segunda-feira, 13 de julho de 2026

Ser Doutrinado

 




Uriel: Se me falassem de professores doutrinando 20 anos atrás, eu acreditaria. 
  Mas hoje em dia?
  Professor que consegue ter um controle mínimo sobre a turma já está acima da média, imagina então ser capaz de doutrinar.
  Quem doutrina as crianças e adolescentes são os influencers, os bandidos do bairro, os charlatões da fé, entre outros. 
  Professores atuais não tem capacidade pra isso.
  Os tempos mudaram, mas poucas pessoas se atualizaram.

William: Acreditar que a cultura de um povo muda do dia para noite ou em no máximo 1 ano ... nem sei o que dizer!
  A doutrinação começou na década de 1960 quando ideias como a “Pedagogia do Oprimido” conquistou corações e mentes dos nossos professores.

  A indisciplina atual (que se intensificou por volta de 1990) é fruto da dita “Educação Libertadora” onde o professor, para não ser opressor, foi abrindo mão da autoridade na sala de aula.
  As crianças educadas em 1960, 70, 80 entraram nessa mesma vibe “gramsciana”
  Viraram o povo (pais, políticos, professores, jornalistas...) de hoje.

  Os smartphones chegaram por volta de 2008, eram caros, crianças e adolescentes não tinham.
  Em 2014 com a chegada do 4G já estavam bem acessíveis, qualquer adolescente tinha.
  A doutrinação na sala de aula está quase impossível.
  Tanto que a nova geração está indo para direita.




Uriel: Em 1 ano? Onde disse algo assim?
  E concordo que houve doutrinação por parte dos professores, mas o caso que tu citou é apenas a mudança por parte deles. 
  Outros doutrinavam de outras maneiras, e assim é a vida.
  O problema de muitos não é que estão doutrinando, e sim o tipo de doutrinação.

William: Tenho ciência que isenção de 100% é utopia.
  Mas professores deveriam focar na ESCOLARIZAÇÃO.
  Deixar “Formar Cidadãos” com a família.

   Na minha fase escolar não tinha noção de nada, tudo era novidade.
   Mas olhando para trás com o conhecimento que adquiri depois frequentando bibliotecas e levando livros para casa...poderia citar inúmeros ensinamentos equivocados ou pelo menos muito parciais.
  Vou citar os primeiros que vierem a minha mente.

Equivoco 1- Tratar a colonização portuguesa como sendo uma "tragédia" para esse território que passamos a chamar de Brasil.
    Na biblioteca aprendi que Espanha era a maior potência da época.
    Se os portugueses não tivessem ocupado e expandido nosso território, o mais provável é que fossemos vários países tal qual é o restante da América Latina.
   Isso seria bom ou mau?
   Não dá para saber, apenas entendi que ver Portugal como uma algoz do Brasil deixa de fazer sentido.
   O Brasil como conhecemos não existia, foi construído pelos portugueses.
   Quando Isabel deixou o trono só não tínhamos ainda o Acre, adquirido oficialmente em 1903.

Equivoco 2- Sobre escravidão, não sei hoje, mas a história que aprendi na escola não lembro de nenhum momento ser citado que africanos colaboravam com o sistema escravagista e muitos povos ficaram muito ricos com o tráfico.
   Era passado para classe que os portugueses invadiam o território africano, caçavam os locais como se fossem animais.
  Jogavam no navio negreiro e vendiam aqui no Brasil.
  Lendo livros fora do currículo escolar fiquei chocado ao saber que no geralzão os "europeus" atracavam os navios e compravam os escravos nas proximidades dos portos.
   No continente Africano (e nos outros) havia conflitos constantes entre os diversos povos.
   Muitos povos se especializavam em saquear outros e escraviza-los no próprio continente.
   Antes era preferível matar os homens que poderiam no futuro tentar alguma revanche, poupava mulheres e crianças para serem servos.
   Mas obviamente vender esse homem como escravo passou a ser mais lucrativo e ao manda-lo para terras distantes onde nem sobreviver a viagem era garantido ... o eliminava como ameaça futura de qualquer jeito.

Equivoco 3- O capitalismo é tudo de ruim, nosso objetivo tem que ser o Socialismo.
   Nos meus anos de escola nunca ouvi nenhuma critica a URSS que ainda existia, muito pelo contrário.
   Eram tecnologicamente muito avançados, não faltava comida, emprego ou moradia.
   Professores de história realçavam demais a crise de 1929 nos Estados Unidos, sobre a Rússia Lenin e Stalin ... foram grandes lideres.
   Cuba era o paraíso da América Latina, Che Guevara quase um santo.

