser um super macho, mas o que sou mesmo é um super chato.
  Para minha mãe que me conhece bem eu não consigo disfarçar, ela vive falando “como esse Robson é chato”, quando minha mãe está certa…ela está certa.
  Minha esposa e filhas, acabaram se acostumando com meu jeito, já não cobram tanto que eu mude.

  E assim vou caminhando, pelas ruas, pela vida, “uma viagem que ninguém nos pode poupar ou fazer por nós.”



Atenção: Em 2016 começaram aparecer manchas escuras nas minhas pernas.
  A primeira suspeita foi de algum problema vascular, mas depois de vários exames nada foi constatado.
  Chegou-se à conclusão que o uso prolongado de pesos nos pés estava rompendo vasos sanguíneos.
  NÃO FAÇA O QUE EU FIZ!


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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Buscando a Beleza

  “Aquilo que de fato os homens querem não é o conhecimento, mas a certeza.”
[Bertrand Russel]

  Se eu perguntar para minha filha de 10 anos quanto é 2+2 ela dirá satisfeita que é 4.

  Se eu perguntar qual a raiz quadrada de 2 a resposta não virá tão fácil.
  Ela ainda não gravou esse número na memória.
  Quantas pessoas lembram de como conseguir a raiz de 2 sem usar a calculadora?

   



  Minha filha confia em mim, se eu disser que raiz de 2 não existe essa “verdade” a deixará satisfeita.

  Minha filha só conhece os números Naturais então no universo conhecido dela eu não estaria mentindo, assim construímos um bom SOFISMA.
  Se eu disser que é 1 ela também ficará satisfeita, também não estarei mentindo, no universo de números que ela conhece o 1 é o resultado mais próximo.

  Russel está nos dizendo que minha filha ficou SATISFEITA com a CERTEZA que eu dei a ela mesmo que na REALIDADE o resultado não seja “satisfatório”.

  Se eu ensinar minha filha como extrair a raiz quadrada ela provavelmente irá achar chato e trabalhoso, mas se eu mostrar como conseguir na calculadora ficará satisfeita.

  Percebem que eu posso deixar minha filha satisfeita de várias maneiras e transmitir um conhecimento seria a “menos legal” delas?
  Claro que muitas mentes já vibram na frequência de adquirir conhecimento, mas a maioria quer tudo mastigadinho, não querem o trabalho de pensar, entender o mecanismo.

  Por isso essa utopia de tantos “educadores” de transformar o aprendizado escolar sempre em prazer é desperdício de energia.

  Passo para minhas filhas que estudar é uma NECESSIDADE, não um passeio encantado pelo mundo do conhecimento.
  Alguns aprendizados irão gostar porque é do interesse delas, outros são necessários para exercitar seus cérebros, descobrir novas habilidades ou até descobrir o que não gostam.
  Isso torna menos complicado decidir que caminho profissional irão seguir na vida adulta.

  Escola não é diversão, professor não é animador de auditório, minhas filhas tem noção que tem hora para brincar, mas escola É COISA SÉRIA.

  Era cansativo, mas eu gostei de aprender a extrair raiz, aqueles cálculos apareciam em minha mente como um labirinto e o resultado era o portal de saída, o vencer o jogo.
  Não lembro mais como fazer, teria que localizar o método em algum livro de matemática, mas adquirir aquele conhecimento mudou alguma coisa em meu cérebro, não sei como explicar, vou tentar:

  Conheci o universo das raízes em suas entranhas, quando escuto as palavras raiz quadrada um portal se abre para um universo com infinitas possibilidades.
  Para minha filha que não adquiriu esse conhecimento a raiz é só um palavra que a faz pensar em arvore.
  Se eu disser que a raiz de 2 é 1,414, é apenas neste número que ela irá pensar, não surgem os portais.
  Ela está satisfeita com essa certeza que eu lhe dei.

  As pessoas querem a certeza, dispensam o conhecimento/duvida e com isto dispensam inúmeras POSSIBILIDADES.

