terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Além do Bem e do Mal



Adriano: Eu não entendi nada de Nietzsche.
  Comecei a ler sobre filosofia agora, eu já estudei bastante com vídeos e estudos de livros, porém nunca li um livro mesmo.
  Agora vamos lá, eu sei que ter começado por Nietzsche foi pura burrice, porém eu estava andando pelo shopping e achei como se fosse uma biblioteca no meio do shopping com alguns livros em promoção. 
  E vi além do bem e do mal por 15 reais, eu comprei pois já queria começar a ler. 
  Porém eu não entendi absolutamente nada, e eu realmente gostaria de ler ele, eu deveria procurar por outros livros primeiro? 
  Não tem outra escapatória mesmo?

William: Antes da Internet eu até te aconselharia a começar com pensadores mais “digeríveis”.
   Mas nos tempos atuais acho que você está fazendo “drama”.

  Por exemplo, ao invés desse comentário que você postou, poderia pegar um trecho do livro que você não entendeu e pedir ajuda para pensadores mais experientes.
  Eu conheço muito da obra de Nietzsche e nunca me incomodo em explicar “meu ponto de vista”.
  Outros podem interpretar diferente de mim.
  De qualquer forma, você teria base para entender melhor e chegar as suas próprias opiniões mais concretas evitando o "subjetivismo".


  Nesse livro "Além do Bem e do Mal", Nietsche discorre de maneira "dramática"😉 sobre o "auto condicionamento" das pessoas a certos valores. 
  Indivíduos definindo (aceitando) o que  é certo ou errado  (bem ou mal) sem pensar, apenas seguindo alguma doutrina.

  O alvo principal de Nietzsche é o Cristianismo ... no "meu" ponto de vista.
  Ler sua obra é como você entrar nesses grupos de ateus com seus questionamentos recorrentes.
  Evidente que o filósofo faz isso de maneira muito mais "sofisticada", provocativa.

  Não lembro bem desse livro especifico em detalhes, nem estou a fim de reler, vou dar um exemplo lembrando da obra de Nietzsche como um todo.

  O cristianismo exalta a humildade de uma tal maneira que o individuo se sente meio que obrigado a isso.

  Se "autocondiciona".
  De repente eu William Robson acho que escrevo muito bem, mas de jeito nenhum posso dizer isso, seria uma desprezível falta de humildade.
  Indo além, uma estranha inversão de valores, onde o forte deve ter vergonha de ser forte.
  Coincidentemente falei sobre isso no texto anterior...
  Mas convenhamos, não é só o Cristianismo que exalta a humildade, eu não lembro de outra doutrina religiosa que não exalte a humildade.
  Nietsche tinha um certo ranço da sociedade judaica cristã.
  Mal sabia ele que seria a que traria melhores resultados ... talvez por ser uma das mais tolerantes a criticas...



✧✧✧

 

Resumo:

 

1. O auto-condicionamento moral é o cerne da crítica nietzschiana— Você enfatiza que Nietzsche descreve dramaticamente como as pessoas se autocondicionam a aceitar valores de "bem" e "mal" sem reflexão crítica, apenas seguindo doutrinas, o que impede o pensamento independente.

 

2. O cristianismo é o alvo principal — No seu ponto de vista, o principal foco de Nietzsche em "Além do Bem e do Mal" é o cristianismo, que opera essa inversão e condicionamento de forma especialmente intensa.

 

3. Comparação provocativa com grupos de ateus modernos — Você argumenta que ler Nietzsche (especialmente esse livro) é semelhante a entrar em grupos de ateus contemporâneos com questionamentos recorrentes sobre religião — só que feito de modo muito mais sofisticado e provocativo pelo filósofo.

 

4. A exaltação da humildade como mecanismo de autocondicionamento — Um dos seus exemplos mais fortes: o cristianismo eleva a humildade a tal ponto que o indivíduo se sente obrigado a se calar sobre suas qualidades (ex.: "eu escrevo muito bem, mas não posso dizer isso senão falta humildade"). Isso cria uma pressão interna que inibe a autoafirmação.

 

5. Inversão de valores onde o forte deve ter vergonha de ser forte — Você destaca essa estranha inversão como consequência direta: o que é forte, orgulhoso ou afirmativo da vida passa a ser visto como algo de que se deve ter vergonha. E você menciona explicitamente que já tratou desse mesmo tema no texto anterior, reforçando sua linha de argumentação contínua.

 

6. Não só o cristianismo, mas outras doutrinas religiosas também — Você estende o argumento: a exaltação da humildade e o condicionamento não são exclusivos do cristianismo; outras religiões fazem o mesmo, mostrando que o problema é mais amplo, mas o cristianismo é o caso mais emblemático na crítica de Nietzsche (e na sua leitura).

 

7. Contra o subjetivismo na interpretação de Nietzsche — Você aconselha fortemente evitar o "subjetivismo" vazio ao ler obras difíceis como essa: em vez de drama ou desistência, a pessoa deve pegar trechos específicos que não entendeu e pedir explicação a leitores mais experientes (como você se oferece), para formar opiniões mais concretas e fundamentadas.

 

   Esses pontos capturam bem o seu tom pessoal, combativo e prático: você não só resume Nietzsche, mas usa a obra para criticar mecanismos psicológicos e culturais ainda vigentes, com exemplos cotidianos (como a proibição de se autoelogiar) e uma defesa aberta de discutir e explicar interpretações sem medo. 


  

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