sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Alimentar Traumas

“O espirito insinua que o protagonista estragou a vida daquela pobre adolescente que tinha tanto amor pra dar.”

 


  Outro “pecado” do protagonista foi trancar seu irmão mais novo em um mausoléu escuro, o garoto nunca mais superou o medo do escuro.
  Mais uma vez os espíritos poderiam intervir no momento em que o mal estava sendo praticado.
  Alguém poderia ter visto, o protagonista poderia ter sido “sensibilizado”, o caçula poderia ter sido mais esperto e não tentar demonstrar uma coragem que não tinha…mas pulemos estes “detalhes”.

  Eu tinha muito nojo de fraldas, por circunstancias da vida acabei tendo que trocar muitas em minhas filhas, tive que aprender a conviver com isso por muito tempo. ​​
  A caçula (Ellen) parecia fazer de propósito, era eu começar a jantar e ela vinha toda “perfumada” solicitando a troca, minha esposa trabalhava a noite e toda aquela “belezura” sobrava para mim.
  Lembro um dia que sentei na mesa para jantar depois de um duro dia de trabalho e lá vinha no corredor aquele toquinho de gente andando meio torto.
  Em um ato de desespero, a música do filme Tubarão começou a tocar na minha cabeça, corri com o prato para o quarto e me tranquei lá, só saí depois que acabei de jantar…

  Quero dizer que eu poderia ficar o resto da vida com “trauma” de fralda, minha filha poderia ficar o resto da vida com trauma da fuga do pai, mas a vida continua ... temos RESPONSABILIDADE em superar nossos traumas.

  Depois que sofremos um acidente grave de trânsito é difícil pegar o volante novamente.
  Aconteceu comigo quando sofri um acidente de moto.
  Usei a moto por mais algum tempo já pensando em me desfazer.
  Vendi e fiquei anos sem usar moto.
  Em certa fase da minha vida ir trabalhar de carro ficou insustentável.
  Usei por um tempo ônibus, mas ficou insuportável.
  Tive que superar meu trauma e voltar a andar de moto.

  O irmão caçula do protagonista “poderia” a partir daquele acontecimento conviver melhor com a falta de luz, poderia esquecer o ocorrido e seguir em frente, mas passou a vida com medo de algum dia ser trancado novamente em um mausoléu!?
  Quantas vezes isso acontece na vida de alguém!?

  

“Não escolhemos o que SENTIR, podemos escolher como AGIR diante de um sentimento.”

  Não dá para evitar sentir medo, porém se fazendo necessário, temos que seguir apesar dele.
  Eu dirijo moto com muito cuidado ... nesse momento da minha vida não posso dizer que sinto medo, superei aquele trauma do acidente.

  Temos responsabilidade sobre os traumas que alimentamos.


  To be continued...








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