  Posso dizer por exemplo que conheço religiões, várias correntes delas, então escrevo textos, monto e desmonto teorias das mais diversas maneiras.
  Uma pessoa que conhece apenas a religião que frequenta, herdada as vezes por TRADIÇÃO, tem uma certeza extremamente limitadora, mas sem dúvida nenhuma... bem mais confortável.

  A Fé lhe garante uma certeza que dispensa o conhecimento.

  “Se fizer isso será salvo, se fizer aquilo será punido.”

  Essa uma certeza que a faz sentir bem.
  Não precisa saber porque pode ou não pode fazer, é assim porque é assim.

  Logo, quando adquirimos conhecimento as palavras abrem portais para universos tanto paralelos quanto os que se interceptam, qual a vantagem disso? Qual a importância disto?
  NÃO SEI.
  Mas se ficássemos satisfeitos apenas em andar jamais desenvolveríamos a roda.
  Se não tivesse a roda deixaríamos de viver?
  Claro que não, mas acredito que a vida ficou melhor com o desenvolvimento da roda.

  Isso não serve só para ciência, mas também para artes.

  Michelangelo quando olhava uma pedra de mármore, tirava os “excessos” e nos revelava figuras, a pedra de mármore de certo era bonita, mas a figura revelada era magnifica.

  O conhecimento, o desenvolvimento de nossas habilidades nos revela maiores possibilidades ou simplesmente beleza.

  Tudo começa simples, tosco, mas buscar conhecimento ampliou muito meu entendimento das coisas e a percepção da beleza...

  



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sábado, 26 de outubro de 2013

Ódio Nosso de Cada Dia

  “Poucas pessoas conseguem ser felizes, a menos que odeiem alguém.”
[Bertrand Russel]

   Sempre me chama a atenção como tantas pessoas desenvolvem uma “raiva intensa” por certas coisas sem muita razão de ser.

  Tem funcionário que tem raiva do chefe, aparentemente só por ele ser chefe.
  Eu já tive atritos com as chefias, mas não lembro de ter raiva de ninguém.
  Sempre foi aquela coisa pontual por uma decisão tomada.

  Talvez por ter chefiado várias pessoas por muito tempo eu tenha uma compreensão melhor do cargo.
  O chefe é aquele funcionário que cobra desempenho, organização, cumprimento de metas.
  Pela frente raramente alguém fala alguma coisa, mas por trás é bastante xingamento.
  Como eu sei?
  Não estive sempre em posição de chefia, na maior parte da minha vida profissional estive na posição de subordinado.
  Além do mais o chefe em geral também é subordinado a alguém, a outro chefe ou ao dono da empresa.

  Um detalhe que muitos ignoram.

  Praticamente tudo que você diz acaba chegando ao conhecimento do seu chefe.

  Só não chega se você desabafar para um colega bem próximo e ele seja alguém bem reservado.
  Se o que você disse chegou ao ouvido de um terceiro, isso cai na “radio peão” e o chefe fatalmente irá saber.
  Tem os puxa saco, tem os fofoqueiros, tem os que não gostam de você, tem os que gostam de ver o circo pegar fogo...

  Já chefiei muitas pessoas, ouvi de tudo, nunca levei para o lado pessoal, é algo como xingar a mãe do juiz, o chefe que não está preparado para tal situação…não está preparado para ser chefe.

  Eu ouvia a reclamação do funcionário e ficava surdo para os adjetivos que ele me dava no comentário com os colegas, se a reclamação era procedente eu me corrigia senão lhe permitia ao menos o desabafo.

  Tem aquela coisa que o indivíduo fala apenas da boca pra fora, meio que por “tradição”, exemplo:
 
  Por vezes você vai passar um tempo ao lado de uma pessoa na fila de alguma coisa, ou no trabalho, ou uma visita que vem na sua casa.
  Falar mal de algo serve para “puxar assunto”.
  Política, economia, esporte...

