sexta-feira, 31 de maio de 2013

Sobre Sinceridade

   

Nihil:  “Os ateus jovens são mais difíceis de educar já que a comunicação a ser usada com eles é diferente daquela que a maioria dos cidadãos consegue usar.”
   
William: Não entendo porque a “educação” tem que ser esse pisar em ovos!
  Uma mãe espiritualista tem que se encher de cuidados para falar com o filho ateu ou acontece o quê!? 

  Escrevo aqui no Blog sobre meu relacionamento com minhas filhas para não ficar falando em subjetividades alienantes, eu acredito no que penso então PRATICO.

  Minhas filhas gostam de piscina, tenho certeza que elas adorariam que eu brincasse na piscina com elas, só que tem um detalhe, eu não gosto de piscina.

  Nunca pisei em ovos para falar a maioria das coisas com minhas filhas. 
  Elas são pessoas que gostam de piscina, eu as aceito assim.
  Elas sabem que não gosto de piscina e me aceitam assim.
  Se eu ficasse com MEDO de falar para minhas filhas sobre meu sentimento, teria que me obrigar a entrar na piscina, seria um sofrimento desnecessário. 
  Poderia também inventar uma desculpa em todas as ocasiões e ser um mentiroso.

  Se uma filha se declarasse ateia eu me declararia espiritualista … simples assim.

  Diante de minha filha quero ser eu mesmo.

  Diante de mim, quero que minha filha seja ela mesma.
  As “máscaras” (quando necessárias) deixemos para o mundo lá fora.

  Sei que a sinceridade não deve ser exposta a ferro e fogo nem entre eu e minhas filhas.

  A "sinceridade plena" inviabiliza o bom convívio social.

  Entretanto temos exagerado demais em não sermos sinceros, estamos sempre pisando em ovos para falar com o próximo.
  Aplico a sinceridade em minha vida o máximo que posso, sabe de uma coisa? 
  As pessoas acabam se acostumando e quando querem uma opinião sincera me procuram.

  Um dia desses meu irmão me pediu para analisar um filme do qual ele tinha gostado muito, eu não gostei do filme, fui direto e franco em minha analise.
   Meu irmão não ficou chateado comigo, ele queria uma analise séria e foi o que teve, ele sabe que sou SINCERO, já me aceitou assim.
  O que já magoou meu irmão foi a falsidade, a hipocrisia, assim como já aconteceu com a maioria de nós.
  Não baseio a educação das minhas filhas em pisar em ovos, mas na sinceridade, na argumentação lógica.
  Quando alcanço um certo nível de amizade com uma pessoa já a alerto:

 “Tome cuidado com o que vai perguntar, não terei cuidado com o que vou responder, vou simplesmente ser sincero e lógico.”

"Você não pode me odiar
Só porque eu falei a verdade
Pior seria te iludir o tempo todo
Não vejo vantagem

Você precisa entender meu jeito de te querer
Pode até não ser como você imaginou
Mas eu te quero, eu te venero
Eu te adoro, só não vou te enganar

Porque eu sou sincero
Baby eu sou sincero

Você não pode me estranhar
Depois que eu falei a verdade
Pior seria te iludir o tempo todo
Não vejo vantagem

Você precisa entender meu jeito de te querer
Pode até não ser assim do jeito que você imaginou
Mas eu te quero, eu te venero
Eu te adoro, só não vou te enganar

Porque eu sou sincero
Baby eu sou sincero
Sou sincero
Sou sincero





✧✧✧

 

Resumo:

 

1. Rejeição ao "pisar em ovos" na comunicação —   

  Você critica fortemente a ideia de que é preciso ter cuidados excessivos ou comunicação especial para falar com ateus jovens (ou qualquer pessoa), comparando isso a uma educação artificial e desnecessária.

 

2. Prática daquilo que se pensa — Você enfatiza que acredita no que pensa e, por isso, pratica a sinceridade no dia a dia, usando o relacionamento real com suas filhas como exemplo concreto (não fica em subjetividades ou teorias vazias).

 

3. Aceitação mútua sem forçar gostos ou crenças —     Assim como suas filhas gostam de piscina e você não, vocês se aceitam sem que ninguém precise fingir ou sofrer; o mesmo vale para diferenças como ateísmo e espiritualismo: "Se uma filha se declarasse ateia eu me declararia espiritualista … simples assim."

 

4. Ser autêntico evita sofrimento desnecessário —   

   Esconder sentimentos (como não gostar de algo) leva ou a sofrimento forçado (entrar na piscina) ou a mentiras constantes (inventar desculpas); a sinceridade direta preserva a integridade e elimina esses custos emocionais.

 

5. Máscaras só para o mundo exterior — Dentro do círculo íntimo (filhas, relações próximas), o ideal é ser você mesmo e permitir que o outro seja ele mesmo; as "máscaras" são toleráveis ou necessárias apenas no convívio social amplo.

 

6. A "sinceridade plena" tem limites práticos — Você reconhece que sinceridade absoluta e sem filtro inviabiliza o bom convívio social e não deve ser imposta "a ferro e fogo", mesmo em família — há um equilíbrio necessário.

 

7. A sinceridade atrai confiança e é menos dolorosa que a falsidade — Quando praticada com frequência, as pessoas se acostumam e até procuram você por opiniões honestas (exemplo do irmão pedindo análise de filme); a hipocrisia e a falsidade magoam muito mais do que a franqueza direta. Você educa suas filhas nessa base de sinceridade + argumentação lógica, e avisa amigos: “vou simplesmente ser sincero e lógico.”

 

   Sinceridade como valor prático, autêntico e relacional, com nuances realistas sobre seus limites. 


  

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