Afonso >> Bolsonaro acabou com o estoque regulador.
William >> Cada caso é um caso, mas no geral sou contra o estoque regulador de comida.
Comida tem prazo de validade.
Manter grãos como arroz em silos tem alto custo.
Em média, o período seguro varia de 8 a 12 meses para o arroz em casca e até 6 meses para o arroz beneficiado (branco), desde que os parâmetros técnicos sejam rigorosamente mantidos.
O grande produtor já tem um estoque, o Governo não tem que se meter nisso.
É a lei da oferta e demanda, se houver quebra na safra o preço sobe.
Já passou da hora do consumidor brasileiro entender esse tipo de coisa.
Em caso de necessidade o Governo facilita a importação.
O Lula queria importar arroz de qualquer jeito (mais um esquema descoberto).
A importação não aconteceu, o preço ficou muito alto por um tempo e voltou naturalmente para o “aceitável” diante do quadro geral de inflação.
Não sou radicalmente contra ter algum estoque, mas meditem comigo.
Vamos pensar só em arroz para facilitar a visualização mental, mas ainda teria milho, feijão, trigo, soja ...
O Governo tem que comprar esses produtos do agricultor, qual preço seria pago?
O certo seria pela cotação do dia da compra, mas é comum fazerem a politica do preço mínimo a ser pago para o agricultor.
Que é tudo que o agricultor gastou para produzir mais algum lucro.
Acontece que o custo de produção de uma região ou um agricultor não é o mesmo de outro.
Percebem o potencial de "propina" nisso?
O agricultor pode superfaturar sua planilha de custo, o fiscal fazer vista grossa e nós enquanto sociedade pagar mais pelo produto do que ele vale de fato.
Se quando por escassez do produto ou por necessidade de coloca-lo no mercado (lembram, comida tem prazo de validade) o Governo colocar um preço alto ... de que valeu a estocagem!?
Sim, o Governo pode segurar o preço e revender com prejuízo ... porem, lembre-se que o dinheiro do Governo é o dinheiro dos impostos.
Não é o Presidente, Ministros, Senadores, Deputados que irão pagar a conta com seus salários, o prejuízo é de todos que pagam impostos.
E nunca pense só no preço que o Governo pagou pelo produto.
São operações gigantescas, precisa de um órgão dedicado cheio de funcionários públicos.
A Conab tem cerca de 3.800 funcionários públicos e comissionados.
Seu orçamento anual varia de R$ 1,8 bilhão a R$ 2,8 bilhões, dependendo dos investimentos em políticas agrícolas, como a formação de estoques e o apoio ao produtor.
Deste total, entre R$ 700 milhões e R$ 1,2 bilhão destinam-se exclusivamente ao custeio administrativo e à folha de pagamento para a manutenção das operações do órgão em todo o país.
Percebem?
Ter estoque regulador fica tão caro que compensa mais deixar reservas cambiais para emergências.
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Resumo:
1. **Narrativa de combate à corrupção vs. esquema real:** Casos como o leilão do arroz evidenciam que irregularidades operadas pelo governo só passam a ser tratadas como "combatidas" publicamente após virem à tona por denúncias, sugerindo que muitas outras falcatruas permanecem ocultas.
2. **Inviabilidade técnica e financeira de estocar alimentos:** Comida é um bem perecível de curto prazo de validade (o arroz dura no máximo de 6 a 12 meses sob condições rigorosas). Manter grãos estocados em silos gera um custo elevado e desnecessário ao Estado.
3. **Eficácia do livre mercado e da importação:** O mercado se autorregula pela lei da oferta e da demanda; caso ocorra quebra de safra, a flutuação temporária de preços e a facilitação pontual de importações resolvem o abastecimento sem a necessidade de intervenção governamental.
4. **Vulnerabilidade ao superfaturamento na política de preços:** A definição de preços mínimos de compra pelo governo gera brechas para corrupção e propinas, permitindo que produtores superfaturem planilhas de custos com a conivência de fiscais, onerando a sociedade.
5. **Ilusão do subsídio público:** Se o governo revender o estoque com prejuízo para segurar os preços ao consumidor, o déficit gerado será inevitavelmente pago pela própria população por meio de impostos, e não pelos governantes.
6. **Alto custo estrutural da máquina pública:** Manter órgãos dedicados à gestão de estoques, como a Conab — que demanda bilhões em orçamento e consome de R$ 700 milhões a R$ 1,2 bilhão apenas com custeio administrativo e pessoal —, encarece desproporcionalmente toda a operação.
7. **Superioridade das reservas cambiais:** Diante de tantos custos, riscos de deterioração e margem para corrupção, é mais eficiente financeiramente manter reservas cambiais para emergências do que bancar estoques reguladores físicos.
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