  Falo mal das mulheres no volante, principalmente quando estou entre mulheres, gosto daquela guerrinha de sexos, mas vou contar um segredo, não gosto de dirigir.
  Sempre que minha mulher aceita passo essa função para ela, gosto de ir no banco do carona apreciando a paisagem, dirigir me dá uma léseira danada.
  Dirigir nem é o grande problema, fico maravilhado com a tecnologia que nos permite ter algo tão incrível como carro, o desagradável é o trânsito, quanto mais intenso, pior.





  Toda essa longa “introdução” é para tentar fazer você captar a profundidade do que Bertrand Russel está querendo nos dizer.

 “Poucas pessoas conseguem ser felizes, a menos que odeiem alguém.”

  Tem aquela crítica/reclamação/xingamento que é pontual ou da boca pra fora.
  Mas se você começar prestar atenção verá que há pessoas que desenvolvem facilmente ÓDIO por uma situação, ódio por outra pessoa.
  Se não demonizam algo ou alguém parece que não tem outro assunto, não tem razão para viver.

  Eu não tenho ódio do Comunismo, se cubanos e norte coreanos vivem bem assim, fico alegre por eles.
  Tem gente que odeia o Capitalismo o culpa por toda e qualquer desgraça na Terra.

  Tem gente que realmente odeia o chefe, a empresa, o vizinho, os EUA, a ex do marido, o ex da esposa, os ricos, os pobres, os crentes, os ateus…

  A lista não tem fim, a pessoa precisa colocar a culpa em algo, em alguém, encontrar algo que seja um EMPECILHO PARA SUA FELICIDADE.

   Felicidade não existe, mas a pessoa acredita que se aquele objeto do seu ódio desaparecer ela será feliz.
   Por vezes acontece, para continuar falando sobre chefes, o seu pode ser demitido, transferido, morrer ... e como a felicidade não acontece a pessoa arruma outra coisa para odiar, quem sabe o novo chefe. 😄

   Em resumo, felicidade não existe, essa é uma realidade
que muitos não querem aceitar, demonizam tudo que acreditam que os impedem de serem felizes.
  O coitado do chefe só está fazendo a obrigação dele, mas a pessoa acredita que se aquele chefe sumisse tudo ficaria bem!
  O “bom senso” nos diz que seria colocado outro chefe que teria que cumprir com sua obrigação ou seria demitido também.
  Se a pessoa reclamante assumir a chefia terá também que cumprir com sua obrigação de chefe ou não ficará muito tempo no posto.
   


  Mas esse tipo de pessoa não pensa muito, se pensasse teria que admitir que a felicidade não existe e preferem morrer ou matar que admitir tal possibilidade.

  Para essas pessoas felicidade existe e elas a alcançarão de qualquer jeito, é só os Estados Unidos, Israel, o Capitalismo, políticos, a sogra, a celulite…desaparecerem.
 😆


  “O ódio nosso de cada dia nos dai hoje; que ofendamos antes de sermos ofendidos, não nos deixei cair na tentação da compreensão”. 😈






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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Desencarnados

🙎Espíritos não existem, é tudo mistificação”.
  [Comentarista no Face]         

 
Mistificação Ação ou efeito de enganar (alguém); fazer com que uma pessoa acredite numa mentira; farsa.

Não confundir com ...

Misticismo Inclinação a acreditar em forças e entes sobrenaturais.
  Crença de que o ser humano pode comunicar-se com a divindade ou receber dela sinais ou mensagens.

  Já tive experiências suficientes para perceber que alguma coisa existe, não é ilusão do meu “subconsciente”.
  Evidente que não posso responder pelo subconsciente de outra pessoa.

  Mas esse debate foi sobre Espiritismo (Kardecismo) vou fazer algumas analises.
 
