William: Com os avanços tecnológicos a sociedade muda.
Por vezes fico meditando sobre a relevância de certos temas.
Vejam o caso do aborto.
Acontecem debates apaixonados os quais pela lógica já não tem razão de ser.
É mais um daqueles assuntos em que as mentalidades parecem ter parado lá na década de 1950.
Renata: Como você mesmo disse (no texto do link), existem inúmeras maneiras de se evitar uma gravidez.
E como comentei, ver como um aborto funciona nos tira completamente dessa coisa de “ah, o casal foi irresponsável, coitados”.
Não. Uma vida não pode ser paga com a irresponsabilidade de alguém.
Existe a história dessa enfermeira que participava de uma clínica abortista até ver um aborto, e então passou a se posicionar contra.
Fizeram um filme sobre ela que se chama 40 dias: o milagre da vida.
Pela lógica, o homicídio também é ilegal, mas as pessoas praticam, certo?
Só por isso devemos legalizá-lo?
O roubo também é ilegal, mas as pessoas praticam.
Então vamos legalizá-lo também?
Não. Eu já caí nessa armadilha. Hoje não mais.
William: "Eu" não classifiquei nenhum casal de "coitados".
Respondo pelo que "eu" escrevo.
Entendo a comoção das pessoas ao ver um embrião de menos de 40 dias reagindo a estímulos, mas biologicamente é exatamente isso que se espera.
O embrião humano (cerca de 6 semanas) já tem sistema nervoso rudimentar e pode apresentar reflexos motores simples a estímulos é esperado no desenvolvimento normal, como batimentos cardíacos precoces ou contrações.
Não prova “consciência” ou “personalidade”, que surgem bem depois lá pelo quinto mês da gestação.
A comoção vem da projeção emocional (“bebezinho reagindo”), não da biologia pura.
Vai parecer frio da minha parte, mas ... quem já viu uma lagartixa perder o rabo sabe que ele continua com reflexos, não tem "vida" ali..
Um cadáver pode se mexer com estímulos elétricos. Após a morte, os músculos ainda respondem a correntes elétricas por horas ou dias (rigor mortis não impede totalmente).
Experimentos clássicos (como os de Galvani no século XVIII com pernas de rã) e casos reais mostram contrações, flexões ou até “levantar” membros com choques fortes.
É pura resposta fisiológica de fibras musculares excitáveis, sem vida, consciência ou alma.
Exatamente como o reflexo do embrião precoce.
Já tive "romantismo" com relação a vida, tipo: "Viver sempre vale a pena".
Sou mais da corrente de outros filósofos:
"A vida que não precisa ser vivida".
Se uma criança vai nascer com graves sequelas como microcefalia (só um exemplo) é uma vida de sofrimento que não precisa ser vivida.
Nascer em uma situação que nem sua mãe te quer ... é uma vida que não precisa ser vivida "pra mim".
Em situações normais a vida já é complicada.
O individuo nascer em grande desvantagem apostando tudo na sorte, será que é preciso mesmo?
Renata: "Pela lógica, o homicídio também é ilegal, mas as pessoas praticam, certo?
Só por isso devemos legalizá-lo?
O roubo também é ilegal, mas as pessoas praticam.
Então vamos legalizá-lo também?"
William: Prefiro ficar por aqui, estamos falando do aborto de um ser em formação e você quer falar sobre ocorrências com seres já formados!? Por seu ponto de vista então até usar qualquer anticoncepcional deveria ser criminalizado!?
Nota: Eu sei que minha ultima pergunta é "infantil", "sem noção".
O mesmo que comparar assaltar ou matar uma pessoa com abortar um embrião...
✧✧✧
Resumo:
1. Descompasso
Temporal do Debate: Você argumenta que o debate sobre o aborto está estagnado
em mentalidades da década de 1950, ignorando que os avanços tecnológicos e as
mudanças sociais alteraram a relevância e a lógica do tema na atualidade.
2. Diferenciação
entre Reação Biológica e Consciência: Você defende que movimentos ou reflexos
de um embrião (de cerca de 6 semanas) são apenas respostas fisiológicas do
sistema nervoso rudimentar. Para você, isso não prova a existência de
"personalidade" ou "consciência", que só surgiriam por
volta do quinto mês.
3. Crítica à Projeção
Emocional: Você sustenta que a comoção social diante de imagens de embriões
reagindo a estímulos é fruto de uma "projeção emocional"
("romantização") e não de uma análise científica ou biológica pura.
4. Analogia da
Resposta Muscular: Para ilustrar que movimento não é sinônimo de vida
consciente, você utiliza os exemplos do rabo da lagartixa e de cadáveres que
reagem a estímulos elétricos (experimentos de Galvani), reforçando que fibras
excitáveis respondem mecanicamente mesmo sem "alma" ou consciência.
5. A Filosofia da
"Vida que não precisa ser vivida": Você contrapõe o idealismo de que
"viver sempre vale a pena" com uma visão mais pragmática: se o
nascimento implica em sofrimento extremo (como sequelas graves) ou em total
desamparo (rejeição materna), essa existência seria uma "desvantagem"
desnecessária.
6. Questionamento do
Destino pela Sorte: Você argumenta que permitir o nascimento em situações de
extrema vulnerabilidade ou grave comprometimento de saúde é submeter o
indivíduo a uma aposta cruel na sorte, defendendo que, em certos casos, a não
existência é preferível ao sofrimento inevitável.
7. Rejeição da Equivalência
entre Aborto e Crime: Você refuta a comparação entre o aborto de um embrião em
formação e crimes como homicídio ou roubo (cometidos contra seres já formados),
sugerindo que tal lógica é tão desproporcional quanto criminalizar métodos
contraceptivos.
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