“Se não existissem más
pessoas,
não haveria bons advogados.
(Charles
Dickens)
William: Esse pensamento sugere que bom advogado é aquele que consegue inocentar um culpado
ou pelo menos reduzir-lhe bastante a pena, observem que ele disse “más pessoas”.
Por esse ponto de vista não tenho perfil para
ser bom advogado.
No meu conceito, confesso, um tanto “romântico” 😉.
Bom advogado é aquele que ajuda o juiz a praticar justiça.
Ladrão, estuprador, estelionatário, assassino.
...
Não tenho a menor propensão a defender esse
tipo de gente nem para diminuir a pena.
“Me acho” bom defendendo coisas que acredito.
Exemplo rápido.
Acusam
o Capitalismo de ser um sistema selvagem.
Meritíssimo
Leitor 😊, é como dizer que um carro é selvagem!
O veículo pode ter motor potente, ir de zero
a cem em poucos segundos, mas quem dirige é você.
Defender um político corrupto ou líder de facção
criminosa pode render bastante dinheiro, é com esse tipo de gente que quer se
envolver?
Entenda que é você que decide até onde está disposto
a ir por dinheiro - Link.
Não é desejar ter dinheiro que nos torna
monstros/selvagens é o que somos capazes de fazer para consegui-lo.
Se VOCÊ comete crime ou é conivente com quem
comete não coloque no banco dos réus o capitalismo, comunismo, cristianismo,
nacionalismo, socialismo ...
Essa lógica entra em sua mente?
Nota: Claro que defendo o direito do cidadão a ampla defesa por pior que ele seja.
Ainda bem que há advogados que conseguem colocar em pratica essa "civilidade".
✧✧✧
Resumo:
1. Conceito pessoal de bom advogado
Bom advogado não é aquele que consegue inocentar culpados ou reduzir drasticamente suas penas (como sugere a interpretação da frase de Dickens), mas sim aquele que ajuda o juiz a praticar a justiça.
2. Limite ético pessoal
Você se considera apto a defender com convicção apenas quem acredita ser inocente. Se passar a acreditar que o cliente é culpado (especialmente em crimes graves como roubo, estupro, estelionato ou assassinato), a defesa se torna muito complicada e você não tem propensão para atuar nesse tipo de caso.
3. Defesa por convicção
Você se acha bom defendendo coisas nas quais realmente acredita. Sua atuação profissional ou argumentativa flui melhor quando há alinhamento de valores e crença na causa.
4. Analisa a pratica do Direito para enriquecer defendendo o pior
Defender políticos corruptos ou líderes de facções criminosas pode render muito dinheiro, mas você questiona se vale a pena se envolver com esse tipo de gente, reforçando que cada um decide até onde está disposto a ir por dinheiro.
5. Responsabilidade individual acima de sistemas
Não é o desejo de ter dinheiro que torna as pessoas monstros, mas o que elas são capazes de fazer para obtê-lo. Culpar o Capitalismo (ou qualquer outro sistema — comunismo, socialismo etc.) por crimes ou conivência é errado: o problema está nas escolhas individuais, não no “veículo” (sistema).
6. Analogia do Capitalismo
Acusar o Capitalismo de ser selvagem é como dizer que um carro potente é selvagem. O veículo (sistema) tem força e capacidade, mas quem dirige é você — a responsabilidade é do condutor.
7. Reconhecimento da importância da ampla defesa
Mesmo com suas reservas pessoais, você reconhece e defende o direito constitucional à ampla defesa para qualquer cidadão, por pior que seja, e valoriza os advogados que conseguem exercer essa função com civilidade.
Esses pontos capturam o núcleo da sua visão “romântica” (como você mesmo define) sobre advocacia, ética profissional e responsabilidade individual.
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