 “Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804 — 1869).
  Foi um influente educador francês.
  Sob o pseudônimo de Allan Kardec notabilizou-se como o codificador do Espiritismo também denominado de Doutrina Espírita.
  Foi discípulo do reformador educacional Johann Heinrich Pestalozzi e um dos pioneiros na pesquisa científica sobre fenômenos paranormais (mais notoriamente a mediunidade), assuntos que antes costumavam ser considerados inadequados para o meio acadêmico.
 Adotou o seu pseudônimo para uma diferenciação da Codificação Espírita em relação aos seus anteriores trabalhos pedagógicos.”

  Minha aposta é que Kardec teve contato com outras formas de vida.
  Uma pessoa com suas características acadêmicas, só entra mais fundo no misticismo se tiver alguma experiência muito tocante.
  Porém NÃO acredito que essas formas de vida eram tão “superiores” quanto Kardec acreditava que fossem. 

  Uma corrente dos Judeus séculos antes de Kardec desenvolveu contatos com essas entidades, mas chegaram à conclusão que eram pouco evoluídas, o contato com elas era mais prejudicial que proveitoso.
  Parte do judaísmo inclusive defendeu a reencarnação, mas não recomendava o contato com desencarnados.
  A reencarnação é mencionada em vários locais nos textos clássicos do misticismo judaico, começando com a importante fonte da Cabala, o Livro do Zohar.12

  “Se a pessoa é malsucedida em seu propósito neste mundo, o Eterno, Bendito seja, o desenraiza e o replanta muitas vezes mais.”
[Zohar I 186 b]

  “Todas as almas estão sujeitas à reencarnação; as pessoas não sabem os caminhos do Eterno.
   Elas não sabem que são levadas perante o tribunal tanto antes de entrarem neste mundo quanto depois que o deixam; são ignorantes das muitas reencarnações e obras secretas que têm de passar, e do número de almas nuas, e de quantos espíritos nus vagam no outro mundo sem poder entrar no véu do Palácio do Rei.
  Os homens não sabem como as almas se revolvem como uma pedra que é atirada de um estilingue.
  Porém chegará a hora em que estes mistérios serão revelados.”   
 (Zohar II 99 b)

 “A ressurreição é então um puro conceito escatológico.   
  Seu propósito é recompensar o corpo com a eternidade (e a alma com maior perfeição).
   O propósito da reencarnação geralmente é duplo: ou compensar uma falha numa vida anterior ou criar um estado novo, mais elevado, de perfeição pessoal ainda não atingido.
   A ressurreição é então um tempo de recompensa; a reencarnação um tempo de reparo.
  A ressurreição é a época da colheita; a reencarnação o tempo de semear.


  Nessa meditação “vamos aceitar a hipótese” de que todos os fenômenos ocorridos nos Centros Kardecistas sejam autênticos.

  Vou tentar explicar para vocês porque preferi o afastamento respeitoso dos desencarnados feito pelos judeus que o envolvimento intenso dos Kardecistas.

  Frequentei o Espiritismo por alguns anos, não consigo precisar quanto, mas foram pelo menos 7 anos.
  Li todo o Evangelho Segundo o Espiritismo, participei de inúmeras sessões espiritas.

  As entidades contatadas falam “mesmices”, sem contar que não é raro aparecer alguma entidade ainda mais medíocre dizendo até palavras chulas.

  Que tipo de mesmice?
  Aquelas que o Sai Baba ou o Divaldo Franco falam:
  
 💝 “Precisamos de mais amor, precisamos de mais união, devemos suportar tudo com temperança, ame seu próximo…”


  Coisas legais e fáceis de dizer, porém difícil de colocar em pratica.
  Coisas que já vem sendo faladas por muito homens há milênios, mas que Divaldo e Sai Baba dizem com ar de grande novidade...

 💖 “A mansidão faz-te compreender que necessitas de crescimento espiritual e, por enquanto, a dor ainda se torna instrumento educativo.”

  💗“A piedade evita que mágoas ou sequelas de aborrecimento tisnem os teus ideais de enobrecimento.”
 [Divaldo Franco/Joanna de Ângelis]

  Essas são palavras “psicografadas” de Joanna de Ângelis para Divaldo.

