sábado, 28 de fevereiro de 2026

Jânio Fernando Inácio

 




Abuso de Poder - Link

 

  Jânio Quadros toma posse da Presidência em Janeiro de 1961.

 

  “Nos 204 dias seguintes, o Brasil viajou numa montanha-russa monitorada por um homem de 44 anos que obedecia exclusivamente ao instinto.

  Tangenciando o penhasco com perturbadora frequên­cia, alternando freadas bruscas com arrancadas vertiginosas, Jânio:

✧ Aumentou o expediente dos servidores públicos.

✧ Exonerou meio mundo, suspendeu nomeações por um ano. 

✧ Reduziu o orçamento das Forças Armadas e os quadros funcionais de todas as embaixadas.

✧ Tabelou o preço do arroz e do feijão.

✧ Condenou a invasão de Cuba financiada pelos Estados Unidos.

✧ Planejou a anexação da Guiana Francesa.

✧ Baixou medidas de combate ao monopólio, desvalorizou a moeda.

✧ Determinou ao Itamaraty que restabelecesse relações diplomáticas com a União Soviética.

✧ Proibiu maiô em concurso de miss, lança-perfume, briga de galo, corridas de cavalo em dias úteis e veiculação de comerciais no cinema.

✧ Mobilizou o Exército para reprimir uma greve de estudantes no Recife, brigou com a maioria dos parlamentares aliados.

✧ Regulamentou a remessa de juros para o exterior.

✧ Enviou o vice João Goulart à China.

✧ Condecorou Che Guevara e rompeu com Carlos Lacerda.

✧ No 207° dia de governo, renunciou à Presidência.”

 

 Revista Veja - Augusto Nunes

 

 



Leandro: Encontrar quem lembra de Jânio Quadros, é uma dificuldade... 
   É mais fácil lembrar da vassoura, ou das forças estranhas.

William: Em verdade vos digo; poucos são os nomes que o tempo não devora.  
    Outrora os homens ainda podiam polir suas lendas com o verniz da distância, e as falhas se perdiam nas brumas do esquecimento.  
   Mas eis que veio a grande inundação de dados, e já não há esconderijo para a nudez do coração humano.  
   Tudo fica registrado, a palavra impensada, o gesto mesquinho, a vaidade descoberta, o erro em alta definição.  
    Não mais se erguem mitos impunes; o arquivo os desnuda a todos.  
   Inácio, Trump, Putin, e tantos outros, gravaram seus nomes no pergaminho deste século com tinta de fogo e controvérsia.  
   Porém ouvi esta palavra dura; antes que chegue o ano dois mil e cem, vós e eles sereis pó, e vossos netos mal saberão pronunciar vossos nomes sem consultar a máquina.  
  Porque assim é a roda do tempo, levanta ídolos hoje para que amanhã sejam apenas mais uma linha no banco de dados dos mortos.  
   Portanto, ó homem, gloria-te se puderes, mas gloria-te com tremor; pois o que hoje parece eterno, amanhã será apenas um meme sepultado.

  Um nome já esquecido, embora recente em termos de história, que gosto de lembrar, é Fernando Henrique Cardoso ...



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