sexta-feira, 22 de março de 2013

Seqüência de Eventos






  “Comece fazendo o que é necessário,
 depois o que é possível, 
e de repente você estará
 fazendo o impossível.” 
(São Francisco de Assis)

  Começamos mamando no peito de nossa mãe, isso é necessário, possível e nos dá prazer.

  Se nossa mãe morrer enquanto formos bebês mamar nela não será mais possível, independente de nosso esforço, fé ou determinação.

  Deletando essa sequência de evento desagradável (morte) que não gostamos nem de imaginar ficamos com a sequência de eventos “esperada”.

  Por nós mamaríamos por muito tempo, mas nossa mãe depois de um certo tempo nos força a “largar o peito”, independente de nossa fé, esforço ou determinação.

  Essas “frases inspiradoras” na maioria das vezes são tão infantis que é espantoso o número de pessoas que deixam se guiar por elas.

  Comentei isto em um texto onde observava que no portal do site Terra não tinha nenhum link para o Grupo de Debates, mas o indefectível link para horóscopo sempre está lá.
  Filosofia não, Astrologia sim!

  Peguemos o caso do jogador Robinho, ele tinha prazer em jogar bola e jogava, não era necessário, mas era possível.
  Ele nasceu com talento para o futebol, foi um dom, não foi algo conseguido com dor, sofrimento, obstinação…
  Jogando bola na rua, alguém do meio futebolístico viu, gostou e o ajudou.
  Já pensaram que poderia ser um pedófilo ou um assassino como o de Luziânia?


  Tive um colega com muito talento para o futebol, jogou em vários campos, muitas ruas, passou por muitas peneiras, mas não apareceu ninguém que o ajudasse.
  Meu colega fez o que era necessário, fez o que era possível e sua carreira de jogador foi impossível…

  Sim senhoras e senhores, estou falando sobre SEQÜÊNCIA DE EVENTOS.

  Tente, se esforce, corra atrás de seus sonhos, mas não se comporte como um fracassado se eles não acontecerem.

   Não tenha a ILUSÃO que seu destino está totalmente em suas mãos porque NÃO ESTA!

  Para o Robinho apareceu um “anjo” que o levou para ao Millan, para meu colega não apareceu ninguém e aconteceu o alcoolismo.
  Meu colega se sentiu e se comportou como um fracassado e foi tragado pelo álcool.

  São Francisco só poderia estar certo, como duvidar do Santo?
  A culpa do sucesso não ter chegado para o meu colega é porque “ele” não se esforçou o bastante...

  Eu não tenho a vida dos meus sonhos, sonhava em ser um grande escritor.
  Também me sinto um fracassado, mas estou muito longe de ser consumido por algum vicio, descobri há muito tempo que meu destino não está totalmente em minha mãos…

APRENDI A DUVIDAR DOS SANTOS!


  Vindo de família religiosa católica, não me parecia possível e nem necessário duvidar dos Santos, aconteceu o impossível?


   “Decifra-me ou te Devoro!”


✧✧✧

 

 

 Resumo:


1. A sequência de eventos é fundamental e muitas vezes escapa ao nosso controle — Nem tudo que é necessário ou possível depende só de esforço, fé ou determinação individual. Eventos externos (como a morte da mãe ou a ausência de um "ajudante") podem tornar algo impossível, independentemente da vontade pessoal.

 

2. Crítica às frases inspiradoras (como a de São Francisco de Assis) — Elas são frequentemente **infantis** e simplistas. A citação sugere que esforço leva inevitavelmente ao impossível, mas a realidade mostra que isso ignora fatores externos e contingências da vida.

 

3. Exemplo do desmame forçado — Mesmo no que é "esperado" e prazeroso (mamar), a mãe impõe limites externos, mostrando que nem o desejo nem o esforço individual decidem o curso dos eventos.

 

4. Contraste entre Robinho e seu colega — Ambos tinham talento e fizeram o necessário/possível (jogar bola, peneiras), mas o sucesso de Robinho dependeu de um encontro casual com um "anjo" (olheiro), enquanto a ausência desse fator levou seu colega ao fracasso e ao alcoolismo. Isso ilustra que oportunidades externas são decisivas.

 

5. O destino não está totalmente em nossas mãos — Você rejeita a ilusão de controle absoluto. Esforço é importante ("tente, se esforce, corra atrás"), mas não garante sucesso; culpar apenas a falta de esforço da pessoa é injusto e equivocado.

 

6. Consequências emocionais da narrativa de "auto-responsabilidade total" — Seu colega se sentiu fracassado e foi destruído pelo álcool ao internalizar a culpa. Em contraste, você reconhece os limites do controle e evita vícios, mesmo sentindo-se fracassado por não ter realizado o sonho de ser grande escritor.

 

7. Aprendizado pessoal: duvidar dos santos e das frases motivacionais — Vindo de uma família católica, duvidar de São Francisco parecia impossível, mas a vida mostrou o contrário. Isso culmina na frase final ("Decifra-me ou te Devoro!"), simbolizando o enigma da existência e a necessidade de questionar narrativas absolutas de superação.

 

Esses pontos capturam o cerne do seu argumento: uma visão realista e anti-idealista sobre realização pessoal, contingência, sorte/oportunidade e crítica ao discurso motivacional ingênuo que ignora a "sequência de eventos" imprevisível da vida.



  

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