quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Fé dos Outros

Orar por outra pessoa dá algum resultado?

  



 👩 “Entre nós budistas existe o conhecimento de que em geral, a prece que fazemos pelos outros, dá mais certo do que as que fazemos ao nosso favor.
  Isso é muito antigo.”
  [Nihil]

  Conheço bem a doutrina budista, mas não tive grande contato com budistas, nunca frequentei essa “religião”.
 Quando um budista ora por outra pessoa o que exatamente acontece?
  Alguma entidade vai ao auxílio do indivíduo ou “energias cósmicas” são emanadas?
  Se um budistas ora por um parente viciado em drogas o vício será abandonado mesmo que o viciado não tenha essa disposição!?
  Assim meio de longe me parece que que budistas são muito iludidos com o poder de suas orações, superestimam demais.

  Tenho um melhor domínio sobre a doutrina cristã, vamos começar com uma análise bíblica.

  Jesus é bem claro quando diz “sua fé te curou”, ele não diz “a Fé dos outros” ou “a minha fé te curou”.

  Fé em quem?
  Fé em Deus.

  Biblicamente somos “medidos” pela fé, tudo que acontece em nossa vida depende da vontade de Deus, posso ser o pior dos pecadores e mesmo assim ter o perdão de Deus e posso ser um homem muito honrado fazedor de boas obras e Deus não me agraciar com nenhuma benção, porque “não somos justificados pelas obras”.

   A Fé assim como a “autoconfiança” são alimentadas por bons resultados.
  Se você ora e consegue alguma coisa sua Fé aumenta.
  Se você ora e seu desejo não é realizado ... dá uma brochada.

  O ponto fora da curva é a imaginação ou auto enganação.
  Seu pedido não foi atendido, mas você imagina que foi melhor assim, “Deus sabe o que faz”.


  Vejam o caso de Moisés.
  Deus falou com ele e por meio dele fez grandes “espetáculos”, se Moisés não tivesse presenciado o poder de Deus será que teria a mesma fé?

  Percebe o enrosco filosófico?

  A Fé é alimentada por resultados “ocorridos ou imaginados” e os resultados dependem da vontade de Deus, logo nossa fé depende da vontade de Deus ou da nossa capacidade de IMAGINAR bons resultados.
  Vou repetir, prestem muita atenção:

  Nossa fé depende da vontade de Deus ou da nossa capacidade de IMAGINAR bons resultados.

  Quando passamos por um infortúnio que aparentemente não merecemos, como uma doença que​​ surge, um assalto ou perda do emprego nos dizem que é uma PROVAÇÃO e será para nosso bem, nos tornará melhores e mais fortes.

  IMAGINAMOS BONS RESULTADOS.
  Imaginamos que o sofrimento é algo bom e mantemos nossa fé.

  Por muito tempo imaginei que ter um pai alcoólatra e uma vida de pobreza cumpria um grande propósito de Deus na minha vida.
  Mas tantos pessoas NÃO tem pai alcoólatra e vivem bem.
  As provações foram tirando minha capacidade de imaginar que o sofrimento é algo bom.
  Qualquer um que convive com viciados em drogas ou bebidas sabe que nenhum resultado bom sai disso.

  Cada dia que passa apenas fico mais velho, não me torno uma pessoa melhor com o sofrimento, este é o resultado de FATO, é o resultado que consigo OBSERVAR.
  Observo que o sofrimento me deixa triste e bons acontecimentos me deixam alegre, em paz.
  Prefiro construir momentos bons que ficar cultuando o sofrimento.

  
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
  Percebo que certas pessoas funcionam como “amplificadoras da fé”.

  Uma das hipóteses é que algumas pessoas são dotadas [geneticamente ou espiritualmente ... como preferir] de um certo “carisma”.
  Diante delas (pelo jeito de falar ou agir) as pessoas se sentem melhor e isso amplifica a fé, esperança, bem estar.

  Jesus “principalmente no início” devia ser muito carismático, bom de papo, para convencer pessoas a segui-lo sem oferecer objetivamente nada em troca.

  [Para esse texto ficar mais “inteligível” esqueça a ocorrência dos “milagres show” como transformar agua em vinho ou multiplicar alimentos, afinal eles não tem a mínima possibilidade de serem comprovados]

  Uma das coisas que nos faz confiar em alguém é a segurança que ele nos passa.
  Se Jesus tinha realmente um contato melhor com alguma “espiritualidade”, falava sobre isso com convicção, dava essa segurança as pessoas.

  Quero dizer que se você está diante de alguém que de alguma forma passa muita segurança sua “fé” é ampliada.
  Isso não é nenhuma “magica” é algo bem observável na nossa natureza humana.

  Pense em um bom vendedor de qualquer coisa ou mesmo em uma boa propaganda.
  O vendedor ou o comercial fala tanto das qualidades de um smartphone que ficamos bem mais propensos a comprar.

