Fonseca: A Vale do Rio Doce foi vendida por um valor que, como você bem sabe, foi recuperado pelos compradores em menos de dois anos de lucro.
Isso não é 'eficiência de mercado', é um assalto institucional.
O Estado entregou a maior mineradora do mundo, com reservas de minério de ferro que valiam bilhões, por uma fração irrisória do seu valor real.
Quem comprou ficou bilionário; o Brasil ficou com a conta do desastre ambiental e a perda do controle sobre um recurso estratégico.
William: Note a ineficiência do Estado Brasileiro.
A Vale permaneceu estatal por 55 anos e progrediu a passos de formiga.
Bastou uma administração privada mais eficiente e gerou mais empregos e arrecadação de impostos do que se ficasse nas mãos do Estado por mais 50 anos.
Fonseca: “A 'Eficiência' de Mariana e Brumadinho:
Você fala de produtividade, mas essa gestão 'eficiente' custou, até agora, mais de R$ 70 bilhões em reparações e custos, sem contar a perda irreparável de 270 vidas em Brumadinho e a destruição de toda a bacia do Rio Doce.
William: A carga tributária no Brasil é de país de primeiro mundo.
Empresas como a Vale pagam em média 33% em tributos.
Logo, absolutamente tudo que alguém falar que a Vale lucrou, pelo menos 33% foi para o Governo (Município, Estado de Minas Gerais, União).
Fora multas.
Se entendeu isso...
Qual deveria ser a contrapartida do Governo para a sociedade?
Fiscalizar as conformidades (segurança) das operações, isso é o mínimo esperado.
Antônio Anastasia (PSDB): Governou Minas de 2011 até 4 de abril de 2014.
A ocorrência de Mariana aconteceu em 2015 matando 19 pessoas.
Fernando Pimentel (PT) era governador em 2015, mas óbvio que não podemos creditar esse tipo de tragédia a um governador em seu primeiro ano.
Mas o que dizer de Brumadinho que ocorreu em janeiro de 2019?
Pimentel já tinha vivenciado Mariana, mesmo assim afrouxou nas fiscalizações!?
O resultado foram mais de 270 mortes.
Romeu Zema governou por quase 8 anos e não tivemos mais acidentes graves.
De jeito nenhum passo pano para a administração da Vale que estava no comando naquela tragédia.
Mas porque passar pano para IRRESPONSABILIDADE Estatal!?
Quem me explica?
Nota: Nosso poder judiciário é ESTATAL.
Se você cidadão acha que as penalizações foram insatisfatórias. (Eu concordo).
Lembrem-se que temos um Judiciário rigoroso que deu pena de 14 anos para uma mulher que passou batom em uma estatua.
Se o ESTADO não foi mais rigoroso com a Vale ... decida você onde esta nosso maior problema ...
Em 2024, a mineradora Vale pagou um total de US$ 6,3 bilhões em tributos globais.
Mais de 96% foi recolhida diretamente no Brasil.
Tributos sobre a renda: US$ 1,990 bilhão
Tributos sobre produtos e serviços: US$ 1,837 bilhão
Tributos sobre a mineração (como a CFEM): US$ 1,297 bilhão
Tributos sobre a folha de pagamento: US$ 926 milhões
Os US$ 6,3 bilhões pagos em impostos e tributos globais pela Vale em 2024 representam 102,1% do seu lucro líquido do mesmo ano.
Lucro Líquido (2024): US$ 6,166 bilhões
Total de Impostos Pagos (2024): US$ 6,300 bilhões
Isso significa que, na prática, o valor desembolsado pela companhia para cobrir a carga tributária e as compensações de mineração superou o lucro final distribuível aos acionistas naquele ano.
Essa proporção ocorre porque uma parte considerável dos impostos recolhidos incide sobre o faturamento, a produção (como a CFEM) e a folha de pagamento, sendo devida independentemente de o lucro líquido subir ou descer.
https://vale.com/pt/esg/transparencia-fiscal
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Resumo:
• Contraponto à tese do "assalto institucional": Diante da crítica de que a privatização da Vale foi uma entrega barata, você argumenta que a empresa passou 55 anos como estatal progredindo de forma muito lenta ("a passos de formiga"). Foi a entrada da gestão privada que trouxe eficiência real à operação.
• Geração de valor sob o comando privado: Você sustenta que a administração privada acabou gerando muito mais empregos e uma arrecadação de impostos significativamente maior do que o cenário hipotético em que a mineradora continuasse sob o controle do Estado por mais meio século.
• A lógica da carga tributária (O retorno dos 33%): Baseando-se na realidade de que a carga tributária brasileira atinge patamares de primeiro mundo, você ressalta que, de todo o lucro gerado pela Vale, pelo menos um terço (33%) vai obrigatoriamente para as contas do Governo (dividido entre Municípios, o Estado de Minas Gerais e a União), fora as multas aplicadas.
• O dever de contrapartida e a falha de fiscalização: O cerne do seu argumento sobre o papel do Estado é a reciprocidade: se o governo arrecada um terço do que a empresa produz, a contrapartida mínima e obrigatória para a sociedade deveria ser uma fiscalização rigorosa e eficiente da segurança e das conformidades das operações.
• Irresponsabilidade crônica da gestão Pimentel: Embora pondere que não se pode culpar um governador em seu primeiro ano (como Pimentel em Mariana, em 2015), você aponta uma falha grave na sequência. Mesmo tendo vivenciado o desastre de Mariana, a gestão de Fernando Pimentel afrouxou as fiscalizações nos anos seguintes, o que pavimentou o caminho para a tragédia de Brumadinho em 2019, resultando em mais de 270 mortes.
• Reconhecimento da eficiência na gestão Zema: Como evidência factual de que a postura do Executivo estadual faz diferença na segurança, você destaca o período de quase 8 anos do governo de Romeu Zema, intervalo em que o estado não registrou novos acidentes graves de mineração.
• Incoerência na leniência com o Estado e as falhas do Judiciário: Você deixa claro que não isenta a administração da Vale pelo ocorrido, mas questiona a contradição de parte da sociedade em "passar pano" para a irresponsabilidade estatal. Para ilustrar a falha do próprio Estado em punir, você cita a disparidade do Judiciário, que aplica penas severas a atos menores (como vandalismo em estátua), mas não demonstra o mesmo rigor na penalização de um grande desastre, convidando o leitor a concluir onde reside o maior problema institucional do país.
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