sábado, 13 de agosto de 2016

Mulher do Lar

  “O passado não volta. Importantes são as continuidades e o perfeito conhecimento da história.”
  [Lina Bo Bardi]
  

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  “Algumas mulheres lutaram muito para trabalhar fora, para terem o seu próprio dinheiro e com isso mais autonomia.
 [Comentarista no G+]
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 Todos nós lutamos por alguma coisa, individualmente ou em favor de algum grupo o qual pertencemos.

  Mulheres lutaram para trabalhar fora de casa?

  Antes entenda que esse texto não é para desvalorizar a luta de ninguém vou apenas lhes passar um contexto histórico.

   Com a revolução industrial o trabalho ficou menos pesado, mais mental e menos físico, claro que o “Capitalismo” estimulou o trabalho de mulheres e crianças.
   Não que isso não ocorresse antes, mas agora apertando botões e alavancas elas poderiam igualar a produtividade dos homens e até passar caso fossem talentosas.
  Se coloque no lugar de um empreendedor.
  Antes das máquinas o trabalho era muito pesado a preferência por homens era algo natural.
  A medida que a força física foi ficando menos exigida porque não contratar mulheres?

  A luta de algumas mulheres foi mais contra o protetoríssimo familiar.
  Pai, mãe, esposo que preferiam a mulher cuidando dos afazeres domésticos.
  Entretanto pobreza é algo que nunca faltou no mundo.
  Diante da possibilidade de mais um renda entrando na família a maioria capitula.
  Fica fácil deduzir que no geral as mulheres foram praticamente empurradas para o trabalho fora.
  A grande luta foi contra algum marido ciumento.

  Desde que me conheço por gente minha mãe trabalhou fora por necessidade mesmo.
  Minha irmã Jane com apenas 12 anos era a mulher da casa tomando conta de 4 menores.
  Quando olho para minha filha de 12 anos e lembro toda responsabilidade que minha irmã teve que assumir desde cedo ... lamentável.

  Quando eu tinha 10 anos meu pai já não morava mais conosco.
  Com 11 anos eu trabalhava na feira livre, era o homem da casa.

  Você acredita que eu e minha irmã “lutamos” para assumir responsabilidades?
  As responsabilidades nos foram impostas pela vida.
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  O avança das mulheres no campo das profissões foram necessidades impostas pela vida.

  Não entendo porque tantos ignoram a História e transformam isso em uma grande luta das mulheres contra uma “sociedade opressora.” [Da qual elas raramente são menos de 50%]

  De certo muitas mulheres não queriam sair do papel de “dona de casa” para operaria, mas foram empurradas para essa situação.

  Até hoje vemos mulheres dando preferência para homens com posses.
  A responsabilidade de ser a principal provedora da casa ... pouquíssimas mulheres querem.
  As feministas transformaram o termo “mulher do lar” em um terrível palavrão.
  Muitas mulheres tem vergonha de dizer que não trabalham fora.
  Se sentem inferiores as mulheres que trabalham.
  Entretanto o que eu já encontrei de mulher satisfeita em cuidar dos filhos e da casa sem a pressão do mercado de trabalho, não é pouca gente não.
  Se o marido tem renda suficiente para manter a família na classe média é o que basta a mulher.

  Lembrei daquele seriado em que a protagonista não se sujeita a pressão no trabalho porque o marido tem dois empregos.

  Sem dúvida a mulher trabalhar para complementar a renda familiar é uma situação mais tranquila que ter a obrigação de ser a principal provedora.
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  As guerras “libertaram” as mulheres.

  Assim como muito homens foram obrigados a guerra, muitas mulheres foram obrigadas ao trabalho fora.

  Explico.
  Uma nação declarava guerra a outra e você acredita que todo homem se alistava para guerra feliz da vida em servir seu país!?
  Você é convocado e jogado no campo de batalha.
  A recusa o transforma em desertor e a pena pode ser a morte.
  Mesmo que você consiga não ir para o campo de batalha ... o campo de batalha vem até você.
  O que o pacato cidadão polonês poderia fazer diante do invasor soldado alemão?
  Lutar até morrer ou aceitar ser subjugado.

  Vejam números da Primeira Guerra:

  “A Primeira Guerra Mundial foi uma das guerras mais destrutivas da história moderna.
   Morreram quase dez milhões de soldados, um número que excedia, em muito, todas as perdas militares das guerras dos cem anos anteriores.
  Calcula-se que 21 milhões de homens foram feridos em combate.
  O grande número de perdas foi o resultado, em parte, da introdução de novos tipos de armas, tais como a metralhadora e o uso de gases letais em combate.
  Em 1º de julho de 1916, a data em que houve o maior número de baixas em um único dia, o exército britânico, apenas na area do rio Somme, perdeu cerca de 57.000 soldados.
  A Alemanha e a Rússia tiveram o maior número de baixas militares: cerca de 1.773.700 e 1.700.000, respectivamente.
  A França perdeu 16% de suas forças mobilizadas.
  Estudiosos estimam que cerca de 13.000.000 de não combatentes morreram como resultado direto ou indireto das hostilidades.
  A taxa de mortalidade no fim da Guerra aumentou ainda mais quando eclodiu a "Gripe Espanhola", a epidemia mais letal daquela moléstia em toda a história.” [Ushmm]

  Homens morrem feito moscas em todas as guerras, mas na primeira e na segunda grande guerra a mortandade masculina atingiu seu ápice.
  Sem homens para trabalhar a mão de obra disponível para fabricas eram as mulheres.

  Se homem não trabalha é chamado de vagabundo, se mulher não trabalha é do lar.

  Se homem não luta na guerra é covarde, desertor.
  Se a mulher não luta na guerra ... normal, é o sexo frágil.

  Quando estudamos Historia vemos que a vida tem um roteiro muito complexo o qual não permite definirmos com certeza o que é bom ou mau, amigo ou inimigo.
  As guerras eram desnecessárias?
  Como você convenceria Gengis Khan a não invadir e dominar seu povo?
  Hitler desistiria pelo dialogo de difundir a superioridade da raça ariana?

  “Em tempo de paz convém ao homem serenidade e humildade; mas quando estoura a guerra deve agir como um tigre!”
[William Shakespeare]


  E estar consciente que agir como tigre dificulta, mas não impede que morra como mosca.