domingo, 1 de fevereiro de 2026

Vergonha do Sucesso




Cristina: Vi um outdoor celebrando uma aluna em 1º lugar em Medicina.
  E pensei nos que passaram em outros cursos, nos que ficaram em 2º, nos últimos, nos que não passaram ou nem quiseram faculdade, mas lutaram muito para tentar.
  Criamos uma cultura que só aplaude quem se encaixa no padrão do sistema.
  O restante é invisível.
  O pior é que muitos sacrificam a própria identidade para serem aceitos.


William: Observo algo diferente na nossa cultura brasileira.
  Grupos que passam para nós que temos que ter meio que vergonha do sucesso.
  O “fundão” da classe é que tem os melhores humanos os mais “autênticos”. (Dizem)
  Pais que cuidam bem dos filhos são “pequenos burgueses” algo a ser combatido.
  Pais considerados bons são os que contam com o      
  Governo para tudo, esses são os heróis, os guerreiros.
  Depois estranhamos porque nosso país deu tão errado ...

Cristina: Eu vejo uma conexão forte entre o que você falou e o meu post.
  No meu texto, eu mostro alguns exemplos de como uma sociedade cria uma “estrutura” que nos pressiona a seguir caminhos pré-definidos de sucesso, e muita gente se submete a isso (mesmo infeliz) pra não ficar de fora.
  No que você descreveu, parece que acontece o inverso: grupos que não alcançam esse “sucesso” (ou independência) acabam criticando e tentando envergonhar quem consegue - dizendo que é privilégio, trapaça etc.
   Na minha opinião, acho que isso também vem do medo de exclusão: como não conseguir entrar no jogo (por educação precária, falta de estrutura, barreiras econômicas), aceitam a narrativa de que o sucesso alheio é ilegítimo.
   É uma forma de se proteger da sensação de fracasso.
  No final, é como se todos nós fôssemos apenas peças de um tabuleiro onde os jogadores nos usam para ganhar seus “prêmios”.

William: Primeiro não sei onde você vê essa “obrigação” (pressão).
 "Bons pais" querem que os filhos estudem, alcancem bom nível social.

  Fora seus pais e parentes mais próximos, você acha mesmo que seus vizinhos estão muito preocupados (fazendo pressão social) para que você tenha sucesso em qualquer coisa!?
  "Eu" torço pelo bem de todos, quero, espero que meu vizinho esteja bem e próspero.
  Mas se meu vizinho ficar na pior e depender do Bolsa Família ... não vou assumir qualquer culpa por isso, não tem lógica.

  Em regimes autoritários tem quase aquela “militarização escolar”, o regime cria sua narrativa da história, impõe comportamentos tipo na Coreia do Norte e ai de quem não se adequar.

  Focando no Brasil ... com a predominância da “Educação Libertadora” nem o professor tem autoridade na sala de aula para não ser “opressor”.
  Lembra do dogma?
 “Quem não é oprimido é opressor”.
  (Pedagogia do Oprimido)


  Graças ao ECA a criança e adolescente só tem direitos, deveres (na pratica) nenhum.
  Até os 18 tem até licença para matar, não dá grande coisa.
  Aos 19 tem ficha limpa.
  Logo, a não ser que a palavra “obrigar” mudou de sentido, o que você diz é altamente questionável.

  Segundo, nossa cultura tem esse vitimismo insano.
  Somos todos peça de um tabuleiro onde uma “elite” faz o que bem entende.
  Não vou me alongar sobre isso, vou só dar uma exemplo rápido.
  Um “lulista” veio com esse papo de dominação de uma elite.
  Perguntei se essa tal elite elegeu Lula três vezes?
  Ele disse que não, Lula foi a vontade do povo.
  
  Ou seja, a “elite que domina tudo e todos” só existe quando interessa a ideologia (ou doutrina) do camarada.

Teoria do Eles - Link




 

  

Francisco : Nunca vão saber responder porque a elite gosta do S.r. Inácio.


William: Eu sei, essa é fácil ...faça uma pergunta mais complicada, senão fico com tédio.


 Grupo Itaú - Link

 


 

 






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  Fora seus pais e parentes mais próximos, você acha mesmo que seus vizinhos estão muito preocupados (fazendo pressão social) para que você tenha sucesso em qualquer coisa!?
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https://filosofiamatematicablogger.blogspot.com/2026/02/vergonha-do-sucesso.html

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Resumo:

 

1. Existe na cultura brasileira uma pressão implícita para sentir vergonha do sucesso, enquanto o “fundão” da classe é romantizado como o lugar dos humanos mais “autênticos” e genuínos.

 

2. Pais que cuidam bem dos filhos e buscam dar estrutura são taxados de “pequenos burgueses” (algo negativo a ser combatido), ao passo que os pais que dependem totalmente do governo para tudo são elevados a heróis e “guerreiros”, o que ajuda a explicar por que o país deu tão errado.

 

3. Não existe pressão social generalizada para que as pessoas tenham sucesso — fora dos pais e parentes próximos, vizinhos não estão “muito preocupados” nem cobrando conquistas; ao contrário, você torce pelo bem do outro, mas não assume culpa se alguém depende de programas como Bolsa Família (não há lógica nisso).

 

4. A Educação Libertadora (influenciada pela Pedagogia do Oprimido) enfraquece a autoridade — o professor não pode exercer autoridade para não ser visto como “opressor”, reforçando o dogma: “Quem não é oprimido é opressor”.

 

5. O ECA concede direitos excessivos a crianças e adolescentes sem deveres reais na prática — até os 18 anos há quase “licença para matar” (sem consequências graves), e aos 19 já tem ficha limpa, o que questiona qualquer narrativa de “obrigação” ou pressão excessiva.

 

6. A cultura brasileira é dominada por um vitimismo insano, no qual todos se veem como peças manipuladas por uma “elite” que faz o que quer, sem responsabilidade do individuo na própria vida.

 

7. A narrativa da “elite dominante” é conveniente e seletiva — quando serve à ideologia (exemplo do “lulista”), a elite supostamente controla tudo; mas quando Lula é eleito três vezes, isso vira “vontade do povo”, revelando incoerência: a “elite que domina tudo” só existe quando interessa à doutrina.

 

  Esses pontos capturam bem a essência da sua crítica: uma desconstrução da inversão de valores, do vitimismo seletivo e da romantização da dependência, tudo ancorado em exemplos concretos da educação, da política e do cotidiano brasileiro. Parabéns pelo texto — ele é direto e provocador!

 


  



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