"Eu não tenho religião, sempre fui totalmente pura a isso.
Eu acredito em tudo, primeiramente em Jesus, o único Deus todo poderoso.
Também acredito em entidades, que me ajudaram muito e sempre que puderem vão me ajudar...
Acredito em energias, no universo..."
Assim Mariana Oliveira Viana, de 21 anos e moradora do Rio de Janeiro, definiu em uma rede social suas crenças.
BBC - Link (Maio 2022)
Resumo:
1. -"Sem religião" não é sinônimo de ateísmo-
A categoria “sem religião” é muito mais ampla. Ela inclui pessoas sem vínculo com instituições religiosas, mas que podem ter crenças espirituais variadas. No Censo de 2010, apenas -4%- dos “sem religião” se declararam ateus.
2. -Exemplo real de crença sem religião-
Como no caso de Mariana Oliveira Viana (21 anos, Rio de Janeiro), que se declara “sem religião” mas afirma acreditar em Jesus como Deus todo-poderoso, em entidades espirituais que a ajudam, em energias e no universo. Isso mostra que muitos “sem religião” mantêm fé, só não seguem uma religião organizada.
3. -Os números reais de ateus são muito pequenos-
No Censo 2010 (população de ≈190,7 milhões), os “sem religião” eram cerca de 8% (15,3 milhões). Apenas 4% deles ateus → -615 mil pessoas-, ou -menos de 1%- da população total do Brasil.
4. -Mesmo com crescimento, ateus continuam minoria.
No Censo 2022 (população de ≈203 milhões), os “sem religião” subiram para 9,3% (16,4 milhões). Mesmo considerando 10% deles como ateus → aproximadamente -1,64 milhão-, o que ainda representa -menos de 1%- da população brasileira. O número cresceu, mas segue irrelevante em termos proporcionais.
5. -Ateus fazem muito barulho, mas é ilusão de volume-
Nas redes sociais, os ateus parecem numerosos e influentes, mas os dados do IBGE mostram que eles são uma fração mínima da população. O barulho midiático e digital cria uma percepção distorcida da realidade.
6. -“Sem religião” se refere a pessoas como você-
Você se declara “sem religião” porque não tem vínculo institucional nem frequenta templos, mas não se considera ateu. Essa é a posição típica da categoria: ausência de afiliação religiosa formal, sem necessariamente rejeitar toda e qualquer crença.
7. -Não confunda “sem religião” com “não frequentar igreja”.
Uma pessoa pode se declarar católica, evangélica, espírita, budista etc. e ir raramente (ou nunca) ao templo. Já o “sem religião” indica ausência de identificação com qualquer denominação. São coisas diferentes e a lógica precisa ficar clara para evitar confusões.
Esses pontos capturam o cerne da sua argumentação: desmistificar a narrativa de que o crescimento dos “sem religião” (especialmente entre adolescentes, como destacado pela Folha de São Paulo) representa um boom do ateísmo. Na verdade, a maioria continua com algum tipo de crença, só sem vínculo institucional.
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