 Tudo tem seu lado sombrio...
 Estelionatários de todo tipo também são carismáticos, bons de papo.
 Diante deles você pode acreditar que está fazendo um excelente negócio e na verdade está entrando em uma grande roubada.

  [Vou forçar o desligamento dessa meditação senão ela vai longe, me perdoem mais uma vez a mudança brusca de rumo.]
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
  Carisma por inércia, Fé por inércia.

  Inércia é um princípio da física, também conhecido como a Primeira Lei de Newton.
  É a capacidade de “resistir à mudança de movimento.”

  Uma “celebridade” não precisa se manter carismática sempre com todos, isso é muito útil/essencial no começo depois de iniciado o movimento ele tende a se manter SE não ocorrer um evento que provoque grande resistência contraria.

  Um exemplo fácil e atual é o Lula.
  Depois de muita persistência chegou a Presidência e virou meio que “deus” para muitos, mesmo pessoas que nunca estiveram fisicamente perto dele passaram a idolatra-lo ... por “inércia”.
  A propaganda foi boa, a maioria dos programas sociais foram criados e desenvolvidos no governo FHC, mas Lula ficou com todo mérito.

  Com o Mensalão e depois o Petrolão surgiu uma forte resistência contra a “santificação” de Lula.

  Quero dizer que depois que Jesus virou “celebridade” seu nome ou presença “ampliava a fé das pessoas”.
  As curas pela fé ocorriam e aumentavam ainda mais a “confiança/segurança” no “poder” de Jesus.

  Pessoas acreditavam que só de tocar nas vestes de Jesus algum milagre ocorreria.
  Claro, deduzimos que outros “olhavam torto” pra tudo isso.

  Aqui chegamos ao amago do entendimento dessa meditação.

  Uma lupa amplia do mesmo jeito um grão de mostrada ou caroço de manga.
  É evidente que o caroço de manga vai ficar bem mais visível, ele já é grande.

  Então por mais que uma pessoa receba oração dos outros ... se ela não tem “fé”, não está realmente disposta a caminhar em outra direção ... o efeito é pífio (pra não dizer nulo).

  Depois de iniciado um “movimento” até um amuleto ou estatueta pode ser um amplificador da fé.


  Não dá para ampliar o que não temos, seja pela oração dos outros, pela presença de alguma “celebridade gospel” ou estar diante de um “símbolo sagrado”.




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11 comentários:

Daniel disse...

Eu prefiro achar que deus, se existe, ele é imparcial com a nossa tolice.
Não me vejo justificado pelo período de sofrimento, e este período é conhecido na vida de todos, mas as melhores interpretações disto ficam para alguns.

Nihil Metilene disse...

"Orar pelos outros dá mais certo do que orar por nós mesmos".
Esse havia sido o mote daquela replicona que escrevi ao texto "Falando com as paredes",em novembro de 2.010.
Nas outras religiões,isso não é verbalmente admitido.
Mas podemos observar que as pessoas,quando professam uma fé,costumam se reunir em igrejas.
Isso indica a veracidade da suposição acima,e indica também que a fé individual,para funcionar melhor,precisa da ajuda de uma "energia" coletiva.
Noto isso pessoalmente,e por isso que ainda não desisti de ir no templo.

Nos últimos oito meses pedi preces para mim,e para a minha "casa".
Elas ajudaram bastante,se eu pessoalmente fôsse me ocupar delas sozinha,os resultados teriam sido duvidosos.
Mas,aprendi uma lição importante.
A "lição de casa" idem deve ser feita por cada um.
Mesmo que tenhamos o apoio da "egrégora" do grupo,precisamos orar por nós.
Ou tudo fica "mal costurado".
Todavia,uma "ajuda parcial" vinda do exterior,é mais do que bem vinda,em muitos momentos.

Acredito que na Israel antiga,os santos conseguiam alcançar bons níveis de realização,porque havia um "clima religioso" propício a isso.
E as orações de uns ajudavam as dos outros o tempo todo.
Mas,no fim das contas,o arremate da lição,acabava sendo individual.

William Robson disse...


“Eu prefiro achar que deus, se existe, ele é imparcial com a nossa tolice.” [Daniel]
ººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººº
Analisando a vida não dá para verificar essa “imparcialidade”.
Tem gente muito boa que se dá mal e gente com caráter questionável que se dá muito bem.

Aí “dogmaticamente” acreditamos que vai ter um acerto de contas em outra vida, mas porque não começar nessa?
Essa vida nós observamos a outra é uma promessa dos livros sagrados.

O complexo é que nos livros sagrados Deus não é imparcial, tem seus escolhidos...

“O qualquer escolhido foi Saul e para surpresa de Deus e Samuel Israel passou a funcionar muito melhor, Saul se mostrou um bom monarca. O propósito de Deus e Samuel do povo ficar arrependido ficou longe de se realizar.”

PASSEANDO

William Robson disse...


