William: Sim e cabe muitas narrativas.
Um homem que não produz nada pode se sentir inútil.
Por vezes é mesmo.
Se eu não conseguisse trazer sustento para minha família ... nem teria família.
Decidi que só teria filho quando pudesse lhe dar um teto, coisa que meus pais não deram.
Minha primeira filha nasceu com um teto.
Estava pagando as prestações, mas o imóvel estava no meu nome.
Mudando de pato para ganso ...
Em um programa de auditório (Silvio Santos) foi feita uma pergunta valendo algum dinheiro.
O que Adão não teve, mas seus filhos tiveram?
A participante disse umbigo.
A principio Silvio falou que estava errado, mas refletiu por uns segundos e deu o prêmio.
Na ficha dele estava a resposta sogra.
Por Adão e Eva terem sido o primeiro casal e na pratica terem surgido pela vontade de Deus... segundo a Bíblia.
Não nasceram de parto normal; sem cordão umbilical, sem umbigo.
Seus filhos também não tiveram avós, tios...
Percebam que o autor da questão não esta errado.
Sogra fica até mais "engraçadinho" para um programa de auditório.
Mas a resposta dada pela participante também é pertinente.
Amarrando uma coisa na outra ...
É comum quando analiso um texto qualquer, como esse trecho de Kafka, eu ouvir:
😒 "Você não entendeu o que o autor quis dizer".
Nesses livros clássicos, geralmente é criado um "consenso acadêmico" de como devemos interpretar o que esta escrito.
Se não falarmos exatamente o que foi decidido por alguém (ou grupo) ... dizem que não entendemos a obra.
Se valer nota em alguma avaliação, perdemos ponto.
😒 Nós decidimos que você deve falar "sogra", se falou "umbigo" esta completamente errado.
Silvio Santos faria uma análise lógica, nos meios acadêmicos isso "geralmente" não acontece.😉
Não sejam radicais, claro que há exceções, ainda bem.
Não sei do próprio Kafka explicar exatamente o que quis dizer com essa passagem.
Mesmo que explicasse ... não me impediria de fazer outras "ilações".
Vou tentar ser mais claro...
Tem a obra e o que o autor quis comunicar com ela.
E tem ... como essa obra "nos tocou".
As memórias, as experiências do autor não são as mesmas que as nossas.
Logo, sua obra, independente da intenção do autor, pode tocar de forma diferente em nós.
O que o autor quer passar com esse quadro? Não sei, só perguntando para ele.
Como essa obra me toca?
Gosto de paisagens como essa, minha mente não lida bem com aquelas pinturas abstratas.
O tom de azul da obra acho muito bonito, me acalma.
Como minha esposa veria?
Também não sei, teria que perguntar para ela.
Sei que na infância ela trabalhou colhendo algodão.
Essa obra traria lembranças que estão na memória dela, mas não na minha e talvez nem do autor.
Minha intenção com essa meditação é tirar da cabeça do leitor que há uma única maneira de interpretar uma obra e que só a "narrativa oficial" (acadêmica) é a correta.
Se ao ler um texto qualquer, clássico ou não, foi despertado em você um sentimento ou pensamento ... exponha, sem medo ou vergonha.
Mantenha distância segura 😉dos que sem nem analisar seus argumentos desprezam sua opinião por você não repetir feito papagaio o que alguém decidiu que você deveria dizer.
Se o que você disse é tão absurdo, é fácil para o "intelectual" rebater ... se não o faz ...a limitação mental esta nele.
✧✧✧
Resumo:
1. A Valorização do Trabalho como Sentido de Vida: Ao
contrário da visão comum que foca no absurdo da desumanização em Kafka, você
argumenta que a preocupação de Gregor Samsa com o emprego é legítima. Para
muitos, como exemplificado por Michelangelo e sua própria experiência pessoal,
o trabalho é o que provê dignidade, sustento familiar e senso de utilidade.
2. A Multiplicidade de Narrativas em uma Obra: Você
defende que um livro clássico "cabe muitas narrativas". Não existe
uma interpretação única ou estanque; a obra é um terreno fértil para diferentes
leituras que variam de acordo com quem as lê.
3. A Crítica ao "Consenso Acadêmico"
Impositivo: Um dos seus pontos centrais é a crítica à ideia de que existe uma
"narrativa oficial" ou correta para interpretar clássicos. Você
questiona a estrutura acadêmica que penaliza quem não repete a interpretação
decidida por um grupo de especialistas.
4. A Diferença entre Intenção do Autor e Percepção do
Leitor: Você separa a obra em duas instâncias: o que o autor quis comunicar e
como a obra "nos toca". Mesmo que o autor explicasse sua intenção
original, isso não invalidaria as ilações e sentimentos despertados no leitor.
5. O Papel da Bagagem Individual na Interpretação: Você
utiliza o exemplo do quadro e da experiência de sua esposa com a colheita de
algodão para mostrar que nossas memórias e vivências moldam nossa percepção
estética. A obra comunica coisas diferentes para pessoas com histórias de vida
diferentes.
6. A Defesa da Lógica sobre o Dogmatismo: Através da
anedota do programa de Silvio Santos (o caso do "umbigo" vs.
"sogra"), você argumenta que uma resposta fora do gabarito oficial
pode ser logicamente pertinente e correta, e que a academia deveria ter a mesma
abertura para a análise lógica em vez de seguir apenas o esperado.
7. Estímulo à Autonomia Intelectual e Coragem
Expositiva: Seu argumento final é um chamado à liberdade: o leitor deve expor
seus sentimentos e pensamentos sem medo de não "repetir feito
papagaio" o senso comum. Você sugere que, se um intelectual não consegue
rebater um argumento original e apenas o despreza, a limitação mental reside no
crítico, não no leitor.
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