sábado, 26 de outubro de 2013

Ódio Nosso de Cada Dia

  “Poucas pessoas conseguem ser felizes, a menos que odeiem alguém.”
[Bertrand Russel]

   Sempre me chama a atenção como tantas pessoas desenvolvem uma “raiva intensa” por certas coisas sem muita razão de ser.

  Tem funcionário que tem raiva do chefe, aparentemente só por ele ser chefe.
  Eu já tive atritos com as chefias, mas não lembro de ter raiva de ninguém.
  Sempre foi aquela coisa pontual por uma decisão tomada.

  Talvez por ter chefiado várias pessoas por muito tempo eu tenha uma compreensão melhor do cargo.
  O chefe é aquele funcionário que cobra desempenho, organização, cumprimento de metas.
  Pela frente raramente alguém fala alguma coisa, mas por trás é bastante xingamento.
  Como eu sei?
  Não estive sempre em posição de chefia, na maior parte da minha vida profissional estive na posição de subordinado.
  Além do mais o chefe em geral também é subordinado a alguém, a outro chefe ou ao dono da empresa.

  Um detalhe que muitos ignoram.

  Praticamente tudo que você diz acaba chegando ao conhecimento do seu chefe.

  Só não chega se você desabafar para um colega bem próximo e ele seja alguém bem reservado.
  Se o que você disse chegou ao ouvido de um terceiro, isso cai na “radio peão” e o chefe fatalmente irá saber.
  Tem os puxa saco, tem os fofoqueiros, tem os que não gostam de você, tem os que gostam de ver o circo pegar fogo...

  Já chefiei muitas pessoas, ouvi de tudo, nunca levei para o lado pessoal, é algo como xingar a mãe do juiz, o chefe que não está preparado para tal situação…não está preparado para ser chefe.

  Eu ouvia a reclamação do funcionário e ficava surdo para os adjetivos que ele me dava no comentário com os colegas, se a reclamação era procedente eu me corrigia senão lhe permitia ao menos o desabafo.

  Tem aquela coisa que o indivíduo fala apenas da boca pra fora, meio que por “tradição”, exemplo:
 
  Por vezes você vai passar um tempo ao lado de uma pessoa na fila de alguma coisa, ou no trabalho, ou uma visita que vem na sua casa.
  Falar mal de algo serve para “puxar assunto”.
  Política, economia, esporte...

  Falo mal das mulheres no volante, principalmente quando estou entre mulheres, gosto daquela guerrinha de sexos, mas vou contar um segredo, não gosto de dirigir.
  Sempre que minha mulher aceita passo essa função para ela, gosto de ir no banco do carona apreciando a paisagem, dirigir me dá uma léseira danada.
  Dirigir nem é o grande problema, fico maravilhado com a tecnologia que nos permite ter algo tão incrível como carro, o desagradável é o trânsito, quanto mais intenso, pior.





  Toda essa longa “introdução” é para tentar fazer você captar a profundidade do que Bertrand Russel está querendo nos dizer.

 “Poucas pessoas conseguem ser felizes, a menos que odeiem alguém.”

  Tem aquela crítica/reclamação/xingamento que é pontual ou da boca pra fora.
  Mas se você começar prestar atenção verá que há pessoas que desenvolvem facilmente ÓDIO por uma situação, ódio por outra pessoa.
  Se não demonizam algo ou alguém parece que não tem outro assunto, não tem razão para viver.

  Eu não tenho ódio do Comunismo, se cubanos e norte coreanos vivem bem assim, fico alegre por eles.
  Tem gente que odeia o Capitalismo o culpa por toda e qualquer desgraça na Terra.

  Tem gente que realmente odeia o chefe, a empresa, o vizinho, os EUA, a ex do marido, o ex da esposa, os ricos, os pobres, os crentes, os ateus…

  A lista não tem fim, a pessoa precisa colocar a culpa em algo, em alguém, encontrar algo que seja um EMPECILHO PARA SUA FELICIDADE.

   Felicidade não existe, mas a pessoa acredita que se aquele objeto do seu ódio desaparecer ela será feliz.
   Por vezes acontece, para continuar falando sobre chefes, o seu pode ser demitido, transferido, morrer ... e como a felicidade não acontece a pessoa arruma outra coisa para odiar, quem sabe o novo chefe. 😄

   Em resumo, felicidade não existe, essa é uma realidade
que muitos não querem aceitar, demonizam tudo que acreditam que os impedem de serem felizes.
  O coitado do chefe só está fazendo a obrigação dele, mas a pessoa acredita que se aquele chefe sumisse tudo ficaria bem!
  O “bom senso” nos diz que seria colocado outro chefe que teria que cumprir com sua obrigação ou seria demitido também.
  Se a pessoa reclamante assumir a chefia terá também que cumprir com sua obrigação de chefe ou não ficará muito tempo no posto.
   


  Mas esse tipo de pessoa não pensa muito, se pensasse teria que admitir que a felicidade não existe e preferem morrer ou matar que admitir tal possibilidade.

  Para essas pessoas felicidade existe e elas a alcançarão de qualquer jeito, é só os Estados Unidos, Israel, o Capitalismo, políticos, a sogra, a celulite…desaparecerem.
 😆


  “O ódio nosso de cada dia nos dai hoje; que ofendamos antes de sermos ofendidos, não nos deixei cair na tentação da compreensão”. 😈






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