“Nos últimos oito meses pedi preces para mim,e para a minha "casa".
Elas ajudaram bastante,se eu pessoalmente fôsse me ocupar delas sozinha,os resultados teriam sido duvidosos.” [Nihil]
ººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººº
Eu não sei como as pessoas sabem sobre uma coisa que não aconteceu!!!!

Como a Nihil SABE que se ela não orasse os resultados seriam diferentes?

Para isso ela teria que voltar no passado, não orar, e comparar os eventos.

Como tenho dito, a Fé tem um componente muito forte chamado ILUSÃO.

Criar contos é muito fácil, basta usar a imaginação vejam:

A mãe da Nihil ficou doente por excesso de preocupações e a Nihil poderia ter diminuído as preocupações de sua mãe sendo uma pessoa mais presente e menos preocupada com orações budistas.
Será que o tempo que a Nihil gastou indo ao templo não poderia de alguma forma ter sido mais útil a sua mãe aliviando as preocupações e o problema de saúde nem tivesse ocorrido.
Pense naquela católica que deixa toda louça para sua mãe lavar em casa para ir a missa.
Pense naquele marido que não tem tempo para consertar o telhado porque foi ao culto.
Pense em uma mãe que quer desabafar com a filha, mas essa não tem tempo para ela porque os deveres religiosos a chama.

Percebem?

“Não há duvida” que se a Nihil tivesse tido mais cuidado com sua mãe e menos com o budismo a qualidade de vida seria melhor e a doença nem tivesse ocorrido.
Depois de uma certa idade os efeitos do estresse são ainda mais danosos a nosso organismo...

O quê, há duvidas sobre o desenrolar do “conto”?

Parabéns! É isso que eu queria te dizer.

Não dá para ter certeza sobre o que NÃO ACONTECEU.

Daniel disse...

Na bíblia em algum lugar diz que deus não faz acepção.

Eu não concordo em tentar analisar a vida do individuo se é mais ou menos azarado que o outro.
Para mim tudo tem mais a ver com a lei de Newton que para cada ação ha uma reação subsequente e de igual proporção.

William Robson disse...


A “ação” dessa mulher foi estar dirigindo um carro e claro sempre que fazemos isso a “reação” é alguém vir na contra mão.

Quem não entende isso?

Humm...EU!

Carro de grávida é atingido por outro na contramão na BR-365

PASSEANDO

Daniel disse...

Vejamos. . quais os cuidados básicos eu devo tomar para sair de viagem estando dirigindo: estar ciente das condições do veículo, dirigir com cautela, sempre procurar prestar atenção nos retrovisores, sinalizar antes de fazer uma manobra, manter distancia do veículo a frente, e nunca jamais estar embriagado.

Estes são os cuidados para precaver de acidentes na via.

William Robson disse...


“Estes são os cuidados para precaver de acidentes na via.” [Daniel]
ºººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººº
Oras, você é da corrente de pensadores que defende que tudo é ação e reação.
Necessariamente “colhemos o que plantamos”.

Qual a ação para evitar que um outro veiculo avance o sinal vermelho.
Qual a ação para evitar uma bala perdida.
Qual a ação para evitar ser assaltado dentro do ônibus.
Qual a ação para evitar nascer com leucemia.
Qual a ação de um cidadão paulista para evitar que Renan seja Senador por Alagoas.

Prove sua tese, mostre que tudo é ação e reação que dependa individualmente do cidadão.

Daniel disse...

Não necessariamente precisa ser assim. Eu não quero colher só que eu planto, quero colher muitíssimo mais, e aqui ha espaço para só a excelente interpretação de que desejo colher coisas boas, sempre. Não pelo que eu li, não porque acredito em promessas. Mas unicamente porque sei que é possível.
Desde que eu nasci o mundo já era um mundo cheio de calamidades e de bonanças. Não existe novidade ainda aqui. Mas foi-me dado discernimento para analisar com prudencia o resultado das coisas, e jamais eu estive pensativo, e não posso chegar ao ponto de considerar a demasiada tristeza dos seres viventes para nunca querer trazer outro ser a esta terra, maravilhosa e abençoada por deus, pelo acaso, e por seres que limitam a razão com boa dose de emoção para sempre perpetrada num coração quase puro.
Quem sabe eu ainda consiga as respostas para tudo, mas creio que o suficiente para ter uma vida sossegada eu posso aprender, porque estou em via de aprender tudo. A disposição para o que é bom jamais se afastou de mim, e a letargia para assuntos de paz eu espero que ela jamais me alcance.

William Robson disse...


“Quem sabe eu ainda consiga as respostas para tudo, mas creio que o suficiente para ter uma vida sossegada eu posso aprender, porque estou em via de aprender tudo. A disposição para o que é bom jamais se afastou de mim, e a letargia para assuntos de paz eu espero que ela jamais me alcance.”
ººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººº
Uma vida longa e próspera para você Daniel.

“Gloria a Deus nas alturas e paz e prosperidade aos homens de bem.”

Nihil Metilene disse...

Namu Amida,sr.William!