segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Primeiro Milagre

 


 
  Para São Marcos e São Lucas o primeiro milagre foi um exorcismo.
  Para São Mateus foi a cura de um leproso.
  Para João foi a transformação da água em vinho.

  Lembremos que Marcos e Lucas NÃO conviveram com Jesus.

  Sabemos que João foi um dos primeiros apóstolos a seguir Jesus, quero dizer que é possível que Mateus não estivesse presente no milagre do vinho ou achou melhor não registra-lo ... vamos tentar entender porque?

  “A Religião é o ópio do povo.”
   (Hegel)
  



“O uso do ópio mascado ou fumado, que se espalhou no Oriente, provoca euforia, seguida de um sono onírico; o uso repetido conduz ao hábito, à dependência química, e a seguir a uma decadência física e intelectual, uma vez que é efetivamente um veneno estupefaciente.

  A medicina o utiliza, assim como os alcalóides que ele contém (morfina e papaverina), como sonífero analgésico.”

  Wikipédia  


 

 

  Notem que o ópio não é algo necessariamente ruim, depende do uso que fazemos dele.
  A morfina é um potente analgésico muito utilizado até hoje.

  Viver não é fácil, o ópio pode ser um balsamo para os momentos de dor e sofrimento físico ou mental, e até fonte de grande prazer...não lhe parece a descrição de alguma religião?

  Mas vamos analisar o primeiro milagre "aceitando" que foi o relatado por João.

  Meu objetivo nesse texto  não é ofender nenhuma crença, mas fazer um estudo bíblico que torne o crente mais crítico e menos alienado, isso é bom para nossa Sociedade, o fanatismo é algo que devemos evitar.

  Dito isso ...



 João 2

 

1- No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galileia. 

  A mãe de Jesus estava ali;

 

2- Jesus e seus discípulos também haviam sido convidados para o casamento.

 

10- E disse: "Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora".

 

 

 

  Vamos analisar essa passagem, você pode abrir sua Bíblia e lê-la na integra para verificar que não estou tirando do contexto.

  Jesus era apenas mais um convidado, nada consta que ele fosse o anfitrião da festa, quero dizer que ele não tinha nenhuma obrigação em fornecer vinho.
  Sua mãe estava ali portanto deduzimos que os noivos eram conhecidos da família.

  Era tradição iniciar com o melhor vinho e depois que as pessoas já estivessem com o paladar menos apurado o vinho de mais baixa qualidade era servido.
  Deduzimos então que a festa foi preparada de acordo com a tradição e houve muito vinho a disposição.
  Concluímos que foi servido o vinho de boa qualidade, o de baixa qualidade e só então Jesus fez mais vinho.

  Sei lá, se fosse eu, diria para o pessoal ir para casa, pois já haviam bebido demais.

  “Vão para casa sobre as bênçãos de meu Pai e não bebam mais.”

  Eu entenderia se Jesus falasse isso.

   NÃO TEM COMO VOCÊ DEFENDER ESSA PASSAGEM IGNORANDO QUE HOUVE EXCESSO.

  Jesus inclusive foi um tanto mal educado com sua mãe:

   “Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? 
    Ainda não é chegada a minha hora.”
    (João 2:4)

  Será que Jesus também estava um pouco “alto”?
  Ou era seu costume ser grosseiro com sua mãe?

  Até os 30 anos praticamente nada é dito sobre a vida de Jesus.
  Tem narrativas sobre seu nascimento, mas claro que ele não fez nada, era só um bebê toda ação ficou por conta de Maria e José.
  Lá pelos 12 anos ele conversa com alguns sábios na sinagoga, mas nem o teor da conversa foi registrado.

  Fica claro que a Bíblia é bem seletiva quanto a história de Jesus...deve ter destacado seus momentos mais significativos.
  Por isso o primeiro milagre me chamou tanto a atenção.
   De certo não faltava problemas relevantes naquela comunidade e o primeiro milagre que mereceu destaque em sua biografia foi promover a bebedeira!?

   Sei que seu padre ou pastor falou desse feito como algo maravilhoso mas não, não é.
   Transformar água em vinho claro que é algo sensacional, mas porque não água em leite para crianças carentes?
   Ou areia em água numa região desértica?

  Sei lá, para alguém que é apresentado a nós como a encarnação do amor e justiça, a narrativa do primeiro milagre é uma passagem para lá de controversa.
  Até para padrões humanos é estranho, mas canso de ver esse tipo de coisa.
  Recentemente optamos por construir estádios de futebol ao invés de investirmos em saúde, educação ou segurança.
  Demonizamos políticos, mas dividimos municípios formando mais cidades, é, criamos cargos para mais prefeitos e vereadores, mais políticos.

   Se o Deus apresentado na Bíblia é melhor que nós... sinceramente NÃO PARECE!
   Mais poderoso sim, menos complicado "moralmente" não.

Nota: Estou falando de como Deus/Jesus é apresentado na Bíblia (interpretação de texto), NÃO estou afirmando que Deus é necessariamente assim.



✧✧✧


 

  Resumo

 

1. Os evangelhos discordam sobre qual foi o primeiro milagre de Jesus. 

   Marcos e Lucas apontam um exorcismo, Mateus a cura de um leproso, enquanto João relata a transformação da água em vinho. 

  Isso levanta sérias dúvidas sobre a confiabilidade histórica e a presença real de testemunhas oculares.

 

2.  Jesus era apenas um convidado no casamento de Caná, sem nenhuma obrigação de fornecer vinho. 

   Ele não era o anfitrião; a festa já seguia a tradição judaica de servir primeiro o melhor vinho e, depois de os convidados beberem bastante, o vinho inferior — o que indica que o consumo já era elevado.

 

3. A passagem não pode ser defendida sem reconhecer o excesso de bebida que já havia ocorrido. 

   Após o vinho bom e o inferior terem sido servidos, ainda era necessário mais vinho. 

   Você argumenta que seria mais coerente Jesus mandar as pessoas para casa ("não bebam mais") do que continuar fornecendo bebida.

 

4. Jesus respondeu de forma grosseira/rude à sua própria mãe.

   A frase «Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora» (Jo 2:4) soa desrespeitosa, o que contrasta com a imagem tradicional de Jesus e levanta a questão se ele estava sendo intencionalmente rude ou talvez influenciado pelo ambiente da festa.

 

5. A Bíblia é extremamente seletiva sobre a vida de Jesus até os 30 anos.

   Quase nada é registrado além do nascimento e do episódio aos 12 anos no templo — o que torna muito significativo (e problemático) o fato de o primeiro milagre destacado ser justamente este, em vez de algum ato de maior relevância social ou moral.

 

6. O milagre promoveu a bebedeira em vez de resolver problemas reais e urgentes. 

   Transformar água em vinho é impressionante tecnicamente, mas questionável moralmente: por que não água em leite para crianças carentes, ou água potável (areia em água) em região desértica?   

  Para alguém apresentado como encarnação do amor e da justiça, a escolha é controversa e incoerente.

 

7.  O Deus/Jesus apresentado na Bíblia não parece moralmente superior aos humanos. 

   Assim como as sociedades modernas priorizam estádios de futebol em vez de saúde/educação e criam mais cargos políticos apesar de criticar a política, a narrativa bíblica mostra um Deus muito poderoso, mas igualmente (ou mais) complicado moralmente — não um modelo claramente superior de ética.

 

   Esses pontos capturam bem o tom crítico, questionador e provocativo do seu texto, que busca justamente estimular uma leitura menos ingênua e mais reflexiva da narrativa bíblica.


  


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