sexta-feira, 27 de março de 2026

Embrião




William: Com os avanços tecnológicos a sociedade muda.
  Por vezes fico meditando sobre a relevância de certos temas.
  Vejam o caso do aborto.
  Acontecem debates apaixonados os quais pela lógica já não tem razão de ser.
  É mais um daqueles assuntos em que as mentalidades parecem ter parado lá na década de 1950.


Renata: Como você mesmo disse (no texto do link), existem inúmeras maneiras de se evitar uma gravidez. 
  E como comentei, ver como um aborto funciona nos tira completamente dessa coisa de “ah, o casal foi irresponsável, coitados”
  Não. Uma vida não pode ser paga com a irresponsabilidade de alguém. 
  Existe a história dessa enfermeira que participava de uma clínica abortista até ver um aborto, e então passou a se posicionar contra. 
  Fizeram um filme sobre ela que se chama 40 dias: o milagre da vida.
  Pela lógica, o homicídio também é ilegal, mas as pessoas praticam, certo?
  Só por isso devemos legalizá-lo? 
  O roubo também é ilegal, mas as pessoas praticam. 
  Então vamos legalizá-lo também? 
  Não. Eu já caí nessa armadilha. Hoje não mais.


William: "Eu" não classifiquei nenhum casal de "coitados".
   Respondo pelo que "eu" escrevo.

   Entendo a comoção das pessoas ao ver um embrião de menos de 40 dias reagindo a estímulos, mas biologicamente é exatamente isso que se espera.
   O embrião humano (cerca de 6 semanas) já tem sistema nervoso rudimentar e pode apresentar reflexos motores simples a estímulos é esperado no desenvolvimento normal, como batimentos cardíacos precoces ou contrações. 
  Não prova “consciência” ou “personalidade”, que surgem bem depois lá pelo quinto mês da gestação.
  A comoção vem da projeção emocional (“bebezinho reagindo”), não da biologia pura. 

  Vai parecer frio da minha parte, mas ... quem já viu uma lagartixa perder o rabo sabe que ele continua com reflexos, não tem "vida" ali..

  Um cadáver pode se mexer com estímulos elétricos.    Após a morte, os músculos ainda respondem a correntes elétricas por horas ou dias (rigor mortis não impede totalmente). 
  Experimentos clássicos (como os de Galvani no século XVIII com pernas de rã) e casos reais mostram contrações, flexões ou até “levantar” membros com choques fortes.
  É pura resposta fisiológica de fibras musculares excitáveis, sem vida, consciência ou alma. 
  Exatamente como o reflexo do embrião precoce.

  Já tive "romantismo" com relação a vida, tipo: "Viver sempre vale a pena".
  Sou mais da corrente de outros filósofos:

      "A vida que não precisa ser vivida".

  Se uma criança vai nascer com graves sequelas como microcefalia (só um exemplo) é uma  vida de sofrimento que não precisa ser vivida.
  Nascer em uma situação que nem sua mãe te quer ... é uma vida que não precisa ser vivida "pra mim".
  Em situações normais a vida já é complicada.
  O individuo nascer em grande desvantagem apostando tudo na sorte, será que é preciso mesmo?


Renata: "Pela lógica, o homicídio também é ilegal, mas as pessoas praticam, certo?
  Só por isso devemos legalizá-lo?
  O roubo também é ilegal, mas as pessoas praticam.
  Então vamos legalizá-lo também?"

William: Prefiro ficar por aqui, estamos falando do aborto de um ser em formação e você quer falar sobre ocorrências com seres já formados!?
  Por seu ponto de vista então até usar qualquer anticoncepcional deveria ser criminalizado!? 

Nota: Eu sei que minha ultima pergunta é "infantil", "sem noção".
   O mesmo que comparar assaltar ou matar uma pessoa com abortar um embrião...




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 Resumo:


1.  Descompasso Temporal do Debate: Você argumenta que o debate sobre o aborto está estagnado em mentalidades da década de 1950, ignorando que os avanços tecnológicos e as mudanças sociais alteraram a relevância e a lógica do tema na atualidade.

 

2.  Diferenciação entre Reação Biológica e Consciência: Você defende que movimentos ou reflexos de um embrião (de cerca de 6 semanas) são apenas respostas fisiológicas do sistema nervoso rudimentar. Para você, isso não prova a existência de "personalidade" ou "consciência", que só surgiriam por volta do quinto mês.

 

3.  Crítica à Projeção Emocional: Você sustenta que a comoção social diante de imagens de embriões reagindo a estímulos é fruto de uma "projeção emocional" ("romantização") e não de uma análise científica ou biológica pura.

 

4.  Analogia da Resposta Muscular: Para ilustrar que movimento não é sinônimo de vida consciente, você utiliza os exemplos do rabo da lagartixa e de cadáveres que reagem a estímulos elétricos (experimentos de Galvani), reforçando que fibras excitáveis respondem mecanicamente mesmo sem "alma" ou consciência.

 

5.  A Filosofia da "Vida que não precisa ser vivida": Você contrapõe o idealismo de que "viver sempre vale a pena" com uma visão mais pragmática: se o nascimento implica em sofrimento extremo (como sequelas graves) ou em total desamparo (rejeição materna), essa existência seria uma "desvantagem" desnecessária.

 

6.  Questionamento do Destino pela Sorte: Você argumenta que permitir o nascimento em situações de extrema vulnerabilidade ou grave comprometimento de saúde é submeter o indivíduo a uma aposta cruel na sorte, defendendo que, em certos casos, a não existência é preferível ao sofrimento inevitável.

 

7.  Rejeição da Equivalência entre Aborto e Crime: Você refuta a comparação entre o aborto de um embrião em formação e crimes como homicídio ou roubo (cometidos contra seres já formados), sugerindo que tal lógica é tão desproporcional quanto criminalizar métodos contraceptivos.

 


  


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