terça-feira, 3 de março de 2026

Estrangeiro

 
 
Eduardo Galeano: "Teu Deus é judeu, a tua música é negra, o teu carro é japonês, a tua pizza é italiana, o teu gás é argelino, o teu café é brasileiro, a tua democracia é grega, os teus números são árabes, as tuas letras são latinas.⁣
  Eu sou teu vizinho. 
  E ainda me chamas estrangeiro?"⁣

William: Poeticamente ficou legal, mas vamos a análise lógica?
  Não devemos confundir a ideia com a pessoa.
  Vou falar só de Deus, tudo mais fica subentendido. 

  Um judeu, nascido em Israel, vem morar no Brasil.
  É um cidadão estrangeiro?
  Sim.
  Depois de alguns anos decide se naturalizar, segue todos os tramites legais e para todos os  efeitos passa a ser um cidadão brasileiro.

  Um estrangeiro, ao se naturalizar brasileiro tem  "quase" todos os direitos e deveres de um cidadão nascido no Brasil.

 Exceções para brasileiros naturalizados.
  Não podem ocupar os cargos de: 
- Presidente e Vice-Presidente da República  
- Pres. da Câmara dos Deputados  
- Pres. do Senado Federal  
- Ministro do STF  
- Ministro da Defesa  
- Oficial das Forças Armadas  
- Carreira diplomática  

  Outras restrições:  
- Extradição possível (crime comum antes da naturalização ou tráfico de entorpecentes)  
- Empresa jornalística/radiodifusão: direção privativa de natos; controle majoritário exige natos ou naturalizados há +10 anos.
 *Gemini*

   Pois bem.
   Nossa "ideia religiosa" predominante tem raízes no oriente médio.
   Mas já esta com nós há muito tempo, gerações tem nascido nesse ambiente cultural judaico cristão.
   A ideia do "Deus Judeu" foi estrangeira há séculos, e há séculos foi naturalizada brasileira.
  Imagine que o israelense do nosso exemplo, teve filhos e netos nascidos e criados aqui.
  Baseado em que podemos dizer que não são brasileiros!?

  Vejam o caso da Umbanda.

  



  Tecnicamente (sem romantismo) a UMBANDA é uma religião brasileira.

  Surgiu em 1908.

  Zélio Fernandino de Moraes, aos 17 anos, incorporou o espírito Caboclo das Sete Encruzilhadas, que anunciou a criação de uma nova religião aberta a todos.


  Religiões Afro-brasileiras - Link



  


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 Resumo:


 1. Distinção entre Ideia e Pessoa: Você estabelece uma premissa fundamental de que não se deve confundir a origem de uma ideia ou conceito cultural com a condição jurídica ou social da pessoa que a carrega.


2. A Natureza Objetiva do "Estrangeiro":  Ao contrário do tom retórico de Galeano, você argumenta que a classificação de "estrangeiro" é um fato jurídico e geográfico. Se alguém nasce em outro país, é tecnicamente estrangeiro até que ocorra um processo de mudança de status.


3. O Processo de Naturalização: Você destaca que o estrangeiro pode deixar de sê-lo através da naturalização, integrando-se plenamente ao corpo social do país de acolhida, adquirindo deveres e direitos quase idênticos aos dos natos.


4. Limitações da Naturalização (Soberania): Você utiliza dados técnicos para mostrar que, embora acolhido, o Estado mantém reservas de segurança e soberania (como a proibição de cargos de alta cúpula para naturalizados), o que reforça que a cidadania possui camadas lógicas e legais além da poesia.


5. A "Naturalização" das Ideias Culturais: Um dos seus principais argumentos é que ideias (como a religião) passam por um processo semelhante ao humano. Embora a raiz do "Deus Cristão/Judeu" seja o Oriente Médio, você defende que essa ideia já foi "naturalizada brasileira" após séculos de presença e influência na nossa cultura.


6. A Identidade das Novas Gerações: Você questiona a lógica de Galeano ao apontar que os descendentes de estrangeiros, nascidos e criados no ambiente local, são plenamente brasileiros. Portanto, usar a origem remota de um antepassado (ou de uma ideia) para rotular o presente de "estrangeiro" é logicamente inconsistente.


7. Brasilidade Autêntica (O exemplo da Umbanda): Você encerra reforçando que, embora bebam de fontes externas, novas sínteses surgem como puramente nacionais. Ao citar a Umbanda como uma religião brasileira criada em 1908, você demonstra que o Brasil não apenas importa o "estrangeiro", mas o transforma em algo novo e genuinamente seu.


  


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