segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Reserva de Mercado


 😟 "Como explicar o estrondoso financiamento de campanha feito por parte da iniciativa privada para a eleição de candidatos de esquerda como Lula e Fernando Henrique?”
[Comentarista no Face]    

 

  A maioria das pessoas veem empresários como sinônimo de “capitalistas”
(No sentido de defender o Liberalismo Econômico), mas não é bem assim.
  Empresários em geral (no mundo todo) gostam mesmo de uma boa RESERVA DE MERCADO.

  Vamos pensar pequeno.

  Você faz trufas na sua casa, trabalha em uma empresa com 500 funcionários, aproveita para ganhar algum dinheiro comercializando o produto.
  Não conheço nenhuma empresa que em seu estatuto permita esse tipo de ocorrência, mas sabemos que acontece.
  Você produz trufas e comercializa no local de trabalho.
  Isso é uma atividade "empresarial", totalmente as margens da lei, mas é.
  É uma situação "privilegiada".
  Você não da satisfação a ninguém, faz as trufas onde quiser sem nenhum órgão fiscalizando condições sanitárias. 
  Só você vende trufa na empresa, quem quiser tem que comprar de você.
  Não precisa ser um gênio para perceber que é uma situação muito favorável.




  Você quer um concorrente, outra pessoa vendendo trufas na empresa?

  NÃO.

 

  Você quer alguma fiscalização sobre como produz o alimento?

  NÃO.

 

  Quer pagar impostos sobre o lucro obtido?

  NÃO.

 

  Gostaria que no estatuto da empresa tivesse alguma clausula garantindo que só você pudesse comercializar trufas no local?

  SIM.

 

  Se para conseguir a tal clausula você precisasse dar algumas trufas de "brinde" para membros importantes do conselho faria isso?

  SIM.

 

  Se outro funcionário tentasse vender trufa desrespeitando a nova clausula você o denunciaria e exigiria punição?

  SIM.

 

   Esse é um exemplo tosco, mas observável de como a maioria de nós "funcionamos".


  
  Vamos pensar grande.

  Se você tivesse uma padaria em seu bairro e uma lei municipal proibisse mais que uma padaria por bairro ... ajudaria seu negócio.
  E uma lei que proibisse supermercados e mercadinhos de vender pão?
  Sem dúvida o movimento nas padarias aumentaria bastante.

  Acontece que os empresários do ramo de mercados não se importariam com a lei de uma padaria por bairro, mas seriam terminantemente contra serem proibidos de vender pão.

  Percebam que sempre há conflito de interesses nos mais diversos ramos de atividade e cada um quer “puxar a sardinha para seu lado”.

    Financiar o vereador ou prefeito que o favoreça.
  
  Para qualquer empresa é interessante a reserva de mercado, ter leis que a proteja da concorrência.
  Imagine que por algum artificio nosso mercado de automóveis fosse aberto apenas para as montadoras GM e Ford.
  Para os brasileiros em geral seria uma grande limitação de escolha, mas para essas empresas seria ótimo.

   Um bom jeito de conseguir leis que favoreçam seu negócio é cooptando pessoas no governo.
 (Municipal, Estadual ou Federal)

  Outra linha de ação que não exclui a primeira é exaltar o nacionalismo.
  Tipo "O petróleo é nosso" ou criar inúmeros "setores estratégicos".

   Não é interessante para nenhuma empresa o aumento da concorrência.

  Você acha que Itaú e Bradesco ficaram felizes da vida com a entrada do Santander em nosso mercado?
 Agora que o Santander está bem instalado no Brasil você acha que vai apoiar a chegada do exterior de qualquer outro Banco internacional com grande poder de expansão?

  Por isso sou favorável a proibição do financiamento de campanhas políticas por empresas.
  O empresário do ramo da construção pode fazer doações para quem quiser com seu CPF devidamente registrado.
  Sabemos exatamente quem está doando e que tipo de interesse defende.
  Quando se trata de uma Empresa tudo fica muito subjetivo.

  A Votorantim financia algum candidato. (só um exemplo)
  Essa decisão é tomada em Conselho e todos concordam?
  E os acionistas que não participam do Conselho?
  Vão ter que engolir a seco recursos do caixa da empresa sendo usados para eleger um candidato que nem é o que eles preferem?
  Sem contar que em geral os recursos financeiros da empresa são bem maiores que o da pessoa física.
  O Presidente da Votorantim usar 5 milhões da empresa em campanhas politicas é uma coisa, ele tirar da própria conta corrente é outra.


 
  Quando entendermos essa natureza humana de instintivamente o individuo querer ter uma vantagem sobre os outros, conseguiremos construir uma sociedade mais eficiente.

  É importante que um povo desenvolva a CULTURA do "liberalismo econômico" para que não sejam consentidas vantagens indevidas a algum grupo, uma vez que todos tentam vantagens indevidas.

  Isso é complicado explicar.
   Vamos brincar com um paralelo.

  O cidadão é convidado para uma festa “suruba”.
  Ele é a favor da liberdade sexual, defende que as pessoas devem exercer sua sexualidade.
  Vai na festa e quer se esbaldar ... desde que lá só tenha a namorada dos outros não a dele.
  Se o cidadão for pai e souber que a filha está numa festa suruba é o fim do mundo.
  Tem homens bem liberais que não se importam nem em compartilhar esposa e filhas?
  De certo tem, mas não é o que predomina na natureza humana.

  O empreendedor quer liberdade para entrar no Mercado, depois que entrou e se estabeleceu quer ser protegido.
  Uma vantagem indevida raramente é recusada.

