Epicuro: O prazer não é um mal em si; mas certos prazeres trazem mais dor do que felicidade.
William: Esse pensamento é bastante óbvio.
Vejam o caso do sexo.
Evidente que não é um mal em si, inclusive é uma necessidade biológica para perpetuação da espécie.
Porem uma gravidez indesejada pode trazer muita "dor"; tem doenças venéreas, estupro, pedofilia...
Boa parte do sentido da vida é esse.
Buscar o que nos dá prazer e evitarmos sermos consumidos por ele a ponto de nos prejudicar ou prejudicar outras pessoas.
Um grande prazer meu é ouvir musica.
Na fase de alienação (Novembro de 2022, Lula voltou a poder) em que me encontro ela é ainda mais importante. Parte do meu tempo "ocioso" utilizo caçando músicas.
Assino dois serviços, um da Amazon outro do YouTube.
É exagero?
Acho que sim, estou testando para ver qual me satisfaz mais e me desfazer de um.
Por enquanto o YouTube parece melhor.
Nota: Meu celular tem mais de quatro anos.
Possivelmente a Prime Music precise de um sistema mais atualizado.
Já estou pesquisando um modelo mais recente com boa relação custo benefício e algum luxo.
O que me levou a assinar serviços de música?
Nunca gostei da pirataria.
Se o artista faz uma música que me agrada me sinto na obrigação de pagar pelo "bem que me fez".
O problema é que era muito caro.
Lá na década de 1980 e 1990, para adquirir uma canção tínhamos que comprar um "LP" com em média 12 músicas.
(Por um tempo teve os "Compactos" com 2.)
Era tipo:
Pague por 12 e leve 1😏
Com as fitas cassetes, eu na minha infinita pobreza "pirateava" para manter o vicio.
Com muito sacrifício comprei um gravador Aiko.
(Ou Panasonic, nem lembro mais.)
Colocava na frente do radio e gravava as músicas que me interessavam.
É, qualidade ruim, voz do locutor, sons ambientes como algum dos meus irmãos falando...
Era um trabalhão danado, para resultado final ... sofrível.
Agora não.
O "algoritmo" já sabe o estilo que gosto, vai tocando as músicas, se me interesso por alguma, com dois cliques adiciono no meu celular.
Os fones de ouvido atuais tem qualidade de som inacreditável se comparados com os do passado.
E aqui entra a parte mais filosófica dessa meditação.
Os prazeres seguem sempre o mesmo padrão de "insaciedade" ... tornando a "felicidade" impossível.
Ter consciência disso é extremamente importante para uma "vida serena".
Bem antes dos serviços "legalizados" de música tinha o MP3 e CDs piratas.
Baixei praticamente todas as músicas que gostava da minha infância, adolescência e parte da vida adulta.
As ouvia quando quisesse, eram milhares.
Em termos de música o esperado era eu encontrar a tal felicidade ... só que não.
Enjoei de todas as músicas.
Senti meu prazer musical desaparecendo.
Nem Michael Jackson ou Earth, Wind & Fire me animavam...
A solução foi voltar a caçar canções e o meio mais eficiente foi assinar serviços de música, dessa vez sem dor na consciência, de maneira legalizada.
Nelson Rodrigues: "Há sujeitos que nascem, envelhecem e morrem sem ter jamais ousado um raciocínio próprio."
William: Isso não e necessariamente mal.
Desde que o sujeito escolha bons raciocínios alheios.
Tanta coisa já foi pensada, eu nunca tive a
preocupação de pensar algo inédito, nunca antes
pensado.
Cada um tem um dom, nem tudo da para ser
desenvolvido na "forca de vontade"
Nunca compus uma melodia, mas escolhi ótimas
para ouvir.
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Resumo: ________________________________________
1. A insaciedade como obstáculo estrutural ao prazer Seu argumento central e mais filosófico: os prazeres seguem um padrão inevitável de insaciedade que torna a felicidade plena impossível. Você ilustra isso com sua própria experiência — mesmo tendo acesso a milhares de músicas favoritas, enjoou de todas. Nem Michael Jackson nem Earth, Wind & Fire o animavam mais.
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2. O equilíbrio entre prazer e autocontrole como sentido da vida Você defende que grande parte do sentido da vida está em buscar o que nos dá prazer sem sermos consumidos por ele a ponto de nos prejudicar ou prejudicar outros — retomando Epicuro, mas com uma aplicação prática e pessoal.
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3. A consciência da insaciedade como caminho para a serenidade Ter ciência do padrão insaciável dos prazeres não é motivo de desânimo, mas de lucidez. Para você, essa consciência é o que permite uma "vida serena" — quem não a tem fica preso em uma busca cega por satisfação.
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4. A ética pessoal como motivação para consumir música de forma legalizada Você nunca gostou de pirataria por uma questão moral clara: se um artista faz algo que te agrada, você sente obrigação de remunerá-lo pelo bem que te fez. O alto custo histórico da música é o que forçou a pirataria eventual, não a falta de princípio.
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5. A tecnologia atual como solução genuína para um problema antigo O contraste que você traça é contundente: do gravador Aiko na frente do rádio — com voz de locutor, ruído ambiente e qualidade sofrível — aos algoritmos que aprendem seu gosto e fones de ouvido com qualidade inacreditável. A tecnologia resolveu o problema do acesso sem comprometer a ética.
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6. "Caçar" músicas como estratégia contra o enjoo e a estagnação A solução que você encontrou para o esgotamento musical não foi desistir, mas voltar à caça — ao processo ativo de descoberta. Assinar serviços legalizados recolocou o prazer na busca, não apenas no acervo acumulado.
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7. Originalidade não é virtude universal — saber escolher também é um dom Em resposta a Nelson Rodrigues, você argumenta que pensar algo inédito não é uma obrigação nem um mérito automático. Cada um tem seu dom: você nunca compôs uma melodia, mas escolheu ótimas para ouvir — e isso, para você, tem valor próprio.
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