domingo, 15 de fevereiro de 2026

Burrice Cultural

 


Enzo:  Dos 594 parlamentares, 273 são empresários e 160 fazendeiros.
Juntos, representam 72% dos deputados.
  Nossa politica é dominada por Capitalistas!

William: Não vou ficar pesquisando a vida de mais de 500 parlamentares, mas vejam um caso que me veio a memória automaticamente e que não é isolado.
  Renan Calheiros não era “empresário” nem fazendeiro.
 (Fazendeiro é empresário, vou manter a separação em função da postagem original).
  Entrou para política, ganhou rios de dinheiro, daí adquiriu empresas.

  O Inácio é outro exemplo, não era empresário e “oficialmente” continua não sendo, mas ... foi ele chegar na Presidência para seu filho virar um “Ronaldinho Gaúcho” dos negócios.


 

 A Gamecorp, fundada em 2003 com sócios como filhos de Jacó Bittar (fundador do PT) e Lulinha, recebeu aportes significativos da Telemar (Oi), como R$ 5,2 milhões em 2005 e mais R$ 10 milhões em 2008, além de contratos com a Rede Bandeirantes para o canal PlayTV. Suspeitas apontavam para tráfico de influência, pois o governo Lula editou decreto em 2008 permitindo a Oi comprar a Brasil Telecom, beneficiando a empresa que financiava o grupo de Lulinha.

 

  Entre 2004 e 2016, o grupo Gamecorp/Gol recebeu R$ 132 milhões da Oi/Telemar (mais de 50% de seus recebimentos) e R$ 40 milhões de empresas ligadas à Vivo, sem justificativa econômica plausível, segundo a PF; parte teria financiado o sítio de Atibaia. A Receita Federal identificou uso de "empresas inexistentes" por Lulinha para dissimular lucros, e e-mails sugeriam "verba política" da Oi.


  Revista Crusoé - Link




  Minha pergunta é: 

  O parlamentar foi eleito porque era empresário ou virou empresário porque ganhou rios de dinheiro na política e precisa "legalizar" sua renda?

  A principio ao vermos tantos "empresários" no Congresso podemos achar que essa é a raiz dos problemas.
  "Pra mim" a raiz do problema é sermos (enquanto povo) muito tolerantes com a corrupção.

  O politico ganha rios de dinheiro com negociatas, precisa criar um álibi para seu padrão de vida que passa a ser alto.
  Adquire uma empresa que pode ser fazenda, escritório de advocacia, resort ... 
  Ter prejuízo claro que ninguém quer, mas mesmo que a empresa renda uma ninharia ela dá uma "aparência" de fonte principal de renda.
  Se der lucro, melhor ainda, afinal "licitações direcionadas" servem para isso.
  Colocar as empresas em nome de "laranjas" é fundamental.

  Esse é mais um texto que vão falar que eu "culpo a vitima" (O eleitor pobre).
  Apenas faço análises lógicas.
  Se claramente nosso problema é a tolerância com a corrupção e insistimos em eleger corruptos ... a burrice cultural cobra seu preço.
 

  

  

      “Jamais diga uma mentira

 que não possa provar.”

 (Millôr Fernandes)



Otávio: Se podemos provar, não é mentira...

  Não diga mentiras!

 

William: Acredito que você entendeu a ironia do Millôr, mas para quem não entendeu.

  (Principalmente a Geração Z, que não deve conhecer o estilo do cronista)


  Você vai para o boteco, mas diz para patroa que vai trabalhar até mais tarde.

  Diz para o segurança da empresa que caso sua esposa ligue você está em um ponto da empresa onde não tem sinal.


  O que Millôr diz ironicamente é que se vai mentir tenha pelo menos um bom álibi.


  Trazendo para hoje...

  Se vai justificar o recebimento de 129 milhões, pelo menos combine com alguém os serviços que foram prestados “legalmente”.

 


 


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Resumo:


1. Inversão da Causalidade (Político vs. Empresário):** Você questiona a premissa de que o Congresso é dominado por capitalistas que entraram na política. Seu argumento central é que muitos indivíduos entram na política "sem nada" e se tornam empresários ou fazendeiros *após* enriquecerem no cargo, utilizando a atividade empresarial como fachada ou destino para o capital acumulado.


2. A Empresa como Álibi Financeiro: Você sustenta que a aquisição de empresas (fazendas, escritórios, resorts) serve frequentemente para "legalizar" ou dar aparência de licitude a um padrão de vida elevado que, na verdade, provém de "negociatas" e desvios de dinheiro público.


3. Mecanismos de Dissimulação de Lucros: O texto aponta o uso de "empresas inexistentes", laranjas e contratos de prestação de serviços sem justificativa econômica plausível (citando o caso da Gamecorp/Oi como exemplo) para dissimular o recebimento de verbas de origem política.


4. A Tolerância Social com a Corrupção: Você define a "raiz do problema" não na presença de empresários na política, mas na condescendência da sociedade brasileira com atos ilícitos. Para você, a estrutura corrupta sobrevive porque o povo a tolera.


5. Crítica à "Burrice Cultural": O termo que dá título ao texto refere-se à insistência do eleitor em eleger candidatos com históricos claros de corrupção. Você argumenta que essa escolha consciente gera um custo social inevitável, o qual chama de "preço da burrice cultural".


6. A Ironia de Millôr e a Falta de Escrúpulos: Ao citar Millôr Fernandes, você argumenta que a corrupção atual é tão descarada que os envolvidos nem sequer se preocupam em criar "mentiras prováveis" ou álibis consistentes, evidenciando um desleixo moral e institucional.


7. Rejeição ao Vitimismo do Eleitor: Você antecipa e rebate a crítica de que estaria "culpando a vítima" (o eleitor pobre). 

  Sua posição é estritamente lógica: se o eleitor conhece o problema e insiste no erro, ele deixa de ser apenas vítima para ser parte do mecanismo que sustenta o sistema.


  

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