Equivoco 4- Na escola "aprendi" que a Revolução Francesa foi tudo de bom.
     Textos longos, varias páginas.
     Enquanto isso a Revolução Gloriosa (Inglaterra) citação de passagem, no máximo uma página.


   Por favor, estou relatando o que aconteceu com minha turma na escola fundamental (ginasial) Geny Rodrigues e depois no ensino básico (colegial) Vitor Meirelles. 

  Cada leitor que puxe a própria memória sobre esses temas e o que aprendeu na escola pública.

  As crianças e adolescente de hoje podem até ter o mesmo tipo de currículo escolar.
  Mas navegando pelas diversas redes sociais irão encontrar comentários divergentes ou que "contextualizam" melhor as situações.
  Os próprios professores são meio que forçados a saírem da sua bolha pedagógica, repensar o que leem nos livros didáticos recomendados.

  Evidente que se o individuo quiser se fechar no seu mundinho (seja ele qual for) religioso, ateu, partidário, profissional ... vai "se deixar" ser doutrinado.

  Mas dai é melhor sair da Internet ou bloquear qualquer um que fala diferente do que o cidadão "quer acreditar".

  Convenhamos que até pela "curiosidade" inata no ser humano, prender alguém em uma bolha contra a vontade dela esta cada dia mais difícil.

  As informações estão acessíveis a maioria, como nunca antes na história da humanidade.
  Além das informações os mais variados pontos de vista, debatidos em tempo real.
  Só permanece "ignorante" sobre algum assunto quem se decide por isso.
  No mais...

 

   Opinião todo mundo tem 
o que falta é argumentação.

 

   Se você tem uma opinião e não consegue defende-la com bons argumentos ... que tal mudar de opinião?

  Se não muda, provavelmente "se permitiu" ser doutrinado.

  Essa lógica entra em sua mente?
  
✧✧✧

 

 Resumo: 

1. A origem histórica da perda de autoridade e da indisciplina
Você argumenta que o cenário atual de indisciplina nas salas de aula não surgiu do nada, mas é fruto da introdução de ideias como a "Pedagogia do Oprimido" e a "Educação Libertadora" a partir da década de 1960. Ao tentar não ser "opressor", o corpo docente abriu mão da autoridade, gerando um efeito cascata que moldou as gerações seguintes de pais, professores e jornalistas.

2. O papel do professor: Escolarização vs. Formação de Cidadãos
Para você, a neutralidade absoluta é uma utopia, mas a função da escola deveria ser estritamente a escolarização (o ensino formal dos conteúdos). Você defende que a tarefa de "formar cidadãos" e transmitir valores morais ou políticos deve pertencer preferencialmente à família.

3. A revisão da narrativa sobre a colonização portuguesa
Com base nos seus estudos posteriores em bibliotecas, você contesta a visão escolar de que a colonização de Portugal foi puramente uma "tragédia". Seu argumento é que a ocupação e expansão territorial portuguesa foram responsáveis por construir a unidade geográfica do Brasil, evitando que o território se fragmentasse em vários países menores, como ocorreu na América Latina espanhola.

4. A complexidade oculta do sistema escravagista
Você aponta que a escola costuma simplificar a escravidão ao retratar os europeus apenas caçando os nativos. Seu contra-argumento é que o tráfico era um sistema complexo e lucrativo que contava com a colaboração ativa de diversos povos africanos, os quais já guerreavam entre si, escravizavam seus derrotados e viam no comércio com os europeus nos portos uma vantagem econômica e estratégica.

5. A romantização escolar de regimes e figuras de esquerda
Você critica a forte parcialidade ideológica que vivenciou na escola, onde crises do capitalismo (como a de 1929) eram enfatizadas, enquanto a União Soviética, Cuba, Lênin, Stalin e Che Guevara eram retratados de forma benevolente, omitindo-se as críticas, a falta de liberdades ou os problemas estruturais desses regimes socialistas.

6. O desequilíbrio no peso dado a diferentes revoluções históricas
Seu argumento sobre o currículo escolar envolve a desproporção na abordagem de marcos históricos: enquanto a Revolução Francesa (e seus ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade) recebia longos textos e exaltação, a Revolução Gloriosa na Inglaterra — de matriz liberal e de extrema importância para a limitação do poder real — era reduzida a uma menção passageira.

7. O impacto da internet e a "doutrinação consentida"
Você defende que a facilidade de acesso à internet, aos smartphones e ao 4G quebrou o monopólio da narrativa dos professores em sala de aula, permitindo que os jovens encontrem visões divergentes e migrem politicamente (como o movimento em direção à direita). Assim, na era da informação, a doutrinação só ocorre se o indivíduo ativamente escolher se fechar em uma bolha intelectual.

  


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