  Esse querer levar vantagem não tem a mesma medida para todos.
  Vamos a uma situação bem fácil da maioria visualizar.

  O fim do expediente da empresa que você trabalha é às 17 horas.
  Se tem controle eletrônico com digitais o pessoal respeita porque é difícil burlar.
  Se é um livro ou cartão que fica próximo a chefia também é difícil burlar.
  Mas experimente um controle fácil de burlar e sem vigilância, encontraremos basicamente 4 tipos de pessoas.


 a) Ética baixa:

     Alguns costumeiramente sairão 5 ou 10 minutos mais cedo.

     Mais que isso acham "sacanagem".

 

 b) Ética muito baixa:

   Outros sabemos que não tem limite.

    Marcam no livro 17 horas, mas frequentemente saem 1 hora mais cedo.

 

 c) Éticas:

  Independente de qualquer controle ou vigilância saem as 17 horas.

  Porém, como tantos não respeitam o horário e não da nada, de vez em quando, em caso que ela sente necessidade, sai mais cedo.

 

d) Muito éticas:

 Independente de qualquer controle, vigilância ou outras pessoas fazendo o errado, ela faz o certo.

  Se precisa sair mais cedo pede autorização a chefia e marca o horário correto da saída no livro.

 

  O número de pessoas que "se dizem" muito éticas é imensamente maior do que as que “são de fato”.

  Basta olhar nas redes sociais onde todos se dizem super éticos.
  Os egoístas, corruptos, insensíveis são sempre os outros, principalmente políticos e governantes.
  
  Quando entendermos essa natureza humana de instintivamente querer ter uma vantagem sobre os outros conseguiremos construir uma sociedade mais eficiente.

  Onde cada um "vigia" o outro e a "si mesmo".

   Quando um povo evolui culturalmente o número de pessoas éticas vai aumentando.
  A vigilância fica automaticamente mais intensa mesmo sem grande tecnologia.
  Explico.
  Utilizando nosso exemplo de cartão de ponto...

  O horário de saída é as 17 horas.
  Em culturas "mais civilizadas" poucos tentarão burlar o horário, quem fizer isso será repreendido pelos  companheiros de trabalho que não acham justo cumprirem o horário enquanto o folgado não cumpre.
  Caso persista no erro será denunciado a chefia que tomara as devidas providências inclusive a demissão.

  Em "culturas selvagens" a ocorrência é diferente.

  A pessoa ética vê alguém fazer o errado mas prefere ficar quieta basta ela fazer o correto, não quer ser acusada de "puxa saco ou dedo duro" e ser hostilizada pelo grupo.

  A pessoa pouco ética aceita o errado porque ... vai que ela precise fazer o errado de vez em quando...

  Como CULTURA é algo que muda muito lentamente podemos acelerar o processo desenvolvendo sistemas de controle e vigilância cada vez mais eficientes.

  Para uma cultura pouco desenvolvida como a nossa eu recomendo controles rígidos.
  Nosso povo tem que ser obrigado a fazer o que é certo.

  Uma simples câmara com marcação de hora apontada para o livro ponto inibe a ação dos "não éticos" que deixam de servir de mal exemplo para os "poucos éticos."

  Outros exemplos:

  Catracas altas que impeçam passar por baixo ou por cima.
  Catracas de saída que liberem só saída é de entrada que liberem só entrada.
  Quem trabalha com público sabe o que estou dizendo.
  No Brasil pelo menos 50% das pessoas não dão a mínima para sinalização se não tiver alguma punição ou impedimento.
  Semáforos que multam são muito mais respeitados do que os que não tem essa tecnologia.

  No Brasil temos sistemas de controles e vigilância como se tivéssemos uma cultura de suíços!



  Vamos encerrar essa longa meditação.


😠 “A guerra pelo poder não conhece fronteiras.”

          [Comentarista no Face]         

 

  Conhece sim, a fronteira é o poder do outro individuo ou grupo.

  Por que ninguém consegue dominar o mundo?
  Porque todos querem dominar o mundo.

  Podemos administrar nossos conflitos de interesses com diplomacia, bom senso, civilidade ou ... permanecer nos mais diversos níveis de "selvageria cultural".😞

  Empresários, empreendedores são humanos, óbvio.
  Fazem parte do povo, óbvio.
  Compartilham a mesma cultura, óbvio.

  Sem controles rígidos (ainda mais em uma cultura pouco eficiente como a nossa) podendo o cara vai tentar alguma ou muita vantagem.
  Se não conseguimos dominar nosso instinto de conseguir alguma vantagem pessoal podemos ao menos NÃO permitir que outros concretizem essa vantagem.
  Não é um pensamento bonito mas é eficiente:

            Devemos vigiar uns aos outros.

  Que bom que meu vizinho não jogue lixo no terreno baldio.
  Mas se ele jogar eu denuncio porque ele também me denunciaria.
  De qualquer forma o terreno fica limpo como deve ficar.

  Que bom que meu concorrente não tente corromper alguém do governo.
  Se ele tentar eu denuncio pois sei que ele também me denunciaria
  De qualquer forma o relacionamento entre Governo e empresários fica ético, transparente.

  Essa lógica entra em sua mente?



 

    Porque empresários “capitalistas” financiam movimentos “socialistas”?

 

  Doações de empresas para os movimentos de esquerda nos EUA somam três bilhões de dólares; para a direita, 32 milhões.



  Repense


 

 




  
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