  Fala sério, um espirito vem lá do além para falar algo tão simplório, encontrável em qualquer literatura romantizada da vida.

  Resumindo:

  A calma (mansidão) me faz entender que eu preciso de crescimento espiritual, a dor ainda é uma boa professora, a compaixão evita magoas que me desviariam do meu objetivo de enobrecimento da alma.

Resumindo mais ainda:

  Tenha calma, suporte a dor, perdoe.

  NÃO, não acho um mau conselho, só não vejo nada especial que ela tenha falado que compensasse tanto trabalho e tantos textos.
  Joanna pode até estar desencarnada, mas continua limitada mentalmente, não me parece em um nível tão superior a nós encarnados.
  Duvido que ela tenha conhecimento de uma cura para o Parkinson por exemplo.

  Deixo claro que:

  NÃO CONCORDO com “Freud” (ateus em geral) que diz ser tudo “mistificação”, fruto da nossa imaginação ou de um indecifrável (subjetivo) “inconsciente coletivo”

  O que é EU NÃO SEI.

  Ainda me coloco ao lado do amigo Shakespeare, há mistérios e eu tento entender…

  "Há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar".
[William Shakespeare]

   




Me declaro um Livre Pensador   “espiritualista”.
(Não confundir com Espirita.)



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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Espirito Santo


  No texto sobre Onésimo vimos que os apóstolos aceitavam a escravidão como algo normal.
  Do que chegou até nós o próprio Jesus não condenou essa pratica.


  A provocação dessa meditação é:

  Quem ou o que é o Espirito Santo!?

  “Espírito Santo é a terceira “pessoa” da Trindade, ou seja,  
   Ele é Deus.
   O Espírito Santo é a parte de Deus que age diretamente no mundo e na vida do crente.
   É ele que permite o contato direto com Deus.”

  


  Paulo se dizia inspirado pelo ES - Espirito Santo.
  Jesus era “cheio do Espirito Santo”.

  Que Jesus “encarnado” e Paulo tivessem suas mentes nubladas/limitadas pela condição humana ... é plausível.
  Mas o que dizer do ES que os inspirava e preenchia?
  Porque não soprou que escravizar pessoas era errado?

  Tecnologicamente a contribuição do ES foi nenhuma.
  Algum composto que curasse a lepra seria muito útil naqueles tempos.

  Qual a contribuição moral do ES?
  Sobre a escravidão não disse nada, sobre a mulher ... pelos discursos de Paulo, nada muito diferente do que já havia, uma situação de submissão ao homem.

  Qual a contribuição econômica do ES?
  Roma cobrava impostos dos povos dominados e pela inspiração do ES deveria ser pago sem reclamar.
  “Dai a Cesar o que é de Cesar.”

  A grande contribuição do ES no episódio de pentecostes foram diversos milagres de cura.
  Mas de certo concordamos que se ele inspirasse a formulação de remédios eficientes seria de muito mais utilidade.
  Outra ocorrência muito comentada foi “pessoas falando línguas”.
  Já presenciei esse fenômeno, perguntei o que a pessoa disse, ela não se lembrava.
  O pastor e as pessoas em volta também não sabiam o que significava.
  Certa vez me disseram que é “aramaico antigo”, mas especialistas em línguas não reconhecem, só se for um dialeto a muito esquecido...

 “Em verdade vos digo:
  Que aos homens serão perdoados todos os pecados, e as blasfêmias que proferirem; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, pelo contrário é réu de um pecado eterno.”
 (Marcos 3:28-30)

  Jesus disse isso quando ao realizar milagres alguns fariseus diziam que aquele poder vinha de Belzebu.
  Atribuir ao “maligno” uma boa obra realizada pelo ES é blasfêmia.

  O problema é que a própria Bíblia nos alerta sobre falsos profetas e sobre o poder de enganar dos demônios.

