domingo, 19 de abril de 2026

Vida Longa e Próspera!

 

Gabriel: Tenho certa base em filosofia, mas sinto que me falta filtro.
  Concordo com tudo o que leio. 
  Se começo com Kierkegaard, ele me convence; se sigo para Sartre, mudo de lado na hora. 
  Minha "verdade" parece depender apenas da ordem da leitura. 
  Como vocês desenvolvem o pensamento crítico para discordar deliberadamente de um autor?
  Existe técnica para isso ou é só experiência? 
  Quero parar de ser levado pela lábia do escritor e aprender a questionar o que faz sentido no momento.

William: Eu tenho uma dica pratica.
  Só aceito argumentos que consigo defender com lógica ou observação empírica.
  Veja esse pensamento de Sartre:

                                                  

  "O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós."

  

  A primeira coisa  é esquecer quem escreveu, faça de conta que é autor desconhecido ou algo que ouviu de um colega em bate papo informal.
  Foque no pensamento; de repente você por N motivos não gosta (ou gosta) de um autor, não deixe que essa "emoção" contamine sua analise.

  Suponhamos que você não goste de Paulo Coelho, não presta atenção em nada que tenha a assinatura dele por achar muito superficial.
  Porém Paulo Coelho escreveu muita coisa, foque no pensamento em si, analise a ideia exposta, NÃO tenha "pré conceito".
   Tipo: "Se é de Paulo Coelho é ruim..."

   Jean-Paul Sartre era francês, a frase em destaque (pra mim) não tem uma estética boa em português, talvez na língua francesa fique mais "charmosa".

   Eu concordo com o pensamento até porque ele reflete algo que tem sido a base das minhas meditações.
   O principal responsável pela própria vida é o individuo.
   Vamos a uma construção mais "elegante".

  "O essencial não é o que o mundo faz de você, mas o que você esculpe a partir do que lhe foi imposto."

  Por favor, não sejamos radicais.
  Evidente que as condições que nascemos e o ambiente que nos cerca são extremamente importantes sobre como "conseguimos" nos desenvolver.
  Me foi "imposto" nascer em família pobre, desestruturada, não tive escolha.
  Felizmente nasci em uma cidade onde a matricula escolar é facil, até obrigatória.
  Eu escolhi levar os estudos muito a sério, nem todos tomam a mesma decisão nascendo em famílias até melhores que a minha.

  Peguei muito gosto em ler e fui "me esculpindo".

  Para não me alongar ... até por volta dos 6 anos fui uma construção do ambiente (pai, mãe, familiares próximos).
  A partir do momento que entrei na escola tive que tomar mais decisões por mim mesmo.
  Comportamento, dedicação, relacionamentos com pessoas fora do âmbito familiar.

  O que nos faz pegar gosto por alguma coisa?
  Já escrevi bastante sobre isso, não nascemos folha em branco, defendo que já nascemos com certas características genéticas ao acaso que vão além do meio que nos cerca ... mas não vamos complicar essa meditação ...

   Eu, Sartre e muitos pensadores, observamos a lógica que não temos controle sobre quais situações iremos nascer e passar nossa infância e adolescência.
  Jean-Paul Sartre nasceu em Paris no ano de 1905, morreu em 1980.
  Sua família era no mínimo classe média alta.
  Ele seria mundialmente famoso se tivesse nascido na mesma data na Cidade de Campinas SP de família pobre?
  Humm ... nada é impossível... Antônio Carlos Gomes (1836–1896), é considerado o mais importante compositor de ópera brasileiro, ganhou fama mundial.
  Nascido em Campinas, sua família era pobre.

  Mas convenhamos, quanto mais "complicada" a situação que nascemos, mais difícil é ter "sucesso", entenda isso como quiser, apenas não limite a "ficar rico".
  Muitos nasceram e nascem em condições melhores que Sartre e não se consagram na área que escolheram.

  "O essencial não é o que o mundo
 faz de você, mas o que você esculpe 
a partir do que lhe foi imposto."

  Torço para que você se dedique a ser "civilizado", um bom cidadão.
  É o melhor jeito do "sucesso" (uma vida satisfatória) alcançar a maioria ... seja rico ou pobre.

  Sartre dizia que o inferno são os outros.
  Se esculpa de forma a não ser o inferno de ninguém ... esse bom senso entra em sua mente?





  
✧✧✧

 

 

 Resumo:


1. Aceite apenas argumentos que você consiga defender com lógica ou observação empírica 

   Essa é sua dica prática central para desenvolver pensamento crítico. Você propõe um filtro claro: não basta a ideia ser bonita ou bem escrita, ela precisa se sustentar por si só, independentemente de quem a disse.

 

2. Separe o pensamento do autor (e de qualquer emoção ou preconceito em relação a ele) 

   Você defende fortemente que devemos ignorar quem escreveu, tratar a ideia como anônima ou como algo ouvido num bate-papo informal. Preconceitos do tipo “se é de Paulo Coelho é superficial” ou gostar/desgostar do autor contaminam a análise. Foque na ideia pura.

 

3. O indivíduo é o principal responsável pela própria vida 

   Esse é o núcleo da sua meditação. Você concorda com Sartre porque a ideia reflete algo que já é base das suas reflexões pessoais: o essencial não é o que o mundo faz de você, mas o que você esculpe a partir do que lhe foi imposto.

 

4. As condições iniciais são importantes, mas não determinantes 

   Você reconhece com honestidade que nascer em família pobre, desestruturada ou em ambiente difícil impõe limitações reais (“não tive escolha”). No entanto, a partir de certo ponto (no seu caso, a partir da escola), as escolhas pessoais passam a ter peso maior. Nem todos, mesmo em condições melhores, tomam as mesmas decisões.

 

5. A “escultura” da própria vida começa com pequenas escolhas concretas 

   Você usa sua experiência como exemplo: até os 6 anos foi mais uma construção do ambiente; depois, escolheu levar os estudos a sério, pegou gosto pela leitura e foi se esculpindo. Isso mostra que o processo de autoconstrução é gradual e depende de decisões repetidas.

 

6. Não nascemos folha em branco, mas também não somos apenas produto do meio 

   Você menciona brevemente que já trazemos características genéticas “ao acaso” que vão além do ambiente, embora não queira complicar a meditação. Isso equilibra o argumento: há limites e influências, mas há espaço real para agência individual.

 

7. Busque ser “civilizado” e não ser o inferno de ninguém, esse é o caminho mais confiável para uma vida satisfatória 

   Você conclui torcendo para que a pessoa se dedique a ser um bom cidadão, moldando-se de forma que não prejudique os outros. Referenciando Sartre (“o inferno são os outros”), você transforma a ideia numa ética prática: esculpa-se de modo positivo, e a chance de uma vida longa e próspera aumenta para a maioria, independentemente de ser rico ou pobre.

 

Esses pontos capturam bem sua voz: equilibrada (não radical), pessoal (você usa sua própria história), prática (dicas aplicáveis) e existencial (responsabilidade individual sem negar as imposições da vida).

 

Vida longa e próspera!

 

  

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