  Poderia ser bem simples.
  Se aconteceu coisa boa, a cura de uma doença por exemplo, atribuímos ao ES.
  Se surgiu uma doença atribuímos a Belzebu.

  Mas quando Belzebu começa a curar para nos atrair para “falsas seitas” ... tudo fica muito complicado.

  Os milagres atribuídos a Maria (Igreja Católica) é obra do ES ou de Belzebu?

  O pedido de emprego atendido na Universal é obra do ES?
  O pedido de emprego atendido na Mundial é obra de Belzebu?
  Ou é o contrário?

  Esse texto é blasfêmia ou uma dúvida procedente?

  Decifra-me ou te devoro!





  Por força da história que nos chegou por tradição a primeira imagem que vem a nossa mente quando pensamos em Espirito Santo é a de um pombo.

  Lembrei agora que a empresa que trabalho é “cheia do Espírito Santo” ...
 😄 😄 😄
  (Espero que o ES seja bem humorado)
















Comigo ninguém tem paciência 😓

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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Especialistas

  “Mesmo quando todos os especialistas estão de acordo, podem estar enganados.”   
[Bertrand Russel]

  Recebo muitas críticas quando contesto algo que virou há muito tempo “senso comum”.

  

  Senso comum é o modo de pensar da maioria das pessoas, são noções comumente admitidas pelos indivíduos.
 [Significados]

  É como se já tivéssemos atingido o ápice do conhecimento em determinadas questões e não há mais nada a discutir.
  Quem ainda coloca em dúvida é porque não entendeu e precisa “estudar mais”.

  Separei algumas amostras, quem quiser maiores esclarecimentos é só clicar nos links.

Psicologia é um ápice do nosso conhecimento, se eu não a entendo, o problema está em mim nunca na Psicologia.
  “Freud explica.”

A Bíblia é um livro sagrado e perfeito, se eu não a entendo deveria orar mais para receber a iluminação do Espirito Santo.
  “Arrependei-vos enquanto é tempo!”

A humanidade caminha inexoravelmente para auto extinção.
  “O homem é lobo do homem.”

Já foi decidido que o melhor para humanidade é o Socialismo.
  “O Capitalismo é seu próprio coveiro”.


  Sei lá!
  Houve uma época que especialistas acreditavam que o átomo era indivisível e não é.
  Houve uma época que os especialistas achavam que a Terra era plana e não é.

  Poderia dar inúmeros exemplos em que os especialistas estavam enganados, mas de que adiantaria?
  Se os especialistas tem certezas eu tenho dúvidas.

  Quem tem certeza explica, quem tem dúvidas pergunta.

  Se eu pergunto e os especialistas não sabem explicar ... suponho que há mais fatores a serem analisados.
  Na maioria das vezes, os especialistas tem uma explicação, mas nem sempre ela me parece satisfatória.

  Claro que tem a possibilidade de eu ser idiota demais para entender qualquer coisa, mas um pensador que eu não me lembro agora disse algo muito interessante sobre a idiotice.

  “Idiotas não tem dúvidas porque não enxergam nem que existe um problema a ser resolvido.”

  Sabe quando o professor explica algo de física ou química e você não entende absolutamente nada do que ele disse?
  O professor pergunta se tem alguma dúvida e você não tem nada para dizer.
  Depois do “bom dia classe” tudo que ele disse foi ininteligível 😄, é como se falasse outro idioma.

  Podemos dizer que nesse dia você por N motivos esteve um completo idiota, foi incapaz de coordenar ideias.
  Eu coordeno bem minhas ideias, por isso tenho dúvidas.
  Logo, nunca descarto a possibilidade de que os especialistas estejam enganados sempre que entendo bem a proposição, e as explicações não são satisfatórias.

  Penso, logo tenho dúvidas.


 



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domingo, 20 de outubro de 2013

Onésimo

 👨 “Onde você viu escravidão no Cristianismo??”
[Comentarista no Face]

  Certa vez Paulo mandou que um escravo voltasse para seu dono.

  Onésimo, antes de se tornar cristão, foi escravo de Filemón, que era proprietário de escravos na cidade de Colossos.
   A tradição religiosa cristã conta que Onésimo roubou seu amo e fugiu para Roma.
   Ali, recorreu ao apóstolo Paulo, que o perdoou e o converteu.
   O apóstolo Paulo enviou-o de volta a Filemón com uma carta recomendando de volta o escravo fugitivo.
   Onésimo foi perdoado e passou a trabalhar corretamente.

  Filemón 1


   

   Entre os apóstolos não encontrei nenhum discurso abolicionista.
   Nos sermões que ouvi na Igreja Presbiteriana foram feitos elogios para o procedimento de Paulo, mas ... porque ele não pediu a liberdade de Onésimo a Filemón?

  Em um debate foi me dito que era preciso respeitar as leis romanas.

“A escravidão era uma realidade econômica e social aceita no mundo romano.
  Um escravo era propriedade de seu mestre, e não tinha direitos.
  De acordo com a lei romana, os escravos fugitivos poderiam ser severamente punidos e mesmo condenados à morte.
  Às revoltas dos escravos no séc. I resultaram em proprietários temerosos e suspeitos.
  Mesmo a igreja Primitiva não tendo atacado diretamente a instituição da escravidão, ela reorganizou o relacionamento entre o mestre e o escravo.
  Ambos eram iguais perante Deus (Gl 3.28), e ambos eram responsáveis por seu comportamento (Ef 6.5-9)”
[Leitura Bíblica]
 

  Jesus e os apóstolos visivelmente infringiram a lei Mosaica ao trabalhar no Sábado (só um dos inúmeros exemplos), porque tanto cuidado com as leis Romanas!?
  Ainda mais com respeito a algo tão “desconcertante” como a escravidão.

  E antes da vinda de Jesus?

  Segundo a Bíblia os Judeus ficaram escravos no Egito por 400 anos.
  Deduzimos que a escravidão não foi uma invenção do homem contra a vontade do Deus Bíblico.
  Abraão tinha escravos.
  O ponto é que o “cristianismo” que questionou tantas tradições, deixou de fora a tradição da escravidão.

  Tudo isso me induziu a seguinte meditação...

  Dos 12 aos 30 anos a Bíblia não fala absolutamente nada a respeito de Jesus.

  Tem uma lenda/teoria que o tempo que Jesus passou “sumido” estava viajando pela Índia e Tibete.
  É especulação?
   Sim, mas muita coisa na história antiga da humanidade é especulação/dedução, não há fatos bem registrados confirmando detalhes.
  


  Apenas vi coerência em fazer uma correlação da atitude de Paulo com o sistema de castas na Índia.

  A lenda indiana diz que os Párias vieram da poeira do pé de Brahma, nasceram para serem servos?

  Para os Indianos se um Dalit aceitar todas as suas provações sem reclamar poderá reencarnar em uma situação melhor.

  Para Paulo se o escravo aceitar todas as suas provações sem reclamar terá um lugar no céu, mesmo tendo nascido para ser servo, esse é o caso de Onésimo?

  Para os Hinduístas se uma pessoa nasceu Dalit fez por merecer esse castigo em existência passada.
  Como fica o Cristianismo que prega uma única existência, porque Onésimo mereceu nascer escravo e Filemón senhor?

  Vou ficando por aqui, lembrei de uma frase que solta não faz sentido, mas se encaixa como uma luva nesse texto.

  “A maior parte das pessoas prefere morrer a pensar; na verdade, é isso que fazem.”
 [Bertrand Russel]


  A maior parte das pessoas preferem morrer que pensar e é o que fazem, caminham para a morte sem nem ao menos tentar entender o que é a vida, não questionam suas crenças.
  É assim porque é assim...

  






 “A sociedade moderna se mantém hoje como se manteve no passado graças